Porto Alegre em 1834, segundo Arsène Isabelle

Porto Alegre em 1834, segundo Arsène Isabelle

Em 26 de março de 2017, a cidade de Porto Alegre completa 245 anos.

O texto abaixo foi retirado do livro Voyage à Buénos Ayres et à Porto Alegre, par la Banda Oriental de 1830 a 1834 de Arsène Isabelle, com tradução de Teodemiro Tostes.

Arsène Isabelle (Le Havre, 30 de março de 1806 – Le Havre, 13 de janeiro de 1879 ) foi um comerciante, diplomata, jornalista e naturalista francês. Chegou ao Uruguai em 1830 e logo iniciou uma viagem através da Argentina, Brasil e Uruguai, entre 1830 e 1834. Já em 1835 publicou o livro que trata dessa viagem. No capítulo sobre Porto Alegre (Arsène chegou em Porto Alegre em 20 de março de 1834, vésperas da Revolução Farroupilha que criou a República de Piratini de 1835 a 1845) ele faz um excelente relato da jovem cidade (60 anos) que encontrou com alguns elogios e críticas, em especial sobre a escravidão.

PORTO ALEGRE
(Capítulo XVIII – do livro “Voyage à Buénos Ayres et à Porto Alegre, par la Banda Oriental de 1830 a 1834”) 

  
Eis-nos transportados à pequena capital de uma grande província do Brasil, a duas mil léguas mais ou menos do centro ardente da civilização. As luzes só chegam a nós por reflexão. Satélites oficiais encarregam-se do cuidado de distribuí-las, tão equitativamente quanto a sua inteligência lhes permite. Vede que céu e que sítios! É o céu da Itália! São os sítios e a vegetação da Provença! Estamos em Porto Alegre! Humanizemo-nos, tratemos de descrever vulgarmente o pitoresco de uma cidade do Brasil, cujo nome, certamente feliz, está, entretanto, longe de dar uma idéia dela.
Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata se de um equivoco do autor, a paisagem/panorama é de Porto Alegre (1827). No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual rua Voluntários da Pátria).

Na extremidade de uma colina que vem do leste, sob o 30º paralelo de latitude austral e o 54º grau de longitude ocidental do meridiano de Paris, eleva-se em anfiteatro, sobre uma inclinação de mais ou menos sessenta metros, a bela cidadezinha de Porto Alegre, cujos tetos cor-de-rosa, um pouco elevados e salientes, destacam-se admiravelmente coroando casas brancas ou amarelas, de uma arquitetura simples e graciosa.

Vista Geral da cidade de Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul
E. Wiedmann – Litogravura, s.d. – Fundação Biblioteca Nacional

Cinco rios, que trazem o tributo de suas águas fecundas e se reúnem ali para formar o rio Grande do Sul, apresentam, diante da cidade, uma vasta bacia semeada de numerosas ilhas, muito arborizadas e cheias de habitações campestres. Atrás da cidade, ou da colina, à distância de uma légua, uma pequena cadeia de montes de uns duzentos metros de altura, descreve um semicírculo e dirige-se ao sul, margeando o rio, de um modo desigual, por espaço de oito a nove léguas. Entre esses montes e a cidade, estende-se uma planície baixa, unida, de três a quatro léguas de circuito, fechada entre as montanhas do sul, as colinas do leste e do norte, e o rio Grande, a oeste, o qual, orgulhoso do volume de suas águas, dirige, majestosamente, seu curso para o sul, através de rochas de conglomerados, e vai formar a lagoa dos Patos de que falarei mais adiante.

Herrmann Wendroth – Porto Alegre vista do alto da Misericórdia em direção ao sul, c. 1852

Na verdade, Porto Alegre encontra-se no meio de duas grandes baías, separadas pela colina sobre a qual está situada: uma ao norte, que forma a enseada e o porto, e outra ao sul, abandonada em parte pelas águas, e formando já uma espécie de cidade baixa, enfeitada de jardins, de praias, de usinas, etc. Seria, como se vê, muito fácil fazer de Porto Alegre uma ilha, cortando-se a colina a leste e abrindo-se um canal de junção com o arroio que serpenteia na planície.

Herrmann Wendroth – Porto Alegre vista do sul, 1852

Quereis gozar um espetáculo que não é muito comum, mesmo na Grande Ópera? Subi ao ponto mais elevado da colina, onde está a praça principal e tereis, abaixo de vós, ao norte (que, como sabeis, é o meio-dia do hemisfério austral) a cidade que se estende em taludes; a enseada coberta de navios; as ilhas e o curso sinuoso dos cinco rios que se alonga exatamente como uma mão aberta, de dedos afastados; depois as casas de campo orlando em semicírculo a margem sombreada da baía; os vales arborizados que se prolongam paralelamente às colinas do nordeste; a Vargem, ou a planície que fica atrás da cidade, com seus jardins, seus laranjais, suas bananeiras, palmeiras, cactos, tudo cercado de moitas espessas, quase sempre cobertas de mimosas amarelas, vermelhas, violetas ou brancas e, por fim, mais além da planície do sul, repousando agradavelmente a vista, lindas casas de campo (quintas, chácaras ou fazendas) bem construídas e situadas pitorescamente na inclinação dos morros.

Herrmann Wendroth – Porto Alegre vista do Rio Guaíba, c. 1852

Se escolherdes, para gozar esse quadro delicioso, um dos belos dias tão comuns a essa soberba zona, um tempo calmo, à hora em que Zéfiro faz a sesta, o momento em que o rio toma a aparência de um imenso espelho, tereis diante de vós um panorama dos mais pitorescos e animados. Tudo aquilo que vistes dobra-se em reflexos: as ilhas e os seus rebanhos, as casas e a sua vegetação de zona tórrida, os navios à vela e uma quantidade de elegantes gôndolas, enfeitadas de cores vivas e sulcando os cinco confluentes. Enfim, dirigindo os olhos para o horizonte, na direção norte, vereis (se não fordes míope), à distância de quinze léguas, a cadeia de montanhas da serra Grande, velada em parte, femininamente, por uma atmosfera vaporosa, como para irritar nossa curiosidade.

Porto Alegre era uma pequena Vila, se comparada a Buenos Aires de 1830.
Imagem de Buenos Aires no livro de Arsène Isabelle.

Sabei que não se goza, apenas, uma vista agradável em Porto Alegre; goza-se, também, uma boa saúde, e não há clima que mais convenha aos europeus do que o seu. Não se sentem os calores sufocantes da praia do Rio de Janeiro, nem as polvaredas e as noites frias de Buenos Aires: é um ar temperado, embalsamado, puro e saudável. Basta dizer-se que os médicos não fazem fortuna ali, e que os próprios farmacêuticos se vêem obrigados a transformar-se em perfumistas.

Herrmann Wendroth – Porto Alegre em 1852 – Praça da Matriz em dia de procissão,
com a antiga Igreja Matriz e o primeiro palácio do governo ao lado.

