Felizmente, Porto Alegre resiste!

Vídeo: Fabrizio Arriens

Na quinta-feira, 19 de dezembro, entidades, ativistas sociais e ambientalistas tiveram que fazer pressão junto a vereadores para que a população seja ouvida, que aconteçam Audiências Públicas sobre o Plano Cicloviário e Parque do Gasômetro.

Especialmente sobre o Parque do Gasômetro a prefeitura municipal não aceita que seja votado o projeto prevendo o rebaixamento da Av. João Goulart. Sem o rebaixamento da via não haverá um Parque contínuo, apenas rebatizarão a área e com o trânsito pesado de veículos na via isso impede o acesso público de pedestres à Orla. Um verdadeiro absurdo!

Parque do Gasômetro - imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Parque do Gasômetro – imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Desde que foi descoberta a proposta da Região de Planejamento 1 (criação de um Parque unindo as praças Júlio Mesquita, Brigadeiro Sampaio e a área de orla junto a Usina do Gasômetro) e aproveitada entre outras propostas do então Movimento Viva Gasômetro, sempre foi defendida a criação de um Parque CONTÍNUO, sem uma pista de alta velocidade que impede o acesso de idosos, crianças e deficientes.

Ato em defesa do Parque da Harmonia na Praça do Aeromóvel em 17/12/2007 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Ato em defesa do Parque da Harmonia, na Praça do Aeromóvel, em 17/12/2007 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Atualmente a quase totalidade dos então integrantes do Viva Gasômetro desligou-se do tal movimento, restando apenas uma pessoa lá, pelo que percebe. Mesmo assim o Movimento Viva Gasômetro insiste em falar em nome da comunidade e participou de um chamado “GT do Parque do Gasômetro”, que inicialmente tinha como integrantes o MP/RS, IAB, AGAPAN, alguns representantes da prefeitura e poucos vereadores. Logo que ficou bem claro que IAB e AGAPAN defendiam um Parque de verdade – contínuo – com o rebaixamento da Av. João Goulart, tanto o IAB como a pioneira Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) não foram mais convidados para as reuniões. A Associação dos Moradores do Centro Histórico, também não participou dos encontros e a prefeitura e Câmara Municipal vendia a ideia que um “movimento”, atualmente de uma única integrante, representava os interesses da comunidade e ambientalistas.

Imagens do antigo Movimento Viva Gasômetro, então com vários integrantes na coordenação:

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No Sul 21:

Após pressões, prefeitura de Porto Alegre fará audiências sobre Parque Gasômetro e Plano Cicloviário

Débora Fogliatto

Previsto para ser votado nesta quinta-feira (19) pela Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto do Parque Gasômetro deve ir à audiência pública em fevereiro ou março de 2014. Após pressão dos movimentos sociais, os vereadores da base do governo concordaram com a retirada da proposta da pauta. Da mesma forma, será apreciado em audiência o projeto que retira a obrigação do investimento de 20% do arrecadado com multas de trânsito em ciclovias.

A vereadora Sofia Cavedon (PT), que havia proposto duas emendas ao projeto do Parque Gasômetro, explica que elas provavelmente não seriam apreciadas se houvesse votação, por falta de concordância com os vereadores do governo. A primeira proposta da vereadora se referia à integração das praças com a Orla através do rebaixamento da Av. Presidente João Goulart. Representantes do movimento que defende a criação do parque estiveram presentes na sessão e afirmaram que, sem o rebaixamento, a área pode ser transformada em uma pista de automobilismo. “O governo já disse que não dá acordo para colocar as emendas no projeto, e elas são fundamentais. É a luta do movimento ambientalista que defende que se rebaixe”, garante Sofia.

Ativistas pedem que não seja votado o projeto Parque do Gasômetro sem uma Audiência Pública e sem o rebaixamento da Av. João Goulart - Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Ativistas pedem que não seja votado o projeto Parque do Gasômetro sem uma Audiência Pública e sem o rebaixamento da Av. João Goulart – Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Durante as discussões com a prefeitura, a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) foi uma das entidades que se manifestou a favor do rebaixamento, proposto na emenda de Sofia. “A Agapan se posicionou a favor do rebaixamento da João Goulart na última reunião que participamos, depois quando as reuniões retornaram não fomos mais chamados”, afirmou o militante Cesar Cardia. Da mesma forma, a IAB também foi retirada do grupo de trabalho.

