Para que servem nossos vereadores?

Quais as reais funções e atribuições de um “vereador”?

Em época eleitoral, não faltam promessas de candidatos ao cargo de vereador. Alguns candidatos são ilustres desconhecidos, outros são “figurinhas já carimbadas” do meio político. Nessas horas aproveitadores se apresentam como líderes comunitários, defensores do Meio Ambiente, prometem acabar com qualquer problema nas cidades, especialmente aqueles mais prementes. No pleito pelos cargos públicos, sejam eles em esfera municipal, estadual ou federal, o apelo e a tentativa do convencimento por meio de promessas é um dos mecanismos mais usados pelos candidatos. E nessa busca pelo voto, pelo apoio, os candidatos podem se perder em meio às promessas de ações impraticáveis, seja pela complexidade do assunto, seja pela própria limitação das atribuições legais daquele cargo almejado. No entanto, no afã pela vitória, não apenas se fala demais, mas se promete absurdos, como se vê nas eleições para vereador a cada quatro anos. Nesse sentido, conhecer as atribuições e verdadeiras funções do cargo legislativo municipal é fundamental não apenas aos que almejam ocupar tais cargos, mas principalmente para os eleitores, os quais munidos de algumas noções facilmente poderão identificar falácias, mentiras e uma sorte de discursos eleitoreiros absolutamente descolados da realidade.

No Dia da Árvore, em 2011, a Câmara não votou o projeto dos Túneis Verdes

VEREADOR

Vereador é sinônimo de Edil.

Vereador é a “pessoa que verea”, ou seja, é o cidadão eleito para cuidar da liberdade, da segurança, da paz, do bem-estar dos Munícipes.

Verea é do verbo verear, que significa administrar, reger, governar.

FUNÇÕES

A Câmara Municipal exerce funções legislativas, fiscalizadoras, administrativas, judiciárias e de assessoramento.

FUNÇÕES LEGISLATIVAS

A Câmara, no exercício de funções legislativas, participa da elaboração de leis. Tem os seus membros o direito: de iniciativa de projetos de lei, de apresentar emenda a projetos de lei, de aprovar ou rejeitar projetos, de aprovar ou rejeitar veto do prefeito.

FUNÇÕES FISCALIZADORAS

É de competência da Câmara Municipal fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo – Prefeito e Secretários Municipais – incluídos os atos da administração indireta.

A Câmara fiscaliza e julga as contas do prefeito.

A Câmara exerce ainda função fiscalizadora mediante requerimento de informações sobre a administração, com a criação de Comissões de Inquérito para apuração de fato determinado, com a convocação de autoridades para depor.

FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS

A Câmara exerce função administrativa na organização dos seus serviços como composição da Mesa, constituição das Comissões, estrutura de sua Secretaria.

FUNÇÕES JUDICIÁRIAS

A Câmara Municipal exerce ainda função do Poder Judiciário, pois processa e julga:

– o Prefeito Municipal;

– os Vereadores.

A pena imposta ao Prefeito é a decretação do impeachment (perda do mandato) e ao Vereador é também com a perda do mandato.

FUNÇÕES DE ASSESSORAMENTO

A Câmara exerce função de assessoramento, ao votar indicação, sugerindo medidas ao Prefeito, de interesse da administração como, entre outras, construção de escolas, abertura de estradas, limpeza de vias públicas, assistência à saúde, dentre outras.

Separando o “joio do trigo”

Em Porto Alegre não é diferente das demais cidades, existem vereadores (as) que mesmo sob grande pressão do executivo municipal e de poderosos grupos econômicos continuam sendo fiéis ao que mandato que exercem, defendendo o interesse público e legislando com responsabilidade. Muitas vezes são minoria, como todos percebem, desde que acompanhem com atenção o que sepassa na Casa Legislativa Municipal.