Já disse que os edifícios, ainda que de uma arquitetura simples, não eram desprovidos de elegância. Isto se aplica às casas de construção nova. Feitas de tijolos e de pedra de cantaria, são geralmente de um só andar, mas muito elevadas, de uma forma quase sempre quadrada, com um grande número de janelas no sobrado e portas no rés-do-chão. Estas,cuja altura é de quinze a dezoito pés, são estreitas e multiplicadas; as janelas têm, também, bastante altura, são geralmente duplas, com dois batentes, arqueadas, e com grandes vidraças cortadas diferentemente em losango, quadrado, hexágono ou octógono. Um balcão de ferro recortado, às vezes dourado, ocupa toda a fachada, e alguns arcos leves estão nele colocados, de distância em distância, para sustentar, na época do calor, um toldo bordado. O teto, coberto de telhas redondas, avança, erguendo-se, à maneira dos telhados chineses, numa cornija bem trabalhada. Esta parte saliente do teto está pintada de vermelho e ressalta, admiravelmente, sobre a moldura da cornija pintada de branco.

Aquarela de Debret, 1825 – Homem do Rio Grande e o trabalhador do campo, o Gaúcho.

As casas de construção antiga são baixas, guarnecidas de janelas corrediças e portas com gelosias; mas, desde que dom Pedro I fez derrubar, num dia de mau humor, todas as rótulas do Rio de Janeiro, vão desaparecendo, também, pouco a pouco, nas outras cidades do Império.

Nada mais desagradável de ver do que essas rótulas, espécie de porta ou sacada com clarabóia, fazendo as vezes de gelosia. Imaginai uma longa rua guarnecida de rótulas, em cada lado, que servem de trincheira, de parapeito de galeria e de guarda-sol a umas caras bonitas (ou que a gente supõe bonitas), que se distraem a zombar de quem passa, escondendo-se para evitarem um olhar de admiração ou de desprezo!

Rua da Praia (Rua dos Andradas) em 1860

O forasteiro sente-se só nessa rua, porque não pode, de maneira alguma, apesar do seu alto grau de filantropia, sentir-se em sociedade no meio de negros embrutecidos, que circulam misturados com os bodes e cabras de que as ruas estão cheias. Ele se sente, portanto, só consigo mesmo, vendo em torno tantas barricadas. Mas, infelizmente, não é assim: no momento em que segue mais descuidado, uma imensa rótula se abre para deixar passar uma risada estúpida, e fecha-se de novo, rapidamente, como se sofresse de uma doença contagiosa. E não adianta zangar-se nem vociferar, porque o baço se manifesta facilmente nesse ditoso clima… O melhor é passar depressa e contentar-se em maldizer, secretamente, a barbárie dos portugueses, que, encerrando as suas mulheres nessa espécie de haréns, as tornam tão ignorantes, tão ridículas, que a simples vista de um estrangeiro é para elas uma fantasmagoria, uma sombrinha chinesa. Entretanto, era esse o aspecto do Rio de Janeiro, antes da chegada de dom Pedro, e é ainda o de uma infinidade de pequenas cidades do interior.

Esquina das ruas Vigário José  Inácio com General Vitorino – Luiz Terragno, 1860

É preciso dizer que, em Porto Alegre, o viajante já está menos exposto a essas surpresas desagradáveis, apesar de os portugueses e brasileiros não serem, ali, menos ciumentos do que no Rio, na Bahia, em Pernambuco ou em outros lugares. Apenas, seu ciúme não se manifesta de uma maneira tão chocante. A vizinhança dos castelhanos (é assim que designam os habitantes das províncias do Prata) contribui para modificar bastante seus costumes otomanos. Não está longe o tempo em que as mulheres dessa interessante parte do Brasil obterão as mesmas liberdades de que gozam as montevideanas e as buenairenses. Mas essa época feliz não chegou ainda e, enquanto esperam, continuarão a suportar o jugo dos seus enfadonhos maridos, ou melhor, dos seus tiranos domésticos, espécies de Argos vigilantes que, não contentes de mantê-las na mais vergonhosa ignorância, ainda as encerram num aposento afastado, como escravas do himeneu… É muito difícil penetrar nesse santuário misterioso: a severidade dos maridos só diminui um pouco quando o estrangeiro, depois de ter vivido algum tempo na cidade, prova, por sua boa conduta, que pode ser apresentado sem perigo à família do brasileiro, ao qual veio recomendado, ou que conheceu acidentalmente. Então, o santuário lhe é aberto, mas não deve usar esse favor insigne, senão com a maior reserva e a maior circunspeção… Desgraça e catástrofe para o que trair a confiança de um Argos brasileiro… Uma sova de pau será o mínimo da pena imposta por esse abuso.

Chegada de D. Pedro II em Porto Alegre em 1865 – Luiz Terragno

O caráter sombrio e excessivamente ciumento dos brasileiros contribui, assim, ao isolamento, no qual as suas mulheres parecem estar condenadas a viver ainda algum tempo. Conheci mulheres joviais, bonitas, amáveis… e até graciosas, que não exigiriam mais do que ir às vezes dar um passeio, freqüentar a sociedade, e enfeitar, animar com sua presença as reuniões masculinas, que eu achava tristes, insípidas, para não dizer intoleráveis. Ó, Voltaire, Ó, Légouvé, Ó, Madame de Staël, por que vossas eloqüentes respostas às sátiras, tão injustas quanto mordentes, dos Juvenal e dos Boileau não poderão ser lidas por todas as brasileiras? Adquiririam, ao menos, um justo sentimento de amor-próprio e de nobre dignidade, que lhes revelaria o que elas valem ou o que podem valer, e suas bocas não ficariam mudas, quando os pesados sofistas do gótico Portugal pretendessem inculcar-lhes princípios reprovados pelo mundo civilizado.

Festa de recepção a D. Pedro II, que de Porto Alegre
foi por terra à Uruguaiana em virtude da Guerra do Paraguai.

Porto Alegre é uma cidade muito nova. Conta, apenas, uns sessenta anos, desde sua fundação. Pouco antes dessa época, seu sítio atual estava coberto de florestas sombrias, que serviam de asilo a jaguares, tamanduás, gatos-bravos e jacarés. Atualmente, é a capital da província do Rio Grande do Sul ou de São Pedro. Pode ter doze mil habitantes, e até quinze mil devido à população flutuante de estrangeiros que vêm de toda parte, para ali comerciar temporariamente. Nestes dois últimos anos, sobretudo, ela começou a experimentar um crescimento rápido, que vai sempre aumentando. Não foi pequena a minha surpresa, quando me garantiram que, há dois anos, construía-se, ali, uma casa por dia!

Praça da Matriz.  Em primeiro plano, os alicerces do Palácio da Justiça
(segunda metade séc. XIX). Bem a direita, o canto do Teatro São Pedro (1858).
Em cima, à esquerda, o Palácio do Governo, que precedeu o atual Piratini.