A outra emenda proposta pela vereadora se refere à realização de concursos públicos para a elaboração de projeto do corredor Parque Gasômetro. “Hoje ficou expresso pelos vereadores da base que eles não querem concurso público. Mas o mais importante não é a divergência, é a questão da possibilidade da população conhecer o projeto em detalhe”, esclarece Sofia. A vereadora já havia proposto na reunião de Mesa e Lideranças que fosse realizada uma audiência pública, mas na ocasião sua sugestão não foi acatada.

Maria Inês Chagas, do movimento “Quantas copas por uma copa?”, defende a criação do Parque e afirmou que o movimento pediu para o vereador Airto Ferronato (PSB), líder do governo na Câmara, o adiamento da votação. “Pedimos para o vereador que não fosse votado sem audiência pública. A intenção deles era passar sem as emendas”, explicou.

Ciclovias

Após discussões na reunião de Mesa e Lideranças, que terminou com os vereadores da oposição pedindo para que a discussão fosse levada ao plenário, os parlamentares decidiram pela realização de audiência pública a respeito do PLCE 010/2013. O projeto retira a obrigação de a prefeitura investir em ciclovias 20% do valor arrecadado com multas de trânsito. Na segunda-feira (16), os vereadores votaram de forma unânime pela não-votação do projeto durante a reunião. Hoje, no entanto, a proposta apareceu na lista de pautas.

Ciclistas e ativistas do Quantas Copas e Agapan fizeram pressão para que a população participe das discussões. - Foto: Leandro Grehs Leite/Facebook

Ciclistas e ativistas do “Quantas Copas” e AGAPAN fizeram pressão para que a população participe das discussões – Foto: Leandro Grehs Leite/Facebook

“Havíamos retirado da votação o projeto que mutila o plano cicloviário. E se retirou por unanimidade, porque independente dos péssimos méritos do projeto, a Câmara concordou com uma audiência pública”, esclareceu Fernanda Melchionna (PSOL) na plenária. Após discussões, os ciclistas que estiveram presentes na Câmara puderam comemorar a decisão de realizar audiência pública sobre o projeto. O líder do governo, Airto Ferronato (PSB), ao concordar com a realização da audiência, afirmou que “jamais o governo vem à Câmara impor o que entendemos como melhor caminho”.

Uma audiência pública já havia sido marcada a respeito do projeto, mas o governo municipal não mandou representantes. “O governo acha que tem o direito de não mandar representação para um projeto de sua autoria. Aceitar isso é aceitar a premissa da monarquia, do autoritarismo, de um governo que se comporta como uma criança mimada, que não aceita críticas”, criticou Melchionna. Segundo ela, o governo nunca explicou o motivo de propor a retirada do investimento.

Com as decisões, os dois projetos voltarão a ser discutidos em fevereiro, quando a Câmara retomar os trabalhos, e devem ser votados até março.

No Jornal do Comércio:

Parque do Gasômetro será votado somente em 2014

Entidades que discordam do projeto pressionaram para adiamento

Fernanda Nascimento

A votação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 20/2013, que institui o Parque do Gasômetro, foi adiada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, quinta-feira. A decisão aconteceu após integrantes de movimentos sociais contestarem o projeto e pedirem a realização de uma audiência pública para discutir o tema. A perspectiva é de que o diálogo com a população aconteça depois do Carnaval, no início de março.

O projeto prevê que o parque terá como limites as praças Brigadeiro Sampaio, Júlio Mesquita e a área que atualmente é de propriedade da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), entre a rua Washington Luiz e a avenida João Goulart, em frente à Câmara. A matéria chegou ao Legislativo dez meses após o corte das árvores do entorno da Usina do Gasômetro, que gerou uma tensão entre a prefeitura e os movimentos ambientais. O Parque do Gasômetro estava previsto na revisão do Plano Diretor sancionada em 2010, mas a legislação específica que deveria delimitar o local em 18 meses não havia chegado ao Legislativo.

Depois de o Ministério Público ingressar com uma ação e conseguir uma liminar impedindo o corte de oito árvores previstas para retirada da praça Júlio Mesquita, o Executivo começou a negociação com a Justiça e os movimentos sociais para delimitar a área. Mas a proposta apresentada não contemplou a todos.