Um dos grande exemplos disso foi a votação do famoso projeto imobiliário Pontal do Estaleiro, quando um vereador apresentou um projeto que alteraria a legislação municipal para beneficiar um empreendimento imobiliário residencial às margens do nosso Guaíba. Atualmente alguns dos então vereadores não exercem mais o cargo, mas muitos deles ainda estarão disputando vagas na Câmara.

Lembrando como votaram em novembro de 2008:

Responsáveis pela VERGONHA!

Alceu Brasinha (PTB) – vereador que apresentou o “projeto”

Almerindo Filho (PTB)

Bernardino Vendruscolo (PMDB)

Dr. Goulart (PTB)

Elias Vidal (PPS)

Ervino Besson (PDT)

Haroldo de Souza (PMDB)

João Carlos Nedel (PP)

João Antônio Dib (PP)

João Bosco Vaz (PDT)

José Ismael Heinen (DEM)

Luiz Braz (PSDB)

Maria Luiza (PTB)

Maristela Meneghetti (DEM)

Maurício Dziedricki (PTB)

Mauro Zacher (PDT)

Nereu D´Avila (PDT)

Nilo Santos (PTB)

Sebastião Melo (PMDB)

Valdir Caetano (PR)

Quem votou contra:

Adeli Sell (PT) – era favorável ao projeto mas teve que acompanhar o partido

Aldacir Oliboni (PT)

Beto Moesch (PP)

Carlos Todeschini (PT)

Cláudio Sebenelo (PSDB)

Dr. Raul (PMDB)

Guilherme Barbosa (PT)

José Valdir (PT)

Marcelo Danéris (PT)

Margarete Moraes (PT)

Maria Celeste (PT)

Mauro Pinheiro (PT)

Neuza Canabarro (PDT)

Professor Garcia (PMDB)

Sofia Cavedon (PT)

Felizmente sempre aparecem candidatos de qualidade para concorrer ao cargo de vereador de nossa cidade, como é o caso do professor Filipe de Oliveira (PV – integrante do extinto Movimento Porto Alegre Vive que lutava por um Plano Diretor que respeitasse os direitos dos moradores e não dos construtores e também membro do Fórum de Entidades para a Revisão do Plano Diretor de Porto Alegre). Filipe foi um dos que participou ativamente da luta contra o Pontal do Estaleiro e por ser ambientalista poderá um dos que irão tentar preencher a lacuna deixada pelo brilhante ambientalista Beto Moesch, que decidiu não mais concorrer à vereança.

Uma boa surpresa em 2008  foi a eleição dos vereadores Airto Ferronato (PSB), Tony Proença (hoje PPL) e Fernanda Melchionna (PSOL).

Ferronato sempre se colocou à disposição para ouvir os posicionamentos de moradores e entidades ambientalistas. Tony Proença, mesmo quando era do PPS  (partido da base do governo) era simpático a muitas reivindicações de entidades de moradores e substituiu a vereadora Neuza Canabarro como coordenador do Fórum de Entidades no segundo período da Revisão do PDDUA.

Fernanda Melchionna teve uma importante participação na luta do NÃO ao Pontal do Estaleiro, mesmo quando ainda não tinha tomado posse na Câmara Municipal, o que só ocorreu em 2009.

Por essas e outras é muito importante saber o que pensam e o que fizeram anteriormente os candidatos à reeleição e os que postulam a vereança pela primeira vez. Separar o “joio do trigo” é sim responsabilidade do eleitor preocupado com o futuro de nossa cidade. Esteja atento, existem muitos candidatos enganadores por aí…

Porto Alegre envergonhada

Lembrando a votação do Pontal do Estaleiro

A especulação imobiliária venceu

Vereadores e o Pontal do Estaleiro

Com a chantagem da Copa do Mundo…

Isso é histórico: “Túneis Verdes” atrapalham a Copa

A vitória do ATRASO

Quase todos concordaram com o projeto dos Túneis Verdes

Candidata cai mais um pouco

Existem candidatas (os) que em campanha eleitoral apresentam propostas para “valorizar o Meio Ambiente” mas que votaram CONTRA o Código Florestal.