A cidade é tão regular quanto pode permitir a desigualdade de uma colina um pouco íngreme, sobretudo na parte superior. Procura-se, aliás, diariamente, nivelar o terreno e alinhar as ruas, que são todas dotadas de calçadas e dirigidas para os quatro pontos cardeais. As que vão para o norte e para o sul são as menos agradáveis de freqüentar por serem traçadas no sentido da altura. As que são paralelas à direção da colina são mais bonitas: duas, entre outras, a Rua da Praia e a da Igreja, são notáveis pelo grande número de lindas casas que apresentam. A primeira, que fica na parte baixa, é a mais comercial; encontram-se, ali, as lojas e as principais casas de negócio. A outra, fica no alto da colina e, nela, estão a casa do governo da província, a tesouraria e a igreja principal, edifícios que só têm de notável sua extrema simplicidade. É, também, o ponto de encontro da sociedade nos dias de festas civis ou religiosas; a gente, ali, vai para gozar a frescura de uma bela noite e a vista encantadora de que tentei, antes, dar uma idéia.

Construção finalizada em 1790 para abrigar a Provedoria da Real Fazenda,
é o prédio mais antigo de Porto Alegre. Antes da instalação da Assembleia Legislativa
Provincial em 1835, fora sede da Casa da Junta, Câmara e Conselho Geral da Província.
A Assembleia Legislativa ali funcionou até 1967, quando se transferiu
para o novo e moderno Palácio Farroupilha.

Na parte mais baixa da cidade, à beira d’água, construíram-se e constroem-se ainda, diariamente, casas muito bonitas. São as do porto, expostas, às vezes, a inundações, como aconteceu nos fins de 1833. Havia, porém, um projeto para a construção de um cais, com o qual se espera recuar bastante as águas e aumentar, em igual extensão, a área da cidade.

Porto Alegre Vista do Guaíba – foto Virgílio Calegari – 1900

À margem do rio fica situada a alfândega, edifício quadrado, solidamente construído e bem próximo à zona comercial. Da parte que dá para o rio, parte um trapiche de madeira, levantado sobre pilares de pedra, que se prolonga uns cem passos dentro da água. Na extremidade, há um vasto barracão, junto do qual colocaram-se alguns guindastes. Os navios podem atracar, ali, para carregar ou descarregar suas mercadorias. Os fardos, por pesados que sejam, são transportados por negros ao pátio da alfândega, para serem examinados; dali, outros negros (porque a raça africana tem no Brasil a função dos cavalos e das mulas) os transportam para seu destino. Terei ocasião, um pouco mais adiante, de dizer uma palavra sobre a sorte dos escravos na província do Rio Grande. Viajantes, que tinham sido testemunhas da crueldade dos colonos franceses e ingleses, acharam o jugo dos escravos mais suportável no Brasil. Mas eu, que vi, na Argentina e na Banda Oriental, os negros livres, industriosos, fazendo os brancos viverem e colocados, enfim, na posição de homens, tenho o direito de achar deplorável a sorte deles no Brasil e de denunciar a infâmia dos europeus, que não têm vergonha de levar a sua imoralidade até o comércio clandestino da carne humana!!!… Ó, venerável abade de Pradt! Terias, também, sofrido, vendo as cenas dolorosas de que fui testemunha, mas a tua indignação, os teus lamentos, teriam reboado como o raio no meio desses homens que ousam chamar-se civilizados, enquanto os meus só terão eco na alma de alguns homens sensíveis, mas obscuros como eu.

A primeira fotografia da Santa Casa no ano de 1888, foi o primeiro Hospital da cidade

Há em Porto Alegre cinco igrejas, um hospital, uma casa de beneficência, um arsenal, dois quartéis e uma prisão recentemente construída. Há outros edifícios públicos em projeto, e cogita-se de aproveitar a planície, camada Vargem, edificando-se nela um museu e um jardim botânico. Porto Alegre, certamente, ainda será uma das mais belas cidades do Brasil e, ao mesmo tempo, umas das mais importantes sob o ponto de vista comercial.

Igreja N. Sª das Dores e Antigo Quartel General – 1900

A educação é muito descuidada na província do Rio Grande, e isto se reconhece imediatamente: os moços destinados à advocacia, à medicina e ao sacerdócio são enviados à universidade de São Paulo. Só havia escolas primárias elementares em Porto Alegre, quando por ali passei; entretanto, um português da Europa (sr. Gomes), juntamente com um jovem belga (sr. Giélis), acabavam de estabelecer uma escola primária superior. O talento e o zelo desses professores contribuirão, com certeza, a despertar o gosto pela ciência adormecido, geralmente, sob uma paixão desenfreada pelo jogo e pela depravação.

Diário de Porto Alegre, 1827

Editam-se quatro ou cinco jornais periódicos, inteiramente consagrados à política. Os habitantes de Porto Alegre, como os das outras cidades do Império, estão divididos em dois partidos: o dos caramurus, que compreende os partidários e os defensores do governo monárquico, e o dos farroupilhas, partidários do governo republicano. Os últimos são os mais fortes, como em toda parte, mas desconhecem sua própria força. Aliás, os brasileiros em geral parecem ser pela República; mas, desgraçadamente, estão em dissidência, porque uns querem adotar a forma unitária e outros a forma federativa. O egoísmo, filho legítimo da ignorância e das pequenas paixões faz, ali, as vezes do patriotismo. A província do Rio Grande, que lhes é, ao contrário, muito útil, desejaria a Federação, isto é, o isolamento mais ou menos completo; mas as outras proles protestam. No fim das contas, ninguém se entende. Essa dificuldade de concordar sobre a forma retardará talvez o desfecho do movimento, e provocará, provavelmente, a anarquia entre os republicanos brasileiros. É de temer-se que, como na Confederação do Rio da Prata, o isolamento seja preferido e que tenhamos então dezoito repúblicas em vez de uma… Mas não é aí que está o mal, e sim na anarquia a que podem ser levados, por muito tempo, povos cuja educação política não é muito avançada. Não se deve procurar outras causa às dissidências, senão na ignorância crassa, em que a política estreita de Portugal, ou do sistema colonial, tem procurado envolver o germe dos sentimentos generosos que brota, às vezes, entre os brasileiros, apesar de sua falta de instrução.

Theatro São Pedro em 1881, construído no local criticado por Arsène
Acervo do Museu Joaquim José Felizardo – Fototeca Sioma Breitman)

Não existia ainda teatro em Porto Alegre, porque não se pode, sem fazer Talia corar, dar esse nome a um velho barracão, meio subterrâneo, em que se representam, de tempos em tempos, comédias burguesas. Havia um em construção, que será muito bonito, segundo me disseram. É pena que tenham escolhido o alto de uma rua (a Rua do Ouvidor) que se transforma em uma catarata nos dias de chuva.

Imagem do livro: Portenha em traje de ir à Igreja – 1835

Sinto ter de repetir, mas é uma verdade que não posso calar: as brasileiras dessa província não são nem belas nem graciosas. Em vão carregam-se e sobrecarregam-se de jóias, de fantasias, de flores, de bugigangas. Não conseguem animar seus rostos, dar expressão aos seus olhos ou ter esse ar de liberdade nos movimentos que tanto seduz nas portenhas. Procura-se, em vão, ler em sua fisionomia seu estado de alma: nada indica, nem mesmo a ingenuidade. São, em público, simples figuras de autômatos. E tudo por obra dos portugueses!… Diz-se que são ardentes na intimidade, apaixonadas até o excesso, mas apaixonadas por elas mesmas… São compensações que procuram, avidamente.