Nas galerias a ação dos ativistas junto aos vereadores - Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Nas galerias a ação dos ativistas junto aos vereadores – Foto: Ederson-Nunes/CMPA

A principal reivindicação dos manifestantes presentes na sessão é para que no projeto conste a previsão de rebaixamento na avenida João Goulart, próximo à praça Júlio Mesquita, interligando o Parque do Gasômetro à orla do Guaíba.

Foi fundamental a presença dos ativistas - Foto: Antonio Paz/JC

Foi fundamental a presença dos ativistas – Foto: Antonio Paz/JC

O pedido foi realizado pela vereadora Sofia Cavedon (PT), em uma das três emendas que o projeto recebeu, mas a orientação do governo municipal é de rejeitar a sugestão.

“O projeto que trata da acessibilidade do parque de forma subterrânea custa em torno de R$ 80 milhões, e o Executivo não tem estes recursos. Também existe a possibilidade de ter um parque arqueológico no local, além da questão do lençol freático. Não podemos correr o risco de aprovar algo impossível”, disse o líder do governo, Airto Ferronato (PSB).

Mas, para o integrante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) Cesar Cardia, a passagem subterrânea é um item imprescindível para o projeto. “Isso não é um parque, é apenas trocar os nomes das praças por parque e deixar uma via expressa no meio”, criticou.

As outras emendas também estão na pauta de reivindicação dos manifestantes e, da mesma forma, deverão ser rejeitadas pela base do governo. Uma delas é de autoria do vereador Professor Garcia (PMDB), que requer o impedimento do uso da praça Júlio Mesquita como estacionamento – ao contrário do que prevê o projeto de revitalização da Orla do Guaíba, realizado pelo arquiteto Jaime Lerner, após contratação da prefeitura. A outra proposta é de Sofia e pede a realização de concurso público para a revitalização da praça.

“O governo enxerga com simpatia as duas. Mas este projeto trata da delimitação, então por isso o indicativo de rejeição”, disse Ferronato. Para Sofia, o adiamento é a oportunidade de a população conhecer o projeto e discutir as propostas e emendas, acrescentando novas sugestões. “As emendas são centrais, todo o movimento ambientalista quer o rebaixamento, a integração das praças e o concurso. Nossa defesa é pela maior democracia”, disse a petista.

A única entidade que manifestou contrariedade com o adiamento foi o Viva Gasômetro. Para a presidente da associação, Jacqueline Sanchotene, o adiamento foi uma “derrota para a população mais pobre, que utiliza o parque”. “Ano que vem é eleitoral, tem Copa do Mundo, e isso vai se prolongar. Quem perdeu foi a população de mais baixa renda. Faz sete anos que estou nesta causa e a minha posição é de que deveríamos ter garantido o parque”, afirmou.

Leia:

Isso é coisa de meia dúzia?

Porto Alegre em 1913

Vista panorâmica de Porto Alegre em 1913

Vista panorâmica de Porto Alegre em 1913

PORTO ALEGRE (em 1913)

“Como acontece com tantas outras cidades brasileiras, o primeiro golpe de vista que o recém-chegado obtém de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, desperta uma duradoura impressão de beleza quase incomparável. A cidade está num anfiteatro natural, como uma jóia em escrínio das mais encantadoras belezas naturais; e ao redor uma centena de colinas erguem os seus cumes para as nuvens.

Área portuária de Porto Alegre em 1913

Área portuária de Porto Alegre em 1913

De todos os lados o sol rebrilha nas águas dos rios circundantes. Ano Norte, é o município limitado pelos rios Jacuí e Gravataí; ao Sul, pelo Ribeiro Araçá; a Leste, pelo Feijó, Taquara e Chico Barcellos; e ao Oeste, pelo Grande e pelos Ratos.

Rua dos Andradas, conhecida como Rua da Praia, em 1913

Rua dos Andradas, conhecida como Rua da Praia, em 1913

A um lado da cidade, corre o Guaíba, cujas plácidas águas são sulcadas por toda a sorte de embarcações, desde as pequenas canoas até os navios de alto mar; e ao seu estuário afluem numerosos ribeiros que atravessam o município em todas as direções.