Segundo o Datafolha a candidata que votou favoravelmente ao projeto do Aldo Rebelo, pelo desmonte do Código Florestal, continua em queda livre.

Do G1:

O Datafolha divulgou, nesta quinta (27), a quarta pesquisa de intenção de voto sobre a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre neste ano.

A pesquisa foi encomendada pelo Grupo RBS e pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

Em relação à pesquisa anterior, José Fortunati foi de 41% para 47%. Manuela passou de 30% para 24% e Adão Villaverde foi de 7% para 9%. Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, o prefeito seria reeleito no primeiro turno.

Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2012/noticia/2012/09/fortunati-abre-vantagem-e-vai-47-em-porto-alegre-diz-datafolha.html

Parece que tentar vender uma imagem de preocupação com o Meio Ambiente, só agora na época da eleição, surtiu efeito contrário na população de Porto Alegre.

A gente morre e não vê tudo: candidata a prefeitura que como deputada votou pelo DESMONTE do Código Florestal, agora usa o desenho de uma ÁRVORE para pedir votos… Dia 22 de setembro de 2012 – Parque da Redenção – Porto Alegre. (Facebook dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho)

Sempre é bom lembrar

Existem candidatas (os) que em campanha eleitoral apresentam propostas para “valorizar o Meio Ambiente” mas que votaram CONTRA o Código Florestal.

Certamente este deve ser um dos motivos do aumento de rejeição ao nome da candidata Manuela em Porto Alegre.

Segundo o Datafolha:

AUMENTA REJEIÇÃO À MANUELA E À WAMBERT DI LORENZO

A rejeição a Manuela d´Ávila passou de 15% para 19% desde a última semana de agosto e agora a candidata do PC do B lidera a lista dos candidatos em quem os eleitores não votariam de jeito nenhum ao lado de Villa (18%) e Wambert di Lorenzo (16%). Eles são seguidos por Roberto Robaina (12%), Fortunati (12%), Erico Correa (10%) e Jocelin Azambuja (10%).

Em Porto Alegre, há ainda 17% dos eleitores que não rejeitam nenhum dos nomes que disputam a prefeitura, e 5% que rejeitam todos. Questionados em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 17% não souberam responder.

Entre os eleitores com idade entre 45 e 59 anos, a rejeição a Manuela cresceu de 17% para 25%, e entre os que têm 60 ou mais, passou de 11% para 20%. A rejeição à candidata também avançou entre os eleitores com ensino fundamental (de 10% para 17%);

Texto completo aqui: http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=1233

Em 11 de dezembro de 2009: Não saiu na mídia

Atualização em 18 de setembro:

No Sul21

Fortunati amplia vantagem sobre Manuela, segundo nova pesquisa

SMAM removerá árvore na “rua mais bonita do Mundo”

Trecho do Blog “Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho”:

A árvore da Gonçalo

Já faz muito tempo que tanto a AMABI como os Amigos da Gonçalo avisavam a SMAM que a árvore que agora será “removida” apresentava problemas, tinha um ôco e um grupo de adolescentes que se reuniam na rua, chamados “Emos”, só faziam piorar pois colocavam fogo no ôco da árvore (vídeo da RBS TV aqui: Gonçalo de Carvalho nas quintas-feiras). Providências foram pedidas à SMAM que é quem tem a obrigação de fazer a manutenção e manejo das árvores, isso está bem claro no próprio decreto do executivo que declarou a rua como Patrimônio Cultural, Histórico, Ecológico e Ambiental da cidade. Foram feitos telefonemas, enviados e-mails e pedidos sempre que alguém da SMAM era identificado por nós. Agora vem a solução da SMAM, nada mais pode ser feito para salvar a árvore, ela terá que ser “removida”. Claro que ninguém quer ver a árvore cair, especialmente em cima de pessoas que circulam pelo local, mas será que não teria sido possível tratar a árvore se a SMAM tivesse feito sua obrigação em tempo hábil?

Primeira reunião de mobilização (2005) em frente da árvore que agora será removida – Foto: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Será muito triste ver a árvore onde iniciamos a mobilização pela preservação do Túnel Verde da Gonçalo de Carvalho ser removida, mas mais triste ainda é ver a atual situação de atrofia da SMAM e isso não é motivada por seu corpo técnico, é motivada pela desastrosa direção na secretaria que já foi motivo de tanto orgulho para nós.
As eleições estão chegando.
Esperamos que a SMAM volte a ser dirigida por pessoas que conheçam e defendam o nosso Meio Ambiente e deixem os técnicos da SMAM trabalharem sem ingerências estranhas ao real objetivo da secretaria, seja quem for o vencedor nas urnas.

Em junho de 2011 mais um alerta sobre a árvore com problemas e seus riscos, na TV Câmara

Texto completo no Blog dos Amigos da Gonçalo de Carvalho:

SMAM vai “remover” árvore na Rua Gonçalo de Carvalho

Aos candidatos à prefeitura de Porto Alegre

Cópia de carta aos emails de comitês de todos os candidatos à PMPA

Boa noite Sra./Sr. Candidata/o a Prefeitura Municipal de P. Alegre ;

V Excia com certeza sabe que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana – IPTU sobre Bens Imóveis de nossa cidade, é aplicável a quase hum milhão de propriedades residenciais, comerciais, industriais e rurais e que este tributo representa uma das maiores parcelas do orçamento com que a PMPA executa suas funções. Pergunto :

1 – V Excia ou sua assessoria conhece os n.os referentes a isto, como n.o de imóveis tributados, isentos, valor médio, valor total da cobrança, valor da inadimplência e percentual que representa sobre o tributável e como este contencioso é gerido há décadas pela SMF e pela PGM da PMPA ?

2 – V. Excia ou sua assessoria sabem que valores gigantescos deste contencioso estão cadastrados em nome de ex-proprietários ? E que a SMF – PMPA continua ano após ano emitindo boletos e remetendo a ex-proprietários em endereços errados e emitindo notificações de dividas e encaminhando ações de cobrança inócuas contra ex-proprietários, que acostumados a esta inépcia administrativa continuada, sequer se ocupam de formalizar a advertência ao erro, salvo quando notificados judicialmente, para provar que não são mais proprietários e portanto não são mais responsáveis pelo pagamento do IPTU ?

3 – V. Excia ou sua assessoria sabem a quantidade de ações de cobrança inócuas gera assim a SMF-PMPA e os valores gigantescos de arrecadação assim perdidas por prescrição ?

4 – V. Excia ou sua assessoria sabem que esta perda de recursos orçamentários ocorre porque a SMF só atualiza o cadastro de IPTU por iniciativa do comprador, desde que apresente prova da propriedade em matricula atualizada do Registro de Imóveis, comprovante de endereço e outros documentos, como se ele ganhasse algo com esta atualização, que só interessa à própria arrecadadora SMF-PMPA, que entretanto detém nas suas entranhas, no pagamento do Imposto de Transferencia de Bens Imóveis – ITBI, em alíquota de 3,0% sobre a avaliação por esta mesma SMF, do bem transferido de A para B, os dados para a atualização do cadastro e cobrança a quem de direito e com isto evitar o desperdício de RH próprios e da advocacia da PGM e a inconfessável e gigantesca renuncia orçamentária exposta, por falha tão elementar ?

E não se diga que a SMF-PMPA não poderia, ex-oficio, alterar o cadastro de IPTU a partir do pagamento do ITBI, que ninguém desperdiça pagar sem já ter efetuado a transação imobiliária, pois deveria ter controles de inadimplência e no 2.o ou 3.o ano sem pagamento, buscar ela mesma SMF-PMPA, como credora aplicada, zelosa dos direitos dos cidadãos de Porto Alegre, nos Registros de Imóveis competentes, matriculas atualizadas e passar a acionar exatamente o proprietário real de direito.

5 – V. Excia ou sua assessoria sabem quantas dezenas de milhões de Reais vazam por ano e quantos quilômetros de metro ou quantos milhares de casas populares poderiam ter sido construídas a cada década em P Alegre, corrigindo uma falha administrativa tão elementar ?

6 – O que sua administração pretende fazer na gestão da PMPA , se eleito/eleita for, para eliminar estes “arquipélagos de repúblicas independentes” e pouco eficientes de que se constitue há muitas décadas e administrações, a nossa (?) Prefeitura Municipal ?

( c/ cópia para todos os candidatos, mídia, vereadores, entidades e lideranças comunitárias )

Henrique Ledur – acadêmico de Direito

(recebido por e-mail)

Os sapatos de Pepe

Correio Braziliense

06/08/12

Os sapatos de Pepe

Edmar Oliveira*

Na reunião do Mercosul, em Brasília, para referendar a entrada da Venezuela no grupo, chama a atenção uma foto em que os representantes estão reunidos. Nela, o fotógrafo tentou mostrar uma gafe. Chávez, Dilma e Cristina riem dos sapatos de José Mujica, o Pepe, presidente do Uruguai. A foto pode falar: enquanto os três parecem desaprovar, Pepe, com as mãos abertas e estendidas à frente, parece dizer: “O que é que tem? Estão sujas de barro da terra. É que estava plantando hortaliças e saí apressado para essa reunião”.

Os sapatos de Pepe Mujica

Nada a estranhar. Pepe é reconhecido por seu despojamento aos bens materiais e apego ao poder. Não tem seguranças. É visto dirigindo o seu Fusca, das antigas, nas ruas de Montevidéu. Faz a doação de 90% do salário a instituições de ajuda aos pobres. Trabalha na sua chácara, daí os pés sujos. Em suma, leva uma vida espartana, completamente diferente dos que riem dele. E de outros também.

Não quero aqui que os seus parceiros de Mercosul usem sapatos sujos e também que o imitem nas excentricidades de andar num Fusca e doar parte do salário. Mas essas posturas têm consequências na prática. A sensibilidade de perceber o drama dos comuns e até dos diferentes e excluídos.

Pois Pepe anuncia que vai descriminalizar o uso das drogas. No caso da maconha, cadastrar usuários e distribuir, digamos, uma “ração” mensal. Assim, afasta os usuários dos traficantes, porque não é a maconha a porta de entrada para drogas mais pesadas. Mas o traficante é, quando nega a droga mais leve para introduzir a mais nociva, pensando no lucro.

O plano do governo de José Mujica se assenta em estratégias que combinam descriminalização do usuário, legalização controlada pelo Estado de uma droga menos nociva e desarticulação da cadeia comercial do narcotráfico. A legalização controlada pretende fornecer a custos reais cigarros de maconha para usuários cadastrados no programa governamental, residentes no país, cuidando para não haver uma exportação da droga sob controle.

O resultado esperado é uma diminuição da criminalidade e da violência; uma migração dos usuários da pasta-base de cocaína para a maconha produzida pelo Estado, interrompendo a cadeia comercial do narcotráfico; o oferecimento do tratamento a usuários que não precisam mais do esconderijo no gueto da ilegalidade; a possibilidade da discussão dos malefícios das drogas, onde as lícitas (álcool e cigarro) hoje oneram mais ao sistema de saúde.

O ministro da Defesa do Uruguai declarou à imprensa que “a proibição de certas drogas está criando mais problemas à sociedade que a própria droga”. Com relação à maconha, acrescentou: “É preciso eliminar esse veto à maconha, iniciado em 1971 por uma errônea decisão do presidente dos Estados Unidos, Nixon. Ele provocou todo esse desastre que vivemos, declarando uma guerra às drogas que foi ganha pelos narcotraficantes”.

É uma intenção que deverá ser reavaliada mais tarde. Mas sai das políticas proibicionistas repetitivas, onde a repressão confunde traficantes e usuários, com a agravante de um círculo vicioso: o usuário sempre acha o traficante, e a polícia quase sempre só prende o usuário. Drogas sempre existirão. É preciso políticas de convívio e não de extermínio às drogas. Isso nunca foi viável na história da humanidade.

Nada se copia, nem os sapatos do Pepe, nem seu programa de descriminalização das drogas. Mas as autoridades risonhas deveriam entender que a guerra às drogas fez chorar muitas famílias ao fazer um combate sistemático na criminalização da pobreza. As prisões estão cheias de usuários assemelhados indevidamente a traficantes. E se os pés desses governantes não estão sujos, as mãos podem estar. Não se lava as mãos à guerra às drogas. É preciso paz. É preciso uma política de descriminalização e, também, de atenção aos usuários na situação social, de trabalho, educação, moradia, lazer e saúde. Não deve ser uma política de “vencer” a droga, mas uma política de “ajudar” o usuário.

E, voltando à reunião do Mercosul, só tem sentido um crescimento econômico da região para uma maior aplicação em políticas públicas. O Estado não pode ser gerenciado como uma empresa que produz lucros e empresta dinheiro a outras empresas. Por ironia, o Brasil passou de devedor a credor do FMI. No Cone Sul, a educação está muito aquém do desenvolvimento, produzindo excluídos que são as maiores vítimas das drogas. Que a saúde pública precisa de mais recursos é visível nos corredores dos hospitais superlotados. O que o Estado produz em riquezas deve ser gasto para o bem-estar do povo. É para isso que governos são eleitos. Pena que estão fazendo a população esquecer. Os sapatos do Pepe talvez lembrem que os governantes devem ter os pés no chão.

*Psiquiatra, foi diretor do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. É um dos líderes do Movimento Antimanicomial

Fonte: https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/6/os-sapatos-de-pepe

Pepe Mujica e seu velho “fusca” – Foto: Internet

“Yo no soy pobre”

LA REPÚBLICA quiso conocer la opinión del Presidente sobre la nota que recientemente publicara el diario “ABC” de España titulada “Mujica, el presidente más pobre”. Al respecto dijo: “Yo no soy pobre, pobres son los que creen que yo soy pobre.Tengo pocas cosas, es cierto, las mínimas, pero sólo para poder ser rico”.

Pepe Mujica, presidente do Uruguai – Foto: Diario La República

“Quiero tener tiempo para dedicarlo a las cosas que me motivan. Y si tuviera muchas cosas tendría que ocuparme de atenderlas y no podría hacer lo que realmente me gusta. Esa es la verdadera libertad, la austeridad, el consumir poco.La casa pequeña, para poder dedicar el tiempo a lo que verdaderamente disfruto. Si no, tendría que tener una empleada y ya tendría una interventora dentro de la casa. Y si tengo muchas cosas me tengo que dedicar a cuidarlas para que no me las lleven. No, con tres piecitas me alcanza. Les pasamos la escoba entre la vieja y yo; y ya, se acabó. Entonces sí tenemos tiempo para lo que realmente nos entusiasma. No somos pobres”.

Fonte: http://www.diariolarepublica.net/2012/06/mujica-yo-no-soy-pobre/

Sinceramente, o que as une?

Ana Amélia quer Manuela na prefeitura de Porto Alegre.

Vale a pena ler o excelente (e irônico) texto do Juremir:

Ana Amélia e Manuela D’Ávila: aliança entre inimigos naturais?

(Blog do Juremir Machado da Silva em 17 de abril de 2012)

Ana Amélia Lemos e Manuela D’Ávila são mulheres inteligentes, modernas e avançadas.

Estão à frente de seus partidos.

Duplamente.

Lideram os seus partidos e andam cinco ou seis passos à frente do imaginário e da ideologia deles.

Ana Amélia decidiu apoiar Manuela para a prefeitura de Porto Alegre.

A base do PP, partido de ruralistas, apoio do regime militar de 1964, odeia o PCdoB.

E está contra a aliança.

Alguém imagina um ruralista votando em Manuela?

A base do PCdoB, embora minúscula, odeia o PP.

O PP, como Arena, comandou o massacre dos guerrilheiros do PCdoB no Araguaia.

Coisas do passado?

PP e PCdoB são partidos de extremos, partidos ideológicos.

O PCdoB tem boa parte da sua clientela entre jovens estudantes na primeira fase da atração ideológica pelo extremo.

O PP tem boa parte da sua clientela entre idosos na última fase da atração ideológica pelo extremo.

São inimigos naturais.

Estão falando em aliança programática.

Outra maneira de falar de aliança pragmática.

A reciprocidade é impossível.

Em 2014, quando Ana Amélia for candidata ao governo do RS, os militantes do PCdoB fugirão dela.

Ficarão com o PT.

Ana Amélia, que está sendo uma ótima senadora, poderá ter uma decepção: descobrir-se incapaz de transferir votos.

Os pepistas não a seguirão no apoio a Manuela.

O PP, para os militantes do PCdoB, é o partido da ditadura, dos torturadores, dos usurpadores do poder.

O PCdoB, para o PP puro e duro, é o partido dos guerrilheiros, dos terroristas, dos comunistas.

Ana Amélia e Manuela poderiam e deveriam estar em outro partido: um partido de centro.

Quem sabe o PMDB, se não fosse tão pouco ideológico, ou o PSB, se não fosse tão nude.

Manuela, noutro partido, perderia o charme da ideologia de contestação.

Ana Amélia, noutro partido, perderia o charme da ideologia de afirmação.

Estão reféns das estruturas arcaicas dos seus partidos, das quais dependem e às quais dão o sangue.

O PCdoB fala em ideologia a cada três frases.

O PP critica as ideologias, o que é uma forma de ideologia, a cada três frases.

Como juntá-los?

A ideologia não vale em nível municipal?

Só há ideologia do nível estadual para cima?

O gênero, mulheres na política, está acima da ideologia, política nas mulheres?

Os pepistas estão soltando fogo pelas ventas contra essa aliança antinatural.

Os militantes do PCdoB, por ser em benefício deles, estão levando na boa.

E se fosse o contrário?

Manuela apoiaria Ana Amélia para a prefeitura de Porto Alegre?

É verdade que, como relator do projeto de novo código florestal, Aldo Rebelo, do PCdoB, aderiu aos ruralistas.

Extremos podem atrair-se.

O PCdoB só é interessante se não puder realizar plenamente o seu ideário.

Se a ideologia do PCdoB emplacasse no Brasil iríamos ao comunismo.

Qual? Da Coreia do Norte? Da China? Um novo comunismo?

O PP só é interessante se não puder realizar plenamente o seu ideário.

Se a ideologia do PP emplacasse novamente no Brasil iríamos ao passado..

Ana Amélia e Manuela podem muito mais.

São muito mais.

Podem ser entendidas de outra maneira.

Prática: o PCdoB é da Manuela. O PP tem em Ana Amélia sua estrela.

Idealista: o comunismo da Manuela é só um ideal de justiça e igualdade. O conservadorismo da Ana Amélia é só um ideal de cautela e respeito aos produtores rurais e aos liberais pautados por uma visão de mundo de ordem e segurança.

Tudo aproxima Ana Amélia e Manuela.

Salvos os seus partidos.

Link para o texto original: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=2529