Imagem do livro: Portenha em traje de festa (1835)

Seu traje de festa é um vestido de cetim branco, bordado e palhetado de ouro e de prata, sapatos e luvas de cetim e muitas jóias. Os cabelos são enfeitados de flores artificiais. O vestuário comum é diferente. Ainda que sigam com prazer as modas francesas, preferem as cores berrantes e os desenhos bizarros. Como são muito econômicas e sedentárias, cuidam muito de suas roupas, razão pela qual as modistas não fazem, em Porto Alegre, mais fortuna que os boticários. Um chapéu dura uma eternidade. São, sobretudo, as modas européias, de há seis anos, que fazem sucesso no Brasil. Vi esses enormes chapéus de palha e tafetá, sobrecarregados de laços de fita; abrigos escoceses, vestidos vermelhos e outras monstruosidades semelhantes.

Rua Vigário José Inácio com Voluntários da Pátria no final do século XIX

Os homens seguem, também, as modas parisienses. São, falando de um modo geral, mais bem dotados em conjunto do que as mulheres, ainda que tenham um defeito comum, o nariz muito longo e pontudo. É uma leve modificação do nariz dos portugueses, que é mais grosso e carnudo. Os fisionomistas já sabem o que isso significa.

Antiga Igreja Matriz e Capela do Divino em 1900 – foto de Virgilio Calegari

As igrejas são muito simples e pouco freqüentadas. Só as devotas (beatas) e as cortesãs conservam, ainda, o vestido negro e a mantilha de Portugal, traje de igreja, outrora de rigor… outrora, quer dizer, nos bons tempos da Santa Inquisição, quando eram necessários não somente intérpretes para rezar a Deus como também um traje. Como se aquele que criou Adão e Eva completamente nus fosse dar importância ao traje dos pobres seres humanos!

Arraial do Menino Deus no final do século XIX

Se há pouco luxo dentro das igrejas, ainda se o conserva muito, por uma compensação naturalmente, nas procissões externas. As festas do Espírito Santo (Pentecostes) celebram-se com pompa, como no tempo do Concílio de Trento. As janelas são enfeitadas de ricas colchas de seda bordada, com franjas de ouro; as confrarias azuis sucedem às confrarias vermelhas, as vermelhas às brancas e as brancas às cinzentas, etc.; cada uma delas leva relicários de santos ricamente enfeitados e, durante três dias, vendem-se, publicamente, ao lado da igreja, rosários, escapulários, galinhas assadas, doces, licores, etc… Viva Roma!!!

Viajantes da Província do Rio Grande – Debret

A maneira como viajam as mulheres nesta província, como, aliás, em todo o Brasil, é bastante curiosa: não têm nenhum escrúpulo de ir montadas como os homens, e para isso levam bombachas debaixo do vestido; além disso, vestem uma longa sobrecasaca, espécie de amazona, às vezes de fazenda azul, mas, ordinariamente, de chita florida ou listrada. Põem na cabeça um imenso chapéu de tafetá, feltro ou castor, enfeitado de plumas de avestruz negras e longas, que formam um penacho. Ataviadas dessa maneira, parecem-se bastante às nossas altas e poderosas damas da nobreza campestre. E não penseis que essas brasileiras do campo não tenham a sua dignidade natural; ao contrário, ainda que nunca tenham saído de sua estância, chácara, ou fazenda; que jamais tenham abandonado as suas vacas, suas plantações de algodão ou de feijão, senão para ir à cidade mais próxima e, ainda que vivam na mais crassa ignorância, não deixam de ter, no mais alto grau, suas vaidades, sua suscetibilidade e seus ares de altivez.

Quando resolvem viajar, seja para ir à cidade ou para visitar alguma vizinha, coisa que acontece raramente, ostentam um grande luxo nos arreios do seu cavalo. A rédea, a testeira, o recado, as esporas, os estribos em forma de turíbulo, tudo é recoberto de prata maciça. É preciso que alguma mulher seja muito miserável para não ter ao menos a testeira, os estribos e as esporas de prata.

Cavalaria do Rio Grande – final do século XIX

Os homens não são menos ostentadores: seus cavalos têm rabichos, barrigueiras e peiteiras, assim como o resto dos arreios cobertos de prata. Levam, também, na mão, como os argentinos, um pequeno chicote, cujo cabo muito curto é de prata maciça. O cabo e a bainha do seu facão são também de prata. A vestimenta dos homens da campanha é mais rica que a dos gaúchos argentinos e orientais. Consiste de sólidas botas, largas bombachas de veludo azul-celeste, uma jaqueta de pano azul, um amplo manto de pano e um chapéu de abas muito largas levantadas dos lados, preso sob o queixo por um barbicho que termina em duas bordas. Muitos usam, no verão, jaquetas de chita colorida, e os de mais posição uma sobrecasaca, também de chita, espécie de robe de chambre. Todos vão armados, em viagem, de uma longa espada como nos tempos da conquista, e de um par de pistolas que pendem do cinturão com uma pequena cartucheira.

Mercado Público de Porto Alegre em 1890

Os cinco rios que se reúnem diante de Porto Alegre, para formar o rio Grande, são, o Jacuí, o Caí, o rio dos Sinos, o Gravataí e o Riacho. O primeiro, a oeste, é o rio principal, e forma o polegar da mão aberta; o último, a nordeste, forma o dedo mínimo, e não pode ser navegado por grandes barcos.

A antiga Doca do Carvão ao lado do Mercado Público em 1890 pouco tempo antes de
ser aterrada para que no local fosse construída a Prefeitura de Porto Alegre.

O comércio é ativo em Porto Alegre. Via sempre uns cinqüenta navios, tanto nacionais quanto estrangeiros, ocupando a enseada, sem contar com uma grande quantidade de pirogas de todos os tamanhos e de chalanas, destinadas ao transporte das mercadorias pelos cinco rios, e que facilitam tão admiravelmente as comunicações com o interior.

O Jacuí, principalmente, está sempre cheio de barcos de carga e de elegantes gôndolas. Ocupadas no transporte de inúmeros produtos da Europa, da América do Norte, ou das outras províncias do Brasil, para Rio Pardo e Cachoeira, pequenas cidades de muito futuro, sobretudo a primeira, que pode ser considerada o entreposto norte da província, incluindo a serra propriamente dita e as Missões do Uruguai.