O projeto para o novo Palácio Presidencial, Palácio Piratini, em 1913

O projeto para o novo Palácio Presidencial, Palácio Piratini, em 1913

A cidade foi fundada no ano de 1742; e os primeiros habitantes, segundo os documentos existentes, consistiam em 60 casais com suas famílias, cerca de 400 almas ao todo, imigrantes vindos dos Açores. Foi essa circunstância a causa de ser a povoação conhecida, por mais de 30 anos, como Porto dos Casais.

Mercado Público em 1913

Mercado Público em 1913

Em 1773, porém, foi a aldeia elevada à dignidade de paróquia, com o nome de Porto Alegre, e também se tornou sede do governo, o qual até então tinha estado estabelecido em Viamão. Foi só em 1810 que o desenvolvimento da paróquia lhe permitiu ser agraciada com o título de vila; e 12 anos depois, foi elevada a cidade, por decreto imperial, e gozou daí em diante de todos os direitos civis e privilégios. Desde o tempo da fundação da cidade, com 400 indivíduos, em1742, não se encontram esclarecimentos quanto ao crescimento da população até 1780, data em que a população foi avaliada em 1.500 habitantes; nada que se assemelhe a um recenseamento parece ter sido feito até 1803, quando se verificou que o número de habitantes era de 3.927, excluindo a guarnição militar e as crianças de menos de 12 meses.

O Palácio da Municipalidade (prefeitura) em 1913

O Palácio da Municipalidade (prefeitura) em 1913

A emancipação política resultante da declaração da independência, em 1822, e o pronunciado movimento emigratório que começou em 1824, imprimiram tão rápido aumento à população de Porto Alegre, que o naturalista Arséne Isabelle, quando visitou a cidade em 1834, calculou o número de seus habitantes em 15.000. Um período de guerra civil, que se prolongou de 1835 a 1845, retardou consideravelmente o, até então, contínuo desenvolvimento; uma vez, porém, passado esse período, o crescimento tem sido constante e rápido e por ocasião da proclamação da República, em 1889, verificou-se ser a população de 50.000 almas. Em 1890, segundo o recenseamento municipal, a população tinha se elevado a 52.186; em 1900, a 73.274; em 1910, a 130.227, dos quais 64.364 homens e 65.863 mulheres.”

O Colégio Militar de Porto Alegre, encravado no "Campo da Redenção" (Parque Farroupilha) em 1913

O Colégio Militar de Porto Alegre, encravado no “Campo da Redenção” (Parque Farroupilha) em 1913

Reservatório Público de Água de Porto Alegre em 1913

Reservatório Público de Água de Porto Alegre em 1913

(“Impressões do Brazil no Seculo Vinte”, editada em 1913 e impressa na Inglaterra por Lloyd’s Greater Britain Publishing Company, Ltd, com 1.080 páginas)

Impressões do Brasil - Rio Grande - 1913

ONU destaca árvores da Rua Gonçalo de Carvalho

Rua Gonçalo de Carvalho em publicação da ONU

O Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), das Nações Unidas, em Montreal, Canadá, é uma das Convenções que surgiu durante a Rio 92 e trabalha para que os países implementem medidas de conservação e uso sustentável da biodiversidade, bem como a repartição justa e equitativa dos recursos provenientes desses recursos naturais.

Dentro da CDB existe um programa de trabalho que se chama “Autoridades Locais e Biodiversidade”, o qual se encarrega da implementação da CDB a nível de cidades. Em julho de 2012 fomos contatados por e-mail, comunicando que seria colocado um destaque para a Rua Gonçalo de Carvalho em uma publicação que objetiva analisar os impactos da urbanização sobre a biodiversidade. O título da publicação é “Cities and Biodiversity Outlook” (CBO), na ocasião elogiaram a luta pela preservação das árvores e solicitaram imagens sobre a Gonçalo de Carvalho e suas árvores.

Em outubro de 2012 o trabalho foi finalizado, mas apenas agora estamos tratando dessa importante publicação, apesar de vivermos em nossa cidade um verdadeiro clima de terror pelos cortes de árvores efetuados na região do Gasômetro (Centro Histórico) e outros já programados por nosso executivo municipal.

Na página 24 da publicação Cities and Bioversity Outlook, o exemplo das árvores e dos que lutaram por sua preservação. Devem ficar muito surpresos ao tomarem conhecimento do ocorrido neste ano com as árvores de Porto Alegre, especialmente no dia 29 de maio de 2013.