Intendência Municipal em 1900

Os navios europeus, com capacidade que não exceda duzentas toneladas e com calado inferior a dez pés de água, podem chegar até Porto Alegre. Não existiam, por ocasião da minha viagem, mais de três casas francesas estabelecidas em Porto Alegre. Só uma delas fazia comércio direto com a França. Das duas outras, uma trazia os artigos franceses de Buenos Aires e do Rio de Janeiro, onde são às vezes mais baratos do que no ponto de origem; e a segunda fazia um comércio extenso com os Estados Unidos, e era de propriedade do sr. Pradel, agente consular francês, homem muito estimável e geralmente estimado, o que é mais raro. É preciso dizer (e que isto possa servir de exemplo à grande maioria de nossos agentes consulares) que é difícil encontrar-se um homem mais desinteressado, mais prestimoso, mais disposto a prestar um serviço que o sr. Pradel. Nunca aceitou nenhum emolumento, prova rara de patriotismo, digna de ser divulgada, podendo, assim, conservar sempre uma nobre independência. Mas não está nisso seu mérito maior; sem ostentação de seus sentimentos patrióticos, leva seu desinteresse – diria mesmo sua liberalidade – ao ponto de não perceber nenhuma remuneração pelos diferentes atos e assinaturas que se reclamam dele. Está sempre pronto a defender nossos direitos junto às autoridades do país, e, apesar do seu título modesto de agente consular, todos lhe fazem justiça e respeitam o nosso pavilhão.

Planta de Porto Alegre em 1839

Eis o tipo de homem que devia prevalecer na escolha dos que vão defender nossos interesses comerciais em países estrangeiros. Se nem todos fossem capazes do seu desinteresse, todos poderiam ter sua experiência prática da legislação, dos costumes, do caráter da nação, junto da qual são mandados como representantes. Contribuiriam, assim, grandemente, para evitar divergências entre comerciantes e particulares, aconselhando melhor uns e outros, quando fossem consultados. Esta homenagem prestada às virtudes cívicas de um distinto patriota não deve parecer suspeita da minha parte; basta saber-se que não tenho a honra de conhecer o sr. Pradel.

Detalhe da Planta de 1838 com a identificação de prédios e linhas de defesa da cidade.

A maior parte dos navios que vão a Porto Alegre são americanos-do-norte, brasileiros, italianos e alguns ingleses. Vê-se, de quando em quando, um navio francês procedente de Marselha ou de Bordéus. É raro, porém, que faça bons negócios, porque as mercadorias são de mau gosto, mal-escolhidas e inadequadas ao país. Do porto de Marselha, principalmente, saem carregamentos mais extravagantes e menos indicados… Seus vinhos e conservas são de uma qualidade detestável.
Não é somente em Porto Alegre que chegam carregamentos extravagantes. Acontece o mesmo em todos os portos do Brasil e do Prata. E há muita coisa, ainda, a dizer a esse respeito.

Outro detalhe da Planta de Porto Alegre de 1839

Sabe-se, de um modo geral, que, dos artigos franceses de grande consumo no Brasil, muitos convêm a Porto Alegre; entretanto, a vizinhança dos orientais e argentinos faz com que os gostos dos habitantes do Rio Grande sejam, de certo modo, mistos; é preciso, pois, ter residido certo tempo no lugar para conhecê-lo bem e não fazer encomendas no estrangeiro sem estar munido de amostras, de modelos e de medidas, porque as melhores anotações, as indicações mais minuciosas, não dariam senão uma idéia imperfeita dos gostos e necessidades dos habitantes.

A partir de 1888 os escravos ficaram livres. Livres?

No Rio Grande, como em todas as antigas possessões espanholas e portuguesas, os negros e mulatos são a gente de ofício, isto é, os homens laboriosos, os trabalhadores, aqueles, enfim, que têm mais necessidade de empregar sua inteligência. Infelizmente, porém, não passam de escravos e, sobretudo, de negros! São, fatalmente, uns brutos, uns vis usurpadores do nome de homens. E, entretanto, esses brutos asseguram a subsistência e todos os prazeres da vida aos seus indolentes senhores! Sabeis como esses senhores, em sua superioridade, tratam seus escravos? Como tratamos os nossos cães!

Começam por chamá-los com um assovio e, se não atendem imediatamente, recebem dois ou três tabefes da mão delicada de sua encantadora ama, metamorfoseada em harpia, ou um soco ou um brutal pontapé do seu amo grosseiro. Se tentam explicar-se, são amarrados ao primeiro poste, e, então, o senhor e a senhora vêm, com grande alegria, ver flagelar, até que o sangue brote, aqueles que, as mais das vezes, só cometeram a falta bem inocente de não terem podido adivinhar os caprichos de seus senhores e donos!!! Feliz, ainda, o desgraçado negro, se seu amo ou sua ama não tomar uma corda, um chicote, um cacete ou uma barra de ferro, e golpear, no seu furor brutal, o corpo do pobre escravo, até que os pedaços arrancados de sua pele deixem o sangue escorrer sobre o corpo inanimado, porque o comum, nesses casos, é levantar o negro desfalecido para curar suas feridas! E sabeis com quê? Com sal e pimenta, como se trata a chaga de um animal que se quer preservar dos vermes! Pensam que esse tratamento não é menos cruel do que as chicotadas? Pois bem, vi essas coisas no ano da graça de mil oitocentos e trinta e quatro! E vi mais ainda. Há senhores, bastante bárbaros, principalmente na campanha, que mandam fazer incisões nas faces, nas costas, nas nádegas, nas coxas dos seus escravos, para meter pimenta dentro delas. Outros levam seu furor frenético ao ponto de assassinarem um negro e lançá-lo como um cão ao fundo de um barranco. E se alguém, estranhando sua ausência, perguntar pela sorte do negro, terá esta resposta fria: morreu. (O filho da p… morreu.) E não se fala mais nisso. Há, entretanto, leis severas para essa espécie de crime. Mas como observa o sr. Balzac “as leis nunca estorvam os empreendimentos ou dos grandes ou dos ricos, mas ferem os pequenos, que têm, ao contrário, necessidade de proteção”.

Punição aos escravos – gravura de Debret

Todos os dias, das sete às oito horas da manhã, podeis assistir um drama sangrento, em Porto Alegre. Se fordes até a praia, ao lado do arsenal, defronte de uma igreja, diante do instrumento de suplício de um divino legislador, vereis uma coluna levantada sobre um pedestal de pedra, e junto a ela… uma massa informe, alguma coisa que pertence, certamente, ao reino animal, mas que não podeis classificar entre os bímanes e os bípedes.. É um negro!…Um negro condenado a duzentas, quinhentas, mil ou seis mil chicotadas! Passai adiante, retirai-vos dessa cena de desolação: o infortunado não é mais do que um conjunto do membros mutilados, que se reconhecem dificilmente sob os pedaços sangrentos de sua pele flagelada.

Feitores “corrigindo” os negros – gravura de Debret

E há quem se admire de que os negros se revoltem contra os brancos! É curioso notar que os legisladores das colônias modernas empregam para defender o tráfico de negros os mesmos sofismas que combatem quando os turcos querem justificar o cativeiro dos brancos. Mas toda essa argumentação há de cair por absurda… E a aristocracia da pele passará como todas as outras aristocracias! Tempo ao tempo!

“Negros libertos” vivendo na periferia da cidade. Foto de Lunara, 1900.
Periferia de Porto Alegre, início do século XX – fotógrafo desconhecido

Postagem original:

Porto Alegre em 1834, segundo Arsène Isabelle – Blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

 

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Quercus – 29 anos em defesa do Ambiente

QUERCUS – Um exemplo de entidade Ambientalista

Apresentação da Quercus em seu site:

A Quercus é uma Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) portuguesa fundada a 31 de outubro de 1985.

É uma associação independente, apartidária, de âmbito nacional, sem fins lucrativos e constituída por cidadãos que se juntaram em torno do mesmo interesse pela Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais e na Defesa do Ambiente em geral, numa perspectiva de desenvolvimento sustentado.

1997, Fevereiro – A Quercus manifesta-se em Lisboa contra a grave situação dos resíduos industriais do país. © Luís Galrão/QUERCUS

A Associação designa-se Quercus por ser essa a designação comum em latim atribuída aos Carvalhos, às Azinheiras e aos Sobreiros, árvores características dos ecossistemas florestais mais evoluídos que cobriam o nosso país e de que restam, atualmente, apenas relíquias muito degradadas.

Ao longo dos anos, a Quercus tem vindo a ocupar na sociedade portuguesa um lugar simultaneamente irreverente e construtivo na defesa das múltiplas causas da natureza e do ambiente. O seu âmbito de ação abrange hoje diversas áreas temáticas da atualidade ambiental, onde se incluem, além da conservação da natureza e da biodiversidade, a energia, a água, os resíduos, as alterações climáticas, as florestas, o consumo sustentável, a responsabilidade ambiental, entre outras. Este acompanhamento especializado é, em grande parte, suportado pelo trabalho desenvolvido por vários grupos de trabalho e projetos permanentes.

Este estatuto foi progressivamente conquistado através de uma conduta atenta ao real, sem perder o ponto de referência fundamental dos princípios, nem se afastar das necessidades de complementar a denúncia crítica com o esforço para a construção de consensos na sociedade portuguesa, sem os quais nenhum efetivo modelo de desenvolvimento sustentável será possível no nosso país.
Uma das características da Quercus é a sua descentralização, através dos 18 Núcleos Regionais espalhados um pouco por todo o país, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, que acompanham a realidade ambiental e realizam atividades de sensibilização no seu raio geográfico.
Em 1992, a Quercus recebeu o Prémio Global 500 das Nações Unidas e o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.

1989 – Acções mediáticas no âmbito da campanha contra a expansão da plantação de eucaliptos – Serra da Aboboreira, Valpaços, Mirandela e Mértola. © QUERCUS

Página da Quercus na internet: http://www.quercus.pt/

Quem são esses políticos?

Pense bem, antes de votar!

Cuidado com os "lobos em pele de carneiro"

Cuidado com os “lobos em pele de carneiro”

Quem é realmente o candidato? O que ele defendeu antes? Como se comportou em questões fundamentais? É daqueles que realmente tem palavra e assumem posições claramente ou é daquele tipo que só fica “enrolando” e foge na hora das decisões.
Qual a relação dele com os poderosos? Acovarda-se ou enfrenta as campanhas que a grande mídia impõe?

Por tudo isso este blog pede que votem em políticos que destacaram-se nos apoios e lutas dos Movimentos e Associações de Moradores, Entidades Ambientalistas e de direitos humanos e da cidadania.

Morreu Augusto Carneiro, um dos ícones do ambientalismo gaúcho

Augusto Carneiro na Audiência Pública do Ministério do Rio Grande do Sul sobre a derrubada de árvores no entorno do Gasômetro - 19/2/2013 - Foto: Cesar Cardia

Augusto Carneiro na Audiência Pública do Ministério do Rio Grande do Sul sobre a derrubada de árvores no entorno do Gasômetro – 19/2/2013 – Foto: Cesar Cardia

Coluna publicada em 08/04/2014 no Jornal do Comércio/RS

Carneiro unia discurso à ação

Guilherme Kolling

“Aqui é tudo ecologia!” Esse era o bordão com que Augusto Carneiro (foto) chamava a atenção de clientes que passavam em frente à sua banca de livros na feira ecológica de sábado da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre. Logo mostrava títulos sobre o tema ambiental e, vendendo ou não as publicações, distribuía propaganda ecológica – cópias de reportagens, em sua maioria, com temas que iam da importância de manter no solo as folhas secas que caem das árvores até o destino correto do lixo.

Carneiro foi um incansável divulgador das causas ambientais no Rio Grande do Sul. Mas o marcante, em sua trajetória, é que ele ia além do discurso, colocava em prática o que dizia. Era um homem de ação.

Em 2001, fui ao seu apartamento na rua da República para uma entrevista sobre o movimento ecológico gaúcho. Centenas de recortes de matérias de jornais e revistas, encadernados em imensos álbuns, não deixavam dúvidas sobre a atuação do grupo nas décadas de 1970 e 1980 – campanhas contra a poda incorreta de árvores na Capital, a poluição da fábrica de celulose da Borregaard, em Guaíba, ou a busca das causas do que ficou conhecido como Maré Vermelha, na praia do Hermenegildo.

Mas havia outras mostras de sua dedicação além dos registros da imprensa. Carneiro mantinha seis recipientes distintos para separar o lixo doméstico em sua residência. Em outra peça da casa, mais um exemplo: uma centena de exemplares do livro O Rio Grande do Sul e a Ecologia, coletânea de textos de Henrique Luís Roessler, que combatia o desmatamento e a poluição dos rios no Vale do Sinos nas décadas de 1950 e 1960. Carneiro reuniu os artigos e bancou a edição do livro.

Roessler inspirou Carneiro, que queria criar uma entidade ecológica. Depois de várias tentativas, conseguiu, em abril de 1971, quando, com a parceria de José Lutzenberger e Hilda Zimmermann, fundou a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan).

Carneiro e Lutzenberger - acervo  JÁ Editores

Carneiro e Lutzenberger nos anos 70 – acervo JÁ Editores

Secretário, tesoureiro, cobrador – eram mais de mil sócios em dia –, Carneiro assumia múltiplas tarefas na Agapan. Conseguiu até uma sede na Rua da Praia, onde ocorriam reuniões com palestras de Lutzenberger. Enquanto Lutz participava de debates, redigia artigos e concedia entrevistas, Carneiro organizava tudo, participava de ações de rua e fazia divulgação. “O noticiário era todo nosso, porque, durante a ditadura, havia censura à cobertura política ou qualquer tipo de protesto, então, ganhávamos um baita espaço. Eles não nos consideravam subversivos. Mas nós éramos”, costumava dizer.

É difícil mensurar o legado deixado por Carneiro, que morreu ontem, aos 91 anos. Mas, certamente, pode-se dizer que ele deu uma contribuição importante para que Porto Alegre seja uma cidade bem arborizada. A consciência ambiental da população também é um dos seus frutos.

Mesmo triste, Carneiro foi protestar contra os cortes de árvores no entorno do Gasômetro em 7 de fevereiro de 2013 – Foto: Cesar Cardia

Mesmo triste, Carneiro foi protestar contra os cortes de árvores no entorno do Gasômetro em 7 de fevereiro de 2013 – Foto: Cesar Cardia

Recentemente, ativistas subiram em árvores para evitar o corte – gesto que já ocorrera em 1975, quando a Agapan e estudantes conseguiram impedir a derrubada de árvores na avenida João Pessoa. Agora, a cidade acompanha a luta pela instituição do Parque do Gasômetro – Carneiro participou de campanhas que resultaram na criação dos parques do Delta do Jacuí, na Capital, de Itapuã, em Viamão, e da Guarita, em Torres.