Na página 24 da publicação Cities and Bioversity Outlook,
o exemplo das árvores e dos que lutaram por sua preservação.
Devem ficar muito surpresos ao tomarem conhecimento do ocorrido neste ano
com as árvores de Porto Alegre, especialmente no dia 29 de maio de 2013.

Este é o texto publicado no “Cities and Biodiversity Outlook” (CBO):

Figure 2.3. Rua Gonçalo de Carvalho in Porto Algre, Brazil, is a stunning example of a natural urban ecolink. When this tree-lined street was threatened by development, local residents and environmental groups mobilized to protect it. In June 2012, Porto Alegre passed a law protecting this and more than 70 other “green tunnels” in the city. Although the trees occasionally cause power outages when it rains (because electrical wires pass through the canopy), residents value the many benefits they provide. In addition to serving as an ecolink, the trees help reduce the urban heat island effect, improve air quality, minimize the impact of rain and flooding, and increase property values.

Cities and Biodiversity Outlook- Action and Policy

Author(s): Elmqist, T.

In: UN Secretariat of the Convention of Biological Diversity

Year: 2012

Type: Policy brief or report

Theme affiliation: Urban social-ecological systems.

Link to centre authors: Elmqvist, Thomas.

Full reference: Elmqvist, T. 2012. Cities and Biodiversity Outlook- Action and Policy. UN Secretariat of the Convention of Biological Diversity, Montreal, CAN, 66pp

Página do Convention on Biological Diversity: http://www.cbd.int/
Página do Blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho que fala do contato mantido em julho de 2012: http://goncalodecarvalho.blogspot.com.br/2012/07/secretariado-da-convencao-sobre.html

O exemplo do Gasômetro

"Quantas COPAS, por uma copa?" - Movimento que surgiu no Facebook - resiste aos cortes de árvores em Porto Alegre.

“Quantas COPAS, por uma copa?” – Movimento que surgiu no Facebook – resiste aos cortes de árvores em Porto Alegre.

Do Blog da AGAPAN:

O exemplo do Gasômetro

Dia 6 de fevereiro de 2013 – 14h48min – jovens impedem o corte de árvores
Foto: Cesar Cardia/AGAPAN

O gigante desafio de lutar contra a especulação imobiliária e a tecnocracia.

A AGAPAN tem se esforçado para representar a inquietude das pessoas que amam Porto Alegre e se preocupam com no que ela está se transformando.

O exemplo do Gasômetro é extremamente didático porque a prefeitura não cumpriu a legislação de Impacto Ambiental, que manda que sejam feitos estudos comparativos de alternativas locacionais e tecnológicas para resolver o problema em questão, que é a saída de automóveis do centro da cidade em direção à Zona Sul. No caso da Av. João Goulart, que atravessa o Parque do Gasômetro, onde foram cortadas as árvores que geraram os protestos, trata-se de mais do que uma avenida, é uma ruptura num parque onde milhares de pessoas atravessam diariamente com seus filhos, carrinhos e tudo o mais que se leva a um parque, e que a prefeitura quer duplicar, duplicando com isto a ruptura e o risco.

Não há muito que se possa afirmar sobre a importância da obra, já que a prefeitura ainda não fez os estudos que devem comparar as alternativas com a alternativa de não fazer a obra e, somente então, poderemos saber qual é a alternativa melhor para a cidade, e se é realmente necessário esse gasto enorme para destruir um dos locais mais importantes de lazer da cidade.

O que não é dito é que os ambientalistas lutam por uma mobilidade urbana melhor para todos, que nos países ricos as cidades estão transformando avenidas centrais em parques e o trânsito funciona perfeitamente, que é possível elevar ou enterrar a pista para permitir que o parque não seja dividido, que somente usando as duas mãos para saída do centro e entrando no centro por outro ponto o problema poderia ser resolvido sem gastos e destruição.

Av. João Goulart, dia 6 de fevereiro – Foto: Cesar Cardia/AGAPAN

As árvores são a ponta de um gigantesco iceberg, que é a qualidade de vida de nossa cidade, que está sendo derretida pelos interesses especulativos de poucos.