Seriam necessárias várias colunas como esta para retratar a contribuição de Carneiro como ecologista, livreiro – participou da primeira Feira do Livro de Porto Alegre – e defensor do naturismo. Assim, deixo duas sugestões de leitura: Augusto Carneiro, depois de tudo um ecologista, de Lilian Dreyer (PeloPlaneta/Scortecci Editora, 2013), e Pioneiros da Ecologia, de Elmar Bones e Geraldo Hasse (JÁ Editores, 2007).

Link para a matéria no Jornal do Comércio:  http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=158751

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Viciados em plástico

Addicted to Plastic é um documentário sobre soluções para a poluição causada pelo plástico, detalhando o caminho deste durante os últimos 100 anos.

O filme recebeu o Prêmio do Juri para Documentário Internacional e foi considerado o Favorito da Audiência para Documentário Internacional no Amazonas Film Festival, no Brasil.

Também, recebeu o “Golden Sun Award” de Melhor Documentário Internacional no Barcelona International Environmental Film Festival.

Para responder à questão do descarte, o diretor visitou lugares como o trecho de lixo oceânico que situa-se no Giro do Pacífico Norte onde há atualmente mais plástico do quê plâncton por milha quadrada.

Ele também visitou um depósito de lixo tóxico na Índia, localizado em uma vila onde a expectativa média de vida é de 30 anos.

De acordo com o cineasta, há uma versão curta do filme que usa a perspectiva em terceira pessoa, sem que ele atue como guia. Também, fica excluído o capítulo sobre ingredientes tóxicos do plástico, por esta ser a mais simples de ser cortada, já que afasta-se do tema do problema de descarte do lixo plástico. Problemas de detritos marinhos, reciclagem e bioplásticos permanecem idênticos à versão mais longa. (Wikipedia)

O subversivo Nelson Rolihlahla Mandela

Madibas

El subversivo

El viejito que sonríe en la foto fue un duro guerrillero que soportó torturas y 27 años de cárcel. Ese hombre negro apacible y encanecido fue de los duros que rechazó la libertad cuando le pusieron como condición que se declarara en contra de la lucha armada del Congreso Nacional Africano. Nelson Mandela creció como líder de las luchas de su pueblo en Sudáfrica desplazando a los dirigentes más conciliadores con el régimen brutal del apartheid.

Eran los años ’50 y ’60 y en los Estados Unidos la segregación racial estaba instalada por ley. Sin embargo, era considerado el emblema de la democracia en el mundo. Si Estados Unidos era mostrado como el país más democrático del mundo a pesar de la segregación en la educación, los trabajos, el transporte y hasta en los baños, ¿por qué no habría de serlo también Sudáfrica con su apartheid? Para los cánones de esos años, Estados Unidos y Sudáfrica eran países democráticos, igual que los raquíticos gobiernos latinoamericanos acogotados por sus fuerzas armadas.

Se repiten los discursos de Mandela sobre el sueño de una gran nación sudafricana donde todos los hombres fueran iguales sin importar el color de su piel. Pero cuando Mandela decía esa frase en aquellos años, no estaba pensando en la democracia real de esa época, en la supuesta democracia norteamericana o en la sudafricana. Estaba pensando en otras formas políticas que se relacionaban con procesos similares al argelino o al cubano u otros procesos emancipadores de la época, ya fueran “democracias populares”, “repúblicas democráticas” o socialismo africano.

Nadie pensaba que la democracia de los países escandinavos podía ser operativa en países que arrastraban una larga historia de colonialismo, marginación y explotación. Sin embargo, había una diferencia entre el proceso sudafricano y otros que se desarrollaban en Africa, donde la mayoría trataba de liberarse del yugo colonial. Allí, en cambio, se luchaba contra la dominación blanca. Pero todos pensaban que los cambios solamente vendrían con procesos revolucionarios.

Eran las ideas y las herramientas de ese momento histórico, las que surgían de esa circunstancia. No se podía confiar en la democracia de los blancos o de los militares o en que los poderosos entregaran mansamente sus privilegios. Mandela, Oliver Tambo, Walter Sisulu y otros jóvenes de la Liga Juvenil del Congreso Nacional Africano desplazaron a principios de los ’60 a los dirigentes que proponían formas pacíficas de lucha, en las que ellos también habían participado, y fundaron Lanza de la Nación, que era la formación guerrillera del CNA.

Sudáfrica también era diferente a los demás procesos africanos en otros aspectos. La lucha armada no fue centralmente de guerrilla en la selva. El CNA era un movimiento popular de masas con mucha concentración urbana. La lucha armada consistió centralmente en atentados explosivos en las ciudades o en infraestructura, articulados con huelgas e insurrecciones. Mandela y Sisulu estuvieron presos la mayor parte del tiempo y Oliver Tambo exiliado.

El CNA no era africanista, por eso se repite mucho la frase de Mandela cuando dijo que “siempre luché contra la dominación blanca y siempre luché también contra la dominación negra”. No era africanista porque, a pesar de que centralmente la lucha era contra el apartheid, tenía un fuerte componente ideológico. El CNA tenía influencias marxistas soviéticas y chinas, al igual que todos los líderes anticolonialistas africanos de esa época, desde Patrice Lumumba en el Congo hasta Samora Machel en Mozambique.

Machel era un marxista ortodoxo, dirigente del Frente de Liberación de Mozambique (Frelimo) y llegó al poder aliado a los soviéticos en 1974 después de la Revolución de los Claveles en Portugal. Fue asesinado en un atentado y su viuda, Graca Machel, se convirtió varios años después, en 1998, en la última esposa de Mandela. Otro aspecto particular del CNA era que Mandela había integrado también a blancos y a indios. Paradójicamente, mientras el gobierno de Israel apoyaba al gobierno racista blanco y le vendía armas, varios judíos sudafricanos, entre ellos Denis Goldberg, Lionel Berstein y Harold Wolpe, lucharon junto a Mandela en Lanza de la Nación.

Los poderes y las fuerzas que representan los principales líderes del mundo que el jueves hicieron conocer sus condolencias por la muerte de Mandela y lo elevaron al rango de ejemplo para la humanidad, durante su lucha lo consideraron subversivo y terrorista. No era para nada políticamente correcto. Muchas de esas fuerzas y poderes fueron cómplices de su encarcelamiento y tortura.

Mandela es el duro luchador y al mismo tiempo es el gran pacifista que advirtió la prioridad de la integración en un país dominado salvajemente por una minoría blanca. Una cosa no se puede separar de la otra. Para hacer lo que hizo en el poder, antes tuvo que luchar como lo hizo. Es difícil unir esas dos facetas que se muestran como polos que se contradicen. Si en la primera etapa de su vida hubiera actuado como lo hizo en la segunda, hubiera sido cómplice de la explotación blanca. Si al salir de la cárcel hubiera mantenido la intransigencia que lo caracterizó en la lucha, hubiera llevado a Sudáfrica a una catástrofe.

Pero el cambio no se produjo porque llegó al poder, sino porque su llegada al poder fue parte de un reacomodo que se estaba produciendo en todo el mundo al finalizar la Guerra Fría y asentarse el proceso de globalización donde el mundo se convirtió en un solo mercado.

Uno de los grandes problemas de las revoluciones en Angola o en Mozambique había sido que provocaron el éxodo masivo de la población blanca, con lo cual se quedaron sin profesionales ni empresas. En Sudáfrica la economía estaba en manos de los blancos, que a su vez eran la inmensa mayoría de los profesionales. La población blanca y la población negra estaban condenadas a vivir en paz. Mandela fue concesivo en muchos aspectos, sobre todo con los juicios de la verdad, porque la emigración masiva de los blancos hubiera significado la bancarrota y el fracaso de la lucha contra el apartheid. En 1974 Mozambique fue rescatada por la URSS. En los años ’90, cuando Mandela llegó al poder, la URSS ya no existía y los términos del comercio mundial estaban más o menos regidos por la OMC.

Robert Mugabe, otro gran líder africano, fue más rígido y en la actualidad Zimbabwe (ex Rodhesia del Sur, vecina a Sudáfrica) está aislada y con fuertes problemas económicos.

Mandela era un hombre mayor. Sabía que le quedaban pocos años útiles de vida y los usó para consolidar la salida del apartheid en una Sudáfrica multirracial. Sabía que dejaba un país con profundas desi-gualdades, pero se dio cuenta de que su tiempo estaba acotado a consolidar la monumental victoria que había logrado. Fue su legado a las nuevas generaciones, las que deberán ocupar su puesto en la lucha contra la miseria y las injusticias que aún subsisten. Así el antiguo terrorista y subversivo que no merecía más que una visita cada seis meses durante 27 años se convirtió en el héroe moral de la nueva era.

Mandela fue una expresión muy particular, difícil de equiparar por su dimensión humana, pero en general hay ciertos rasgos similares con los procesos que se generaron en América latina al comenzar el siglo. Miguel Brascó cuenta una anécdota de su visita a Johannesburgo en los ‘60. “El problema –le dijo a un sudafricano blanco– es que aquí no votan los negros.” “Tengo entendido que en su país tampoco”, le respondió el hombre un poco molesto. Se refería a que el peronismo estuvo proscripto durante 18 años.

Expresiones, reflejos, continuidades o rescoldos de lo que en determinado momento histórico fue condenado por subversivo y terrorista llegaron a los gobiernos por medios democráticos. Expresiones de los trabajadores combativos en Brasil o en Venezuela, de los pueblos originarios en Bolivia, de los tupamaros en Uruguay, de la Juventud Peronista en Argentina, de los curas tercermundistas en Paraguay o de los allendistas chilenos aparecieron con mayor o menor fuerza, con mayor o menor eficacia, como una opción de poder concreto para amplios sectores populares que habían sido marginados por la aplicación de las ideas hegemónicas del neoliberalismo. Cada una de esas experiencias históricas había dejado un reservorio de valores de lucha y resistencia que sirvieron para la construcción de nuevas opciones. Había restos vivos de lo que parecía perdido y arrasado por las represiones, las cárceles y los exilios.

Fonte: Página/12 – Por Luis Bruschtein

O maior inimigo do patrimônio histórico e das nossas belezas naturais é a especulação imobiliária.

Casas da Rua Luciana de Abreu  - 25 de setembro de 2013 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Casas da Rua Luciana de Abreu – 25 de setembro de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Juremir e os Casarões da Luciana de Abreu

Não é fácil defender o patrimônio arquitetônico de Porto Alegre. Sejamos francos: não temos a fartura de certas cidades coloniais ou de velhas capitais do mundo. Do pouco que temos, nem sempre cuidamos. O maior inimigo do patrimônio histórico e das nossas belezas naturais é a especulação imobiliária. Esse pessoal já tentou emplacar apartamentos fashion com janelas para o pôr do sol do Guaíba no Pontal do Estaleiro. Não passou. Na época, usaram todo tipo de sofisma para tentar levar no grito. Chegaram a dizer que não era o melhor negócio. Mesmo assim, queriam realizá-lo. A briga agora é para derrubar belos casarões da rua Luciana de Abreu, no Moinhos de Vento, a fim de colocar um edifício sem sal no lugar.

Manifestação em defesa da preservação das casas - 25 de etembro de 2013 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Manifestação pela preservação das casas – 25 de setembro de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A Justiça concedeu liminar impedindo a demolição dos casarões da Luciana de Abreu. Bravo ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Ainda não vi um edifício construído pela arquitetura contemporânea em Porto Alegre pelo qual se possa brigar no futuro pela sua preservação. Deve ser uma maneira inteligente de evitar novos litígios. Quem faria uma manifestação para salvar uma dessas horrendas caixas de vidro, aço e concreto? A arquitetura parece ter rompido definitivamente com a ideia de perenidade. O útil sufocou para sempre o belo. A aristocracia do passado tinha noções de bom gosto que não foram transmitidas para a burguesia hipermoderna. Ainda estamos na fase de acumulação primitiva do capital. Nessa etapa, negócios são mais importantes do que belezas.

Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu - 29 de setembro de 2013 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu – 29 de setembro de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Patrimônio para a especulação imobiliária é dinheiro. Nada mais. Os modernos têm horror dessas “velharias” que atrapalham novos e polpudos ganhos. Se precisar, usam um argumento aparentemente irrefutável:

– Criamos empregos com nossos empreendimentos.

Crinaças prtotestam contra a derrubada das casas no Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu - 29 de setembro de 2013 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Crianças também protestam contra a derrubada das casas no Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu – 29 de setembro de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Fingem ignorar que empregos têm um custo e que não podem ser criados a qualquer custo. Há lugares que atraem a cobiça desses “empreendedores” determinados a atuar como novos bandeirantes ou velhos predadores. Há pouco, um jornalista quase em surto pediu a destruição do Mercado Público de Porto Alegre. A especulação imobiliária salivou de entusiasmo. Se passasse, o homem seria condecorado e ganharia estátua na entrada do novo shopping. Não colou. Andam colocando asfalto numa estradinha no Parque da Redenção. Os “progrechatos” vivem de olho nos espaços públicos, nas reservas ecológicas e nos prédios históricos. No Rio de Janeiro, sonham em tomar posse do Aterro do Flamengo. A mata atlântica e a floresta amazônica sofrem com o apetite insofreável dos “progressistas” em busca de bons negócios anacrônicos.

Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu - 29 de setembro de 2013 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Ato pela preservação das casas da Luciana de Abreu – 29 de setembro de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

O problema é que esses “empreendedores” ainda não compreenderam a mudança de sensibilidade que está alterando o imaginário de boa parte do mundo. Na mídia, eles têm os seus defensores. Curiosamente são os mesmos que vociferam contra o politicamente correto por achar um absurdo não se poder mais fazer piada de negro, judeu, homossexual, deficiente físico e outras vítimas tradicionais do bullying dos humoristas e dos deformadores de opinião.

Espero que a Justiça faça justiça com os belos casarões da Luciana de Abreu.

Fonte: jornal Correio do Povo

Juremir - Casarões da Luciana