O cidadão tem que deixar de ser levado por posicionamentos e campanhas demagógicas e entender que todos temos os mesmos interesses de qualidade de vida, só precisamos coordená-los de forma amorosa, para que nossa cidade se torne um paraíso para a vida. Talvez, só fiquem de fora os especuladores e seus amigos…

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel – Cesar Cardia/AGAPAN
7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel – Cesar Cardia/AGAPAN
7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel – Cesar Cardia/AGAPAN
7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel – Cesar Cardia/AGAPAN
7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel – Cesar Cardia/AGAPAN

Prefeitura tenta pressionar o Poder Judiciário, através da mídia.

Como o governo pode dizer que não tem “Plano B”?

Isso é um reconhecimento que não fez nenhum estudo alternativo! Preguiça ou incompetência?

Jornal Zero Hora de hoje:

Chamada de capa no jornal ZH

Chamada de capa no jornal ZH

Matéria de página dupla, onde se lê SEM PLANO B

Matéria de página dupla, onde se lê “SEM PLANO B”

Para seu filho NÃO LER!

Para seu filho NÃO LER!

Manifesto da AGAPAN aos cidadãos de Porto Alegre

Manifesto que está circulando na internet

Manifesto que está circulando na internet

A AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, pioneira na luta ambiental, revive seus momentos de glória na defesa dos direitos coletivos para que todos tenhamos uma cidade mais humana e solidária para se viver.

6 de fevereiro de 2013 – jovens impedem a derrubada de árvores em Porto Alegre

Nos últimos tempos, foram muitas as manifestações e movimentos que agitaram as ruas e os bastidores da política municipal, que apreensiva, insiste em passar por cima dos direitos das pessoas de serem ouvidas e de terem garantido seu acesso a espaços públicos, como a hoje tão disputada Orla do Guaíba.
Já vimos esse filme de desrespeito às leis e às pessoas e hoje as reivindicações despertam em todos nós sentimentos cívicos de solidariedade, esperança e de autoconfiança.

Dayrell – fevereiro de 1975

Como ambientalistas e defensores da vida, sentimos renovadas nossas esperanças ao acompanharmos a renovação do gesto exemplar do então estudante e membro da AGAPAN Carlos Alberto Dayrell, em 25 de fevereiro de 1975, que subiu em uma árvore tipuana, na avenida João Pessoa, impedindo seu corte para dar lugar à construção do Viaduto Imperatriz Leopoldina, defronte à Faculdade de Direito da Ufrgs. Outro momento inesquecível na história de Porto Alegre foi em agosto de 1988, quando militantes da AGAPAN subiram até o topo da chaminé da Usina do Gasômetro e colocaram uma faixa de 40 metros de comprimento com os dizeres “NÃO AO PROJETO PRAIA DO GUAÍBA – AGAPAN”. O objetivo da manifestação foi conclamar a população a comparecer na Câmara de Vereadores e impedir a votação do Projeto, cuja aprovação transformaria a Orla do Guaíba, privatizando o mais valioso patrimônio público de Porto Alegre, entregando-o à sanha da especulação imobiliária. Mas, como dizia José Lutzenberger, “nossas derrotas são permanentes e nossas vitórias, temporárias”. Isso significa que os 72 km de Orla do Guaíba continuam ameaçados e até hoje não foi privatizada pela permanente mobilização da sociedade civil.

Agosto de 1988 – a subida na Chaminé da Usina do Gasômetro

A luta continua.
A AGAPAN considera que a dimensão política do movimento ecológico vai além de ideologias partidárias. As vitórias que obtivemos em quatro décadas não teriam acontecido sem a participação inteligente, criativa e generosa dos estudantes e de todos os militantes que fazem parte da AGAPAN. Neste momento de glória, em que o movimento estudantil e os cidadãos ressurgem com força e vigor, saudamos e nos colocamos como personagens e protagonistas de mais essa luta. Ao comemorar 42 anos, a AGAPAN continua lutando para preservar a Orla do Guaíba como patrimônio publico e sempre à disposição do bem-estar coletivo da sociedade.

Saudações ecológicas da AGAPAN!

Porto Alegre, abril de 2013.

Isso é coisa de meia dúzia?

Uma cidade melhor não se faz apenas com obras. Se faz, acima de tudo, com mais diálogo e união entre as pessoas.

Cartão de Boas Festas do prefeito

Cartão de Boas Festas do prefeito

O texto acima não foi criação de nenhum manifestante que compareceu na reunião da COSMAM, foi apenas a leitura do cartão de Boas Festas do prefeito municipal José Fortunati, postado em seu Blog em dezembro de 2012. Curiosamente a foto do cartão mostrava também as árvores já derrubadas e outras que estão marcadas para serem cortadas.

Que tipo de diálogo o prefeito quer? O que ele entende por diálogo?

Este verdadeiro “arboricídio” projetado foi discutido com a população da cidade que, em sua grande maioria, adora suas árvores? Por que foi feito em silêncio, nas vésperas do Carnaval, com muita gente já fugindo do calor em direção às praias? Por sorte alguns jovens escutaram o barulho das motosserras e subindo nas árvores impediram a continuidade dos cortes. Mensagens de celulares e as redes sociais alertaram pessoas que foram ao local e depois dialogaram com vereadores na Cãmara Municipal.

Na Câmara dois representantes da SMAM e até alguns vereadores ficaram surpresos quando foi dito que, além da estupidez dos cortes de árvores, havia um gravame no Plano Diretor da cidade destinando aquela área para a formação do Parque do Gasômetro. Posteriormente, na reunião da COSMAM, os secretários presentes para “justificar” a ação predatória contra as árvores do Gasômetro nada falaram sobre o futuro Parque do Gasômetro, como se tivessem desconhecimento do Plano Diretor da cidade.

José Fortunati é tido como pessoa de opiniões firmes mas que nunca se furta de dialogar, mesmo que seja extremamente difícil alterar sua posição já tomada, por mais diálogo que exista. Se o prefeito deseja mais diálogo, poderia começar dialogando com seus secretários, alguns estão fazendo de tudo para estragar sua imagem política.

Poderia iniciar explicando a seus secretários, especialmente o da SMAM, que a população de Porto Alegre ama suas árvores e o Meio Ambiente, tanto que o Rio Grande do Sul é o berço do Movimento Ambientalista na América Latina. Precisa exemplificar? Basta lembrar as lutas dos pioneiros Balduíno Rambo, Henrique Roessler, José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Hilda Zimmermann, Giselda Castro, Magda Renner, Flavio Lewgoy, o surgimento da pioneira AGAPAN em 1971 e a criação da SMAM (atualmente com prestígio tão abalado) – primeira secretaria de Meio Ambiente no Brasil –  pelo prefeito Villela em 1976.

Matéria na revista Veja em 5 de março de 1975 - reprodução arquivo Gonçalo de Carvalho (clique na imagem para ler a matéria)

Matéria na revista Veja em 5 de março de 1975 – reprodução arquivo Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho (clique na imagem para ler a matéria)

O prefeito Fortunati também poderia ensinar a seus secretários que em fevereiro de 1975 um estudante, como os que agora impediram o corte das árvores no dia 6, subiu em uma tipuana que seria removida para a construção de um viaduto na Av. João Pessoa. Seu ato pioneiro impediu o corte da árvore, alterou o projeto do viaduto e hoje tem seu nome em uma placa no muro da UFRGS, em frente da árvore que ainda existe lá. Era época da ditadura e Carlos Alberto Dayrell e dois colegas que depois o seguiram na subida da árvore foram tratados como “subversivos” tendo recebido um “corretivo” na base de cacetetes. Explique a seus secretários que assim que foi noticiada a subida na árvore do Dayrell isso levou centenas de pessoas que foram apoiar seu gesto, algumas levando safanões e ameaças de mordidas dos cães da polícia, mesmo assim não arredaram pé dali até que se soube que o prefeito cancelara o corte e que os estudantes foram liberados do DOPS, graças ao Lutzenberger e ao advogado Caio Lustosa.

Av. João Goulart atualmente - imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Av. João Goulart atualmente – imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Parque do Gasômetro - imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Parque do Gasômetro – imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Também deveria explicar, prefeito Fortunati, que o tal “Parque do Gasômetro” não é invenção dos ambientalistas e moradores do entorno neste momento de protestos para salvarem as árvores. Isso é coisa mais antiga. Como foi explicado ao senhor em 2007, que na época era secretário de Planejamento, numa visita de dois integrantes do recém criado Movimento Viva Gasômetro a seu gabinete. O senhor foi muito atencioso e mostrou interesse no que foi apresentado, chegando a elogiar muito as propostas comunitárias apresentadas que não eram restritas ao Centro da cidade.

Captura de tela da postagem do Blog do Movimento em 25 de junho de 2007. O "post" atualmente está inacessível pois as postagens antigas foram retiradas pela atual coordenação do Movimento.

Captura de tela da postagem do Blog do Movimento em 25 de junho de 2007. O “post” atualmente está inacessível pois as postagens antigas foram retiradas pela atual coordenação do Movimento.

Os integrantes do Movimento Jacqueline Sanchotene e Cesar Cardia (este também integrante do Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho e sócio benemérito da AMABI) na reunião com o secretário de Planejamento José Fortunati em 25 de junho de 2007.

Os integrantes do Movimento Viva Gasômetro, Jacqueline Sanchotene e Cesar Cardia (este também integrante do Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho e sócio benemérito da AMABI) na reunião com o secretário de Planejamento José Fortunati em 25 de junho de 2007.

Quando foi visitado em 2007, o atual prefeito soube que a criação do Parque do Gasômetro, ligaria a Praça do Aeromóvel (Julio Mesquita) com a Usina do Gasômetro e a Praça Brigadeiro Sampaio com o rebaixamento da Av. João Goulart. Soube também que o projeto original era do conselheiro da RGP1 (na ápoca), arquiteto Rogério Dal Molin. Na revisão do Plano Diretor da cidade a criação do Parque do Gasômetro foi apresentado pelo vereador Comasseto e APROVADO pelo plenário da Câmara Municipal. Logo, o alargamento da via com derrubada de árvores está CONTRA o Plano Diretor da cidade de Porto Alegre, pois ali será o PARQUE, a via será rebaixada, deverá passar por baixo do Parque.

Os Movimentos Sociais sempre querem o diálogo com o executivo municipal, mas a nossa realidade é outra. O executivo divulga querer dialogar mas se furta disso, quer apenas impor sua vontade, sem diálogos, sem ouvir as opiniões contrárias, mesmo que ao arrepio da LEI.

Cesar Cardia

Ex-integrante do Movimento Viva Gasômetro

Ex-conselheiro da RP1 junto ao CMDUA (2010/2011)

Integrante do Movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho desde 2005

Sócio benemérito da AMABI – Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência

Ex-participante do Fórum de Entidades para a Revisão do Plano Diretor de Porto Alegre

Reunião na COSMAM - Foto: Desirée Ferreira/CMPA

Reunião na COSMAM – Foto: Desirée Ferreira/CMPA

Trecho da matéria publicada no Jornal do Comércio (15/2/2013):

Manifestantes pediram saída de secretário

A resposta à afirmação do prefeito José Fortunati (PDT), de que “as pessoas não usam estas árvores”, ecoou no Plenário Ana Terra, quando, logo no início da reunião da comissão, alguém exclamou: “Quem respira, usa árvore!” A contestação deu a tônica da reunião da Cosmam.

Em meio aos impasses, os grupos presentes articularam um abaixo-assinado pedindo a saída de Záchia da pasta. Segundo a integrante estadual do grupo Os Verdes Eliane Carmanim Lima, o pedido já está sendo divulgado nas redes sociais. “Isso é coisa de meia dúzia e eu respeito a opinião de todos”, rebateu Záchia. A reunião foi encerrada com gritos de “Queremos árvores” e “Fora Záchia!”.

Origem do texto: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=116398

Manifestantes contra o corte de árvores na COSMAM - Foto: Desirée Ferreira/CMPA

Manifestantes contra o corte de árvores na COSMAM – Foto: Desirée Ferreira/CMPA

A melhor frase do dia foi de uma manifestante que disse ao secretário do Meio Ambiente:

“já que não defendes o Meio Ambiente, RENUNCIA! Até o papa já renunciou, qual o problema?”

(Reunião na COSMAM -Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal – no dia 14 de fevereiro de 2013)

Ambientalistas e moradores reprovam a ação da prefeitura na reunião da COSMAM - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua gonçalo de Carvalho

Ambientalistas e moradores reprovam a ação da prefeitura na reunião da COSMAM – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho