Guaíba: rio ou lago?

Wittler: a desculpa para não respeitar a Lei Orgânica do município e a Lei 4771 (cód. Florestal), por nossos vereadores, governantes e empresários da construção civil é o que ele chama de a GRANDE FARSA.

Wittler: a desculpa para não respeitar a Lei Orgânica do município e a Lei 4771 (cód. Florestal), por nossos vereadores, governantes e empresários da construção civil é o que ele chama de a GRANDE FARSA.

Engenheiro debate a “farsa” sobre o Guaíba

Evento do NEJ/RS põe em pauta a polêmica sobre a denominação de rio ou lago.

Por Eliege Fante/EcoAgência

O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS) inicia a edição 2009 das Terças Ecológicas, evento mensal aberto a todo público interessado. O primeiro debate está marcado para o dia 7 de abril, às 10h, no Plenarinho da UFRGS (Campus Central – Prédio da Reitoria). O convidado é o engenheiro civil, professor e perito ambiental Henrique Wittler que, por meio de pesquisas, revela como o Guaíba, de rio, passou a ser tratado como lago.

A abordagem proposta por Wittler, que culminou com a divulgação do slideshow “Uma grande farsa” (link ao final do texto), iniciou após a constatação de que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente adotava a classificação de “lago” para o Guaíba, quando ele atendeu a um convite para participar da discussão dos projetos da orla, e relembrou do ocorrido anos antes. “Cheguei à conclusão da grande farsa montada pelos que tinham interesses em ocupar a faixa da orla do Guaíba, antes somente órgãos oficiais e os moradores que eram atingidos por estarem dentro da faixa. Hoje, com o conhecimento de muitos políticos, a ocupação da orla degenerou,” explica o engenheiro.

Centro e áreas verdes da orla do Rio Guaíba

Centro e áreas verdes da orla do Rio Guaíba

Esclarecimento

No intervalo entre a audiência pública ocorrida na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em 5 de março, na qual se discutiu a proposta de modificação do regime urbanístico da Ponta do Melo, e a consulta popular que deve acontecer assim que o Executivo divulgar uma data, como diz o próprio Wittler, esclarecer o que é o Guaíba, se rio ou lago, “talvez (seja) a única forma de evitar a ocupação da orla. Os vereadores que aprovaram os projetos do Estaleiro, Grêmio e Inter e que talvez aprovem o da Ponta do Gasômetro, o da Federação Gaúcha de Futebol, o da OSPA e o do Cais do Porto, talvez em sua maioria não saibam o que realmente aprovaram e, principalmente onde, pois só analisaram do ponto de vista de mais emprego e do turismo”. Ele alerta, também, para o fato de não ter sido feito nenhum estudo ambiental, como se o sistema de drenagem cloacal e pluvial está capacitado para absorver o acréscimo de volume nem mesmo sobre o sistema viário. “Só no Pontal do Estaleiro o volume diário de esgoto será de 400 m³ sem contar o volume de chuva que hoje escoa livremente para o Guaíba,” acrescentou.

Rumo ao cais.

Rumo ao cais.

Slideshow

O slideshow produzido pelo engenheiro mostra que a lei 4.771, de 1965, estabeleceu a necessidade de áreas de preservação permanente destinadas a conservar “os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico da flora e da fauna, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”, na qual se enquadra o rio Guaíba que teve a faixa de preservação fixada em 500 metros . A partir da pressão de moradores e políticos que se entenderam prejudicados pela lei, constituiu-se uma comissão no fim dos anos 70 para estudar uma nova denominação para o Guaíba. E em 1982, o Governador Amaral de Souza, decretou que o Rio passasse a ser denominado Lago. Para corroborar este ato, nos anos seguintes foi elaborado o Atlas Ambiental de Porto Alegre, que sacramentou a arbitrariedade. A Lei Orgânica do Município apresenta o Guaíba como rio, já o site do Estado se refere apenas a Guaíba e o site da Prefeitura o divulga como Lago.

Muitos questionam o porquê de o Ministério Público Estadual não se posicionar na discussão. Wittler acredita que seja por se situar dentro desta faixa de preservação, assim como o Ministério Público Federal. Mas ele informa que o MPF tem agido em outros Estados e conseguido decisões que determinam a demolição do construído depois de 1965. “Recursos contra as demolições têm sido negados mesmo quando alegada a aprovação dos projetos pelo IBAMA e pelos Planos Diretores,” completou.

Lago é uma porção de água cercada de interesses econômicos e políticos por todos os lados. (Juremir Machado da Silva, em "Marx e os Lagos")

Lago é uma porção de água cercada de interesses econômicos e políticos por todos os lados. (Juremir Machado da Silva, em "Marx e os Lagos")

Quem é Henrique Wittler

Engenheiro civil com experiência em projetos de controle de cheias e estudos hidrológicos. Trabalhou no Departamento Nacional de Obras e Saneamento, DNOS, e coordenou Projetos de drenagem e contra cheias. É Mestre em “Hidrologia e obras hidráulicas”, foi professor fundador da cadeira de “Hidrologia” na PUC/RS, onde lecionou, ainda, a disciplina de “Portos, Rios e Canais e Planejamento Hidroelétricos”. Conta que viveu a época da formulação das leis ambientais, tendo trabalhado no DNOS logo após a promulgação da Lei 4771/65 e, ainda, que acompanhou o “desespero” de muitos administradores públicos com os 500 metros de preservação previstos na orla do Guaíba.

Matéria original, na página da EcoAgência.

Assista aqui “Uma grande farsa“.

38 pensamentos sobre “Guaíba: rio ou lago?

  1. Ora façam o favor. Farsa é um engenheiro civil montar uma teoria da conspiração baseada em argumentos jurídicos e políticos para conduzir uma discussão científica. Quais são, afinal, os argumentos TÉCNICOS deste senhor com relação à questão em sí? Por que o Guaíba é um rio? Não vi um argumento de natureza morfológica ou pelo menos dinâmica, já que este senhor supostamente conhece hidráulica. Um verdadeiro devaneio cujo clímax é chamar de arbitrária UMA OBRA PREMIADA NO MUNDO TODO como o Atlas Ambiental de Porto Alegre. E ver na classificação proposta pelo Atlas uma continuidade de pensamento que deriva do Governo Amaral de Souza é caso para medicamentos pesados.

    Não sou construtor, não tenho qualquer interesse material nesta discussão, sou contra a apropriação da orla do Guaíba e prezo por sua preservação mas, infelizmente, isso não serve para fazer do Guaíba um rio. Seria assassinar a metodologia científica, como o faz este cidadão.

    Aliás, o Guaíba foi primeiramente classificado como lago, conforme constam nos mapas da mapoteca do Itamarati no Rio de Janeiro. Em outros tempos foi chamado Lagoa de Viamão. Por que mudaram a cassificação para rio? Também foi alguma conspiração?

    Definitivamente, o Guaíba não pode ser um rio. O Guaíba FOI um rio, como atesta seu paleocanal hoje afogado. Inexistem no mundo rios na frente de deltas pois um delta se forma diante da incapacidade do rio dispersar sua carga de sedimentos.

    Este engenheiro, suposto especialista no tema, deveria saber que o perfil de equilíbrio fluvial é SEMPRE ancorado pelo delta que está à sua frente. O perfil de equilíbrio fluvial termina no Delta do Jacuí. Tudo que está à frente deste delta não pode ser classificado como rio. (E existem outras tantas características a serem discutidas ao invés de leis, decretos e supostas conspirações… ).

    Ao longo das variações relativas de nível do mar, os deltas transitam entre as posições de beira de plataforma, como aconteceu nas últimas glaciações, (quando o Guaíba aí sim era um rio típico de lowstand ) e as posições mais recuadas, como é o caso do Delta do Jacuí, um bayhead delta TÍPICO.

    Se não fosse pelo sistema laguna-barreira, o Guaíba seria um estuário. A existência deste sistema não basta para transformá-lo em rio. Também são insuficientes para tal intento os devaneios paranóicos de um engenheiro civil.

    Um abraço.

  2. Cabe destacar que o engenheiro Wittler na palestra onde apresentou seu slideshow disse não estar fazendo uma contestação técnica ao trabalho acadêmico.
    Fez críticas ao uso político que foi dado a ele, uma vez que a legislação municipal (Lei Orgânica) trata o Guaíba como Rio, mas para efeito de APP o trata como Lago.

    Isso foi o que ele chamou de “a grande farsa”.

    • Pois é. O problema é exatamente este.

      Este senhor que não se propõe a discutir a questão técnica, certamente por não dominar o tema, quer nos convencer que desvendou um problema bem mais complexo, a tal da “grande farsa”, que teria sido maturada ao longo de 30 anos de administração pública e perpetuada por governos de diversas correntes políticas, a qual culminou com a manipulação de 3 instituições de peso como a UFRGS, a PMPA e o INPE, além de 200 pesquisadores nacionais e estrangeiros. Nunca vi coisa mais boba.

      Ao que nos caberia imediatamente perguntar: Érico Veríssimo também faz parte desta farsa?

      ( “Situada sobre uma série de colinas e vales, às margens do chamado Rio Guaíba – QUE NA REALIDADE É UM LAGO – e com seu centro comercial a avançar águas adentro numa espécie de promontório, a cidade de Porto Allegre […] (E. Verissimo, Lembranças de Porto Alegre, 1963, Editora Globo).

      Eudoro Berlink, Padre Rambo e Tupi Caldas também?

      Quer dizer, o discurso deste senhor, ventríloquo daqueles que invejam a fabulosa obra do Atlas Ambiental, não é só um desrespeito à cultura científica gaúcha, mas uma afronta à própria história do Rio Grande do Sul !

      Qualquer um que conheça um pouco dos textos sobre o tema sabe que o conceito de lago aparece na literatura científica sobre o Guaíba muito mais frequentemente do que o de rio, o que faz do slide onde ele afirma “…Antes da oficialização da Farsa por Decreto, no mesmo ano, surgiu o Atlas Ambiental de Porto Alegre, pela primeira vez falando de Lago Guaíba.”, uma mentira descarada.

      Quantas outras mentiras compõem o discurso deste engenheiro e sua tese caluniosa?

      Um abraço.

  3. Zeca

    Antes de falar de alguem ou tomar partido deves ler o que existe de tese sobre o Guaíba, pois de outra forma são levianas tuas INSINUAÇÕES.

    Veja uma tese do Professor Toldo Junior que diz que o Guaíba é Rio, tese baseada em elementos obtidos por observações ao longo do Guaíba.

    http://www.myebook.com/index.php?option=ebook&id=25428

    O professor Toldo leciona no Mestrado e Doutorado, enquanto Menegat é professor de formação apenas.

    Nada tenho contra a tese do Professor Menegat, mas é apenas mais uma e nunca foi aceita por quem de direito.

    O nome de Rio para Lago foi feito na MARRA quando Menegat era Secretário Adjunto da SMAM, sem nenhum amparo legal. O próprio Menegat justificou a alteração em entrevistas dizendo que a alteração se deu em face de um Decreto do Amaral de Souza, que nunca existiu.

    Portanto antes de falar ou questionar, leia e aprenda sobre o assunto. Por outro lado se identifique melhor, pois assim é mais fácil discutir o assunto.

  4. O Zeca Oliveira enviou um longo documento em Word e pediu que fosse disponibilizado um link para ele, como resposta ao Wittler.
    Aqui está a parte de seu comentário e o documento será disponibilizado no Esnips

    Henrique

    Tendo em vista o pouco espaço disponível para veicular neste espaço uma resposta condizente com as calúnias que você promove sem o mínimo conhecimento de causa, encontra-se disponibilizada num documento em Word minha resposta aos seus devaneios.

    Se eu tivesse a mesma destreza que você para promover calúnias, até poderia dizer que sua resistência em abandonar o conceito de rio deva-se ao fato de você ter sido um dos responsáveis pela colocação do emissário cloacal defronte ao Gasômetro, julgando que o tal rio se encarregaria de levar embora os dejetos que atualmente empestam a margem leste do Guaíba. Este é um exemplo bastante concreto dos problemas oriundos de adotar-se uma estratégia calcada em conceitos equivocados.

    Mas vou me deter à discussão conceitual proposta, por enquanto

    • Zeca seja lá teu sobrenome

      Não rewspondo a pessoas que não têm educação suficiente para debater um assunto. partindo para a ofensa que não leva a nada.
      Não posso avaliar suas intensões mas posso de antemão dizer que o que voce quer é outra coisa, é aparecer.
      Para debater estes assuntos voce deveria cxomparecer nos fórum da assembléia e Câmara. mas onde estava você?
      Se o que eu disse for calúnia que o prejudicado me processe. Agora voce me chamar de Caluniador, que é você para isto, escondico sem aparecer?
      Chega para mim, faça e escreva o que quizer

  5. Zeca

    Não discuto com pessoa de baixco nível que sem apresentar argumentos parte para a ofensa.
    Tenha suas idéias, faça defesa delas e tenha bom proveito.
    Quanto a caluniador como dizes, veremos a sedguir, pois é séria esta tua acusação. Se caluniei alguem que ele me processe, é o caminho normal.
    Agora por dizer que o Rio não é lago voce me chamar de caluniador é baixaria.
    Procure gente de seu nível.

  6. Apesar de ser leigo no assunto (minha área profissional é outra), venho acompanhando há algum tempo este debate com o intuito de esclarecer-me um pouco a respeito.

    Gostaria de registrar que acabei de ler o extenso documento em pdf remetido pelo Sr Zeca.

    Pareceu-me repleto de argumentos e portanto não consegui entender porque o Sr Henrique escreveu “não discuto com pessoa de baixco (sic) nivel que sem apresentar argumentos parte para a ofensa.”

    Argumentos não faltam naquele documento…

    O debate vai terminar dessa forma?

    Se possível, gostaria de ser esclarecido a respeito.
    Vou aguardar.

    Leonel.

  7. Henrique, não fique nervoso. Antes de mais nada eu vou me apresentar porque você é tão ansioso por titulações, quanto pobre em argumentos.

    Meu nome é José Oliveira, sou geólogo formado pela UFRGS, pós-graduado pelo Convênio PETROBRAS-UFRGS e pelo Departamento de Ciências Jurídicas e Econômicas da UFRJ. Possuo especialização em Geologia de Petróleo pela Universidade Corporativa da Petrobras, empresa na qual trabalhei como pesquisador no CENPES. Fui Consultor Técnico de Geologia e Meio Ambiente da Agência Nacional de Petróleo, Geólogo de Exploração Sênior na Bacia de Santos e pesquisador da Unisinos.

    Apresentações feitas, prossigamos.

    Quando você inclui uma obra premiada no mundo inteiro, da qual eu sou autor, numa suposta farsa, quem baixa o nível é você e quem faz uma acusação das mais sérias é você, ao abrir com esse tipo de argumento os debates. E se eu uso a palavra “calúnia” é porque você usou, antes, a palavra “farsa”. Quem diz o que quer, ouve o que não quer.

    Está lá no seu “slide 30” a afirmação INEQUÍVOCA acerca da “farsa” do Atlas, que teria sido contratado para benefício de terceiros.

    “Este decreto Estadual levou os que queriam caracterizar plenamente o conceito de Lago para o Rio Guaíba a contratarem a elaboração do Atlas Ambiental de Porto Alegre, pago e elaborado por entidades ou ligadas á entidades Governamentais, ou delas dependente. ESTE ATLAS QUE FAZ PARTE DA GRANDE FARSA endossou a palavra Lago Guaíba e serve hoje de escudo para os que assim querem se proteger ou beneficiar á terceiros, inclusive a própria SMAM”.

    ISTO é que é uma acusação grave senhor Henrique e que não pode ser feita de forma leviana, quer dizer, sem qualquer prova.

    E mais uma vez você tenta distorcer o debate técnico. Em nenhum momento lhe chamei de caluniador por você considerar o Guaíba um rio, o que seria uma contradição de minha parte. (Aliás, quanto a esta discussão, meus argumentos concretos estão lá postados mais acima, para todos lerem). Chamo-lhe de caluniador porque você inclui a fenomenal obra do Atlas Ambiental de Porto Alegre numa suposta farsa SEM APRESENTAR EVIDÊNCIA ALGUMA. É você que precisa apresentar provas de que uma grande farsa teria sido maturada ao longo de 30 anos de administração pública e perpetuada por governos de diversas correntes políticas. É você que precisa demonstrar que esta suposta farsa culminou com a manipulação de 3 instituições de peso como a UFRGS, a PMPA e o INPE, além dos 200 pesquisadores nacionais e estrangeiros que participaram da obra. É você que precisa provar que esta maravilhosa obra que deveria encher de orgulho o movimento ecológico gaúcho foi “contratada” para beneficiar terceiros. E em nenhum momento do debate você apresenta qualquer argumento sério nesse sentido, pelo contrário. Em um dos seus slides você afirma:

    “Antes da oficialização da Farsa por Decreto, no mesmo ano, surgiu o Atlas Ambiental de Porto Alegre, PELA PRIMEIRA VEZ FALANDO DE LAGO GUAÍBA.”

    VOCÊ escreveu isto. Eu estou argumentando com base em algo concreto. Isto que você afirma NÃO é verdade. Lago de Viamão, Lagoa de Viamão e Lago de Porto Alegre são os nomes científicos mais antigos do Guaíba. Nosso saudoso Érico Veríssimo chamava o Guaíba de Lago, como demonstrei. Isto é uma mentira que você perpetua por artimanha ou por desconhecimento e qualquer uma destas hipóteses o desqualifica para a discussão proposta. Quantas outras mentiras fazem parte do seu discurso?

    E você pretende se revestir de uma suposta autoridade ambiental porque você comparece a reuniões? Há quanto tempo você passou a acompanhar reuniões ambientalistas? Depois de drenar quantos banhados ou afogado quantos ecossistemas como técnico de obras de engenharia hidráulica?

    Ora, você quer falar de reuniões? Onde você estava quando da luta para a não implantação do Pólo Petroquímico no início dos anos 80? E da luta contra a energia nuclear, pelo fim das emissões da Borregard, pela defesa de Carajás e da Amazônia? Não me lembro de ter visto você em nenhum movimento ambientalista da nossa vanguardista Porto Alegre…

    Estás aparecendo somente agora, e fazendo uso de argumentos e práticas que depõem contra o movimento ambientalista histórico e sério que tanto orgulha nossa capital. O movimento ambientalista precisa, acima de tudo, de democracia e argumentos verdadeiros para levar adiante suas bandeiras. Teus métodos só servem para dois propósitos: afastar as pessoas e semear confusão. Péssimo para o ambientalismo. Ótimo para os desenvolvimentistas que querem avançar nas margens do Guaíba.

  8. Infelizmente falta-me a eloquência do Zeca, mas faço questão de expressar minha solidariedade a ele neste debate.

    Já que as apresentações são essenciais, vamos a elas:
    Geólogo formado pela UFRGS, pós-graduado no mesmo Convênio PETROBRAS-UFRGS que o Zeca, há 42 anos atuando como geólogo da PETROBRAS em sete bacias sedimentares diferentes, e há 15 anos Coordenador Didático e Consultor Senior na Universidade Petrobras no Rio de Janeiro.

    A questão ambiental é uma preocupação crescente, e não poderia ser diferente na nossa espetacular Porto Alegre. A intensa, extensa e incansável obra do DOUTOR RUALDO MENEGAT só pode ser alvo de nosso respeito e admiração.

    Parêntesis: O Dr. Menegat também fez mestrado no mesmo Convênio já mencionado, e posteriormente doutorou-se pela UFRGS. Nos últimos vinte anos, veio muitas vezes ao Rio de Janeiro ministrar disputadas aulas de Epistemologia da Geologia na Universidade Petrobras, A NÍVEL DE PÓS-GRADUAÇÃO.

    Basta ler o livro escrito por ele e Clovis Carraro, do qual eu tenho o privilégio de ter um exemplar autografado, para entender definitivamente que o Guaíba é um lago. Neste pequeno volume os autores desfilam uma longa série de argumentos geológicos, geomorfológicos, hidrológicos, biológicos, etc., não deixando dúvidas.

    O argumento final está nesse livro, lançado na Feira do Livro 2009. Os lagos são mais sensíveis e frágeis que os rios, portanto deve-se MUDAR a legislação para protegê-los mais ainda das construções e despejos de dejetos. Este deve ser o esforço dos poderosos, e não desqualificar o autor ou sua obra.

  9. O Leonel mandou um comentário perguntando o motivo de não ter sido publicado um comentário anterior.
    O motivo é simples e foi enviado por e-mail ao Leonel, mas o e-mail retornou como inexistente!
    Tentamos responder novamente por e-mail e retornou de novo como endereço inexistente…

    Então aqui está o motivo (enviado por e-mail) de não ter sido publicado o comentário, acrescido agora pelo fato do endereço de e-mail do Leonel ser inexistente:

    Leonel,

    Desculpa, mas teu comentário parece ser apenas uma “provocação” para o acirramento das discussões.
    Esse não é o objetivo desejável nesse momento. Esclarecer, concordar, discordar ou pedir maiores informações, tudo bem…
    Por esse motivo, pedimos desculpas mas não publicaremos teu comentário dessa maneira, caso queiras refazer o comentário, de modo que não seja uma simples provocação, ele será publicado.

    Administração do Blog

  10. E se fosse feita uma ligação rodoviária entre Viamão e Barra do Ribeiro, aterrando a Ponta de Itapuã, o que aconteceria? alagaria, no mínimo, toda a Região Metropolitana, antes de romper a “surreal rodovia”.
    Claro que tem a questão do Delta e o fato que o Guaíba possui forma de Lago, mas é estranho considerá-lo como tal. Fora que há diferenças no nível das águas no traçado compreendido entre o Delta do Jacuí e a Ponta de Itapuã. Por falar em Jacuí, mais uma prova que o sistema em discussão é um rio: aqueles porcos que desapareceram em Agudo/RS e arredores (na época que caiu a ponte) e apareceram em plena praia de Ipanema alguns dias após. Daí mais uma pergunta: como aconteceria isso num Lago?! Alguém já nevegou próximo das pontes (para dar um exemplo fácil de verificar) nessa época do ano, contra a forte correnteza?
    Não sou titulado ao nível dos debatedores (prefiro chamá-los assim), mas um profundo conhecedor (em campo) e navegador desse complexo sistema. Acredito sim, que muitas águas dos “bolsões” ficam “paradas” algum tempo, mas no meio do canal, não tem nada de lago!
    Cordialmente,
    Alexandre

  11. Prezado Alexandre
    Realmente, podes não ser especialista na área, mas teu sentimento é o mesmo que pautuo o pensamento da maior parte da sociedade brasileira e do Rio Grande do Sul até 1998. Para verificar que até 1998 o Guaíba éra denominado de Rio Guaíba, pode-se recorrer a Assembléia Legislativa do RS e ler todos os Processos e Leis que ali tramitaram e encontraremos, a cada referência ao Guaíba, o têrmo RIO Guaíba. O mesmo ocorre nos documentos Oficiais de Porto Alegre. Se formos ao IBGE, até hoje, em seus mapas, encontraremos, Rio Guaíba.
    A partir de 1998, quando Britto criou o Comitê do Lago Guaíba, como poderia ter dito Comitê dos safados, ou outro nome qualquer, os aproveitadores, que queriam ocupara orla do Guaíba, aprovaram a idéia e começou a construção desenfreada nesta área, se agravando a partir de 2008, quando a Camara de Vereadores entendeu que a casa éra de “Irene”.
    Explico: A Lei 4771/65, veja 1965, já aplicável ao Rio Guaíba desde aquela data, previa na sua letra a) que em Rios com mais de 600 m de largura (Guaíba) a área de preservação seria de 500 m (respeitada até o fim dos anos 90). No entanto a mesma Lei na letra b) defenia a largura para lagos, que próximo ao final dos anos 90 foi regulamentada definindo área de proteção de 30 m em Lagos em áreas urbanas. Dai toda a FARSA, que na época passou desapercebida.
    A justiça, em outros EStados, têm mandado demolir tudo que foi construído depois de 1965 e que desrespeitem a Lei 4771/65. Por isto esta briga de alterar o Código Ambiental Federal e dos Estados, para permitir que se destruam as margens.
    Veja que os porcos que relataste no teu depoimento e que acabaram sendo arrastados em poucas horas por toda área fronteira a Porto Alegre, que na realidade prova que no Guaíba ocorre uma das características fundamental de rio, foram apenas sacrificados, pois os “PORCOS” que convivemos no Executivo e Legislativo de Porto Alegre continuam atuando e destruindo o Rio Guaíba.
    Esta briga poderosa dos especuladores imobiliários paga muito bem, inclusive, em 2008 o Vereador Bernardino Vendrusculo, em um programa de Rádio, disse que corria dinheiro na Câmara municipal para aprovar projetos na orla e hoje dia 02 de agosto de 2010, o próprio Vereador, que faz parte das festa Farroupilha fez e foi publicado em ZH, uma brincadeira ofensiva com a Religião Católica dizendo:
    “Não nos deixeis cair em tentações na prestação de contas. E livrai-nos dos atoleiros e más companhias”.
    Vai ver que na oportunidade que denunciou a propina esteve em má companhia e não se escapou dela?

    Veja a notícia:

    Pai-Nosso do acampamento
    Faltando pouco mais de um mês para a abertura de mais um Acampamento Farroupilha na Capital, o vereador Bernardino Vendrusculo (PMDB) encontrou uma forma bem-humorada de protestar contra dois problemas insolúveis desde a edição passada: as suspeitas que recaem sobre as prestações de contas e a falta de drenagem do parque Maurício Sirotsky Sobrinho.

    Em uma paródia da oração do Pai- Nosso, escreve: “Não nos deixeis cair em tentações na prestação de contas. E livrai-nos dos atoleiros e más companhias”.

  12. O tempo passa, o tempo voa, e volta e meia lá vêm as mesmas sandices. Com que propósito, é bom perguntar.
    É claro que os porcos foram parar em água parada. E água parada chama-se LAGO. Se fosse rio, seriam carregados correnteza abaixo até a LAGUNA dos Patos. E é claro que há correnteza sob a ponte. Ali está o DELTA. Antes de falar bobagens, sugiro que leiam o livro dos DOUTORES CARRARO E MENEGAT. Ali tudo está muito bem explicado.

  13. Prezado Alexandre, se você reler todos os posts e links verá que existem duas discussões paralelas. Uma delas, na qual você se incluiu, é eminentemente técnico-científica, e busca debater exclusivamente a questão da classificação do Guaíba. A outra é uma teoria da conspiração política, a qual o Sr Henrique, com o oportunismo que lhe é peculiar, mais uma vez tenta levar a cabo, ao responder-lhe com um post que não possui qualquer relação com os pontos que enumeraste.

    Suas observações de navegador experiente estão corretas. Ocorre que nenhum manual técnico-científico afirma que um lago não pode ter fluxo de água o que, aliás, é bastante comum. Os grandes lagos nos EUA e Canadá, que também possuem canais em seus leitos, possuem tanta correnteza que no emissário entre os lagos Erie e Ontário situam-se as famosas cataratas do Niágara.

    (Se você encher um tanque de água e deixar a torneira aberta a ponto deste transbordar, você não vai chamá-lo de mangueira por causa disso, vai?)

    Nas regiões periglaciais, igualmente, os lagos possuem fortes fluxos sazonais decorrentes do degelo. Os raros lagos que não extravasam suas águas por serem fechados ou por terem baixo influxo tornam-se hiper-salinos, como o Mar Morto.

    Quanto ao canal do Guaíba, este é uma feição ínfima em proporção à largura de seu leito e encontra-se afogado em virtude da transgressão que afogou o antigo rio. O canal só existe até hoje em virtude da ação antrópica realizada para permitir a navegação de grande porte e não pode, por isso, ser confundido com um canal fluvial. Com efeito, suas características são semelhantes às de canais sublacustrinos.

    E não esqueça que canais, isoladamente, não servem para classificar rios, senão teríamos de batizar de rios feições muito mais espetaculares que o canal do Guaíba e que ocorrem nas águas profundas de muitas bacias oceânicas.

    Para continuares te ilustrando no tema, sugiro-lhe a leitura de “Manual para saber por que o Guaíba é um lago” de Menegat & Carraro, (Armazém Digital – 2009).

    Um abraço.

  14. Prezado Zeca

    Não sei se és especialista na área de rios e lagos, ou seja na área especifica da Geociências, se não fores, estas procedendo como torcedor da dupla grenal, sou este ou aquele porque sou.
    Não sei do teu interesse em me desqualificar como oportunista, tal atitude eu não tenho contra ninguem, tento mostrar a posição e o que vi até agora é triste, neste caso do Rio Guaíba.
    Fui fundador e professor da diusciplina de Hidrologia da PUC/RS, ali também fui Professor exercendo a titularidade de Portos Rios e Canais e de Planejamento Hidroelétricos, portanto me acho qualificado em face de teses tirar as conclusões em áreas afim.
    Ora o Senhor Menegat da Geociencia é um Professor de formação, não é especialista na área de rios e lagos, suas especialidades são outras e foi o coordenador do Atlas Ambiental, sendo que a tese de Lago alí colocada é do Professor Hans Thofner, na época já falecido.
    Existem professores na Geociência da UFRGS, que lecionam á nivel de Doutorado e Mestrado que tem tese de que o Guaíba é Rio e demonstram face a ensaios e observações de campo. O Professor Elirio Toldo Junior é um deles e no link seguinte podes ler o trabalho feito pelo mesmo:
    http://www.myebook.com/index.php?option=ebook&id=25428
    Veras nele que tudo indica para Rio e não Lago.
    O porque das mudanças é o que tenho escrito e o que escrevo esta em jornais curriculos e na Internet.

  15. Caro Henrique, Bill Murray protagonizou um filme muito singelo e interessante intitulado “O Feitiço do Tempo”.

    Nele, um meteorologista de uma rede de televisão a quem foi dada a enfadonha tarefa de cobrir as festividades do Dia da Marmota na pequena cidade de Punxsutawney é condenado, inexplicavelmente e para seu desespero, a repetir indefinidamente os eventos daquele dia.

    A partir desta situação inusitada, o filme nos permite uma reflexão não só acerca da nossa relação com o tempo de que dispomos em vida e o que fazer com ele, mas também da forma como nos relacionamos com pessoas e situações que nos cercam.

    Mas por que a referência ao filme? Porque foi exatamente dele que eu lembrei ao ver o seu post, onde você, na tentativa oportunista de pegar de surpresa algum novo participante do tópico, retoma o mesmo discurso de 8 meses atrás, cujos pontos já foram todos exaustivamente replicados em meus posts acima e neste link:

    http://www.esnips.com/doc/de77391f-ecbd-461c-b141-5060fe78c674/Gua%EF%BF%BDba-n%EF%BF%BDo-pode-ser-rio/nsprev,

    (incluindo aquelas 6 páginas do professor Elírio que você chama de “tese”).

    Déja Vu.

    E oportunista é “aquele que sabe tirar proveito das circunstâncias de dado momento, em benefício de seus interesses.”

    Ora, é exatamente isto que você faz quando coloca em pauta os mesmos assuntos de 8 meses atrás como se fossem coisas novas, motivado por um post recente onde o debatedor manifesta opinião sobre aspectos técnicos específicos, os quais, mais uma vez e a despeito de um currículo que não cansas de exibir, você negligencia em sua totalidade para tentar nos vender de novo sua desacreditada teoria da conspiração.

    Henrique, de forma análoga ao que faz o personagem de Murray naquele filme, talvez você devesse, de uma vez por todas, amadurecer sua relação com este debate e trazer novos argumentos à discussão aqui proposta.

    Ou amanhã será Dia da Marmota, de novo?

  16. Zeca Oliveira

    Não respondeste sobre o trabalho que anexei o Link, sobre o tema Rio Guaíba, feita pelo Professor Toldo Junior dos Cursos de Mestrado e Doutourado da geociência. Porque?
    Leia a LEI ORGÂNICA DE PORTO ALEGRE, desde a sua promulgação até as últimas mudanças em 2009 continua constando, sempre que se refere ao Guaíba, como RIO GUAÍBA.
    O que nos interessa é a Lei 4771/65 que determina se Rio 500 m e se3 lago 30 m de área de preservação. Se verificares até 1998 a FEPAM, A Assembléia Legislativa, a Preferitura de POA, todos chamavam de Rio Guaíba, portanto mudou após 1998 o nome, mas a Lei continua e deverá ser aplicada neste caso como Rio.

    • Henrique, respondi sobre este trabalho no dia 02/10 de 2010! O link é este e está postado lá em cima. http://www.esnips.com/doc/de77391f-ecbd-461c-b141-5060fe78c674/Gua%EF%BF%BDba-n%EF%BF%BDo-pode-ser-rio/nsprev

      Se a lei foi mal formulada ou se a mudança de classificação vai trazer problemas ambientais nós temos que discutir isto juridicamente. Impossível não existir um dispositivo jurídico para consertar isto. Oportuno enfatizar novamente que o Guaíba ser considerado um lago é muito mais interessante para a sua gestão hídrica pois UM LAGO DEMANDA MAIS CUIDADOS AMBIENTAIS. Não tenho dúvidas que parte da poluição do Guaíba deriva do fato das pessoas imaginarem que, enquanto rio, possui uma boa capacidade de dispersão da carga poluente. O que não pode acontecer é nós mantermos esta absurda e vexatória classificação de rio só para não nos envolvermos em problemas jurídicos. Paciência. O Guaíba não é um rio. Vamos trabalhar para não retrocedermos naquilo que já se conquistou.

      Mas não me custa enfatizar novamente o que disse sobre o trabalho:

      Se você reparar naquelas 6 que você chama de “tese”, existe uma figura lá onde estão exibidos PALEOCANAIS. Não fui eu quem escrevi. Foram os autores do trabalho. Ora, como o próprio nome já diz, paleocanais são canais antigos e nós não podemos utilizar canais antigos para classificar um curso d’água atual. Ponto final.

      Outra figura mostra um mapa batimétrico. Desde quando mapas mapas batimétricos servem para classificar rios? Pelo contrário! Se você precisa de um mapa batimétrico para provar que algo é um rio, provavelmente ele não é. De fato, o tal “canal atual do Guaíba” está submerso.

      Existe uma infinidade de canais na Bacia de Santos, a 300 km da costa e com 1500m de lâmina d’água que nenhum geólogo sério ousaria chamar de rio. E o Delta do Níger possui depósitos offshore com meandros submarinos de fazer inveja ao Rio Amazonas.

      Para mim, tudo o que é demonstrado naquele trabalho, em essência, é exatamente o que argumentei. O Guaíba FOI UM RIO (a rigor, seria o paleo-Jacuí). Vou repetir. O Guaíba foi um rio. Não é mais. E o que mais me espanta é que o professor Elírio sabe disso. É ele quem está nos mostrando que o Guaíba foi um rio. E FOI um rio no período de mar baixo da última glaciação, quando o Delta do Jacuí ocupava uma posição mais próxima da quebra da plataforma. De fato, olhe lá na “tese”, os paleocanais ocorrem no substrato da Lagoa dos Patos, numa posição mais avançada em direção ao mar, com relação ao contexto atual, possivelmente “perseguindo” o delta que estava à sua frente. Abaixo deles existe um limite de sequências e acima deles os prováveis sedimentos do Trato Transgressivo que testemunham o afogamento do rio.

      Com a evolução da transgressão, o Delta do Jacuí passa a ocupar a posição de bayhead, como ocupa hoje também o Delta do Prata e outros tantos deltas do mundo. (Só existe um Delta de Margem de Plataforma no mundo hoje, o Delta do Mississipi que, por drenar um continente inteiro, possui aporte sedimentar suficiente para se opor à transgressão e teima em manter um sôfrego lóbo progradante. Mas já com uma carga argilosa muito grande e eu não moraria em New Orleans de jeito nenhum).

      Ao ocupar a posição de bayhead, o Delta do Jacuí promove o recuo do perfil de equilíbrio fluvial deixando à sua frente apenas um RIO AFOGADO, que, completamente descaracterizado como tal e ocupando uma ABSURDA posição na frente de um delta, EXIGE uma reclassificação.

      Com relação a os outros argumentos eu só posso dizer para você abrir o Google Earth e olhar o Jacuí e o Guaíba de alguns quilômetros de altura. Se aquilo que está acima do delta é a mesma coisa que aquilo que está abaixo do delta, os critérios de classificação utilizados não nos servem para nada. Simples assim. E o fato daquilo que está acima ser muito diferente daquilo que está abaixo do Delta do Jacuí, denuncia o papel desta importante feição na discussão em tela.

      O fato do Guaíba ter sido descaracterizado enquanto rio muito recentemente na perspectiva do tempo geológico pode justificar que ele guarde algumas características fluviais, razão pela qual a posição do delta é que resolve verdadeiramente o nosso problema, pois nos situa dentro do “timing” do processo. E a posição do delta nos diz que rio o Guaíba já não pode ser pois, por definição e pela fenomenologia intrínseca aos perfis de equilíbrio fluviais, não existem rios na frente de deltas.

      Esta é a questão técnica. O resto é uma farsa que você montou envolvendo a suposta polarização entre riozistas preservacionistas X laguistas depredadores, criada subliminarmente para desqualificar a discussão científica do tema, fazendo uso político das boas intenções da platéia leiga, numa questão que deveria ser puramente técnica e analítica para a qual, aliás, enquetes populares e opiniões de velejadores em nada contribuem também.

      E se você está trazendo este tema de volta, deve ser porque estamos em ano eleitoral e não porque você está preocupado com o Guaíba. Quanto a isto eu repito: Onde você estava quando da luta para a não implantação do Pólo Petroquímico no início dos anos 80? E da luta contra a energia nuclear, pelo fim das emissões da Borregard, pela defesa de Carajás e da Amazônia? Não me lembro de ter visto você em nenhum movimento ambientalista da nossa vanguardista Porto Alegre. Estás aparecendo somente agora, e fazendo uso de argumentos e práticas que depõem contra o movimento ambientalista histórico e sério que tanto orgulha nossa capital. O movimento ambientalista precisa, acima de tudo, de democracia e argumentos verdadeiros para levar adiante suas bandeiras.

      Teus métodos só servem para dois propósitos: afastar as pessoas e semear confusão. Péssimo para o ambientalismo. Ótimo para os desenvolvimentistas que querem avançar nas margens do Guaíba.

  17. Em tempo: Henrique, chega de “Feitiço do Tempo” neste tópico. Tenho mais o que fazer do que repetir indefinidamente as mesmas coisas a você.

  18. Rio/Lago Guaíba tem de ser preservado independentemente da classificação como um manancial de água e biodiversidade riquíssimas.

  19. Caro Zeca Oliveira.
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    Não coaduno com as hipóteses conservacionistas ou não dos defensores do Rio ou Lago Guaíba, pois simplesmente tanto um como o outro necessitam cuidados especiais na sua manutenção. Porém detesto determinadas posturas de se dar carteiraço para cima de pessoas que não tem determinado conhecimento técnico. E como contraposição a isto, não vou dar também um carteiraço, mas vou te dizer que nos últimos doze anos trabalho em sedimentologia experimental e fiquei meio aborrecido com algumas afirmativas que colocasse como dogmas de fé da ciência geológica.
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    Primeiro num assunto que venho estudando especialmente nos últimos cinco anos, perguntaria a ti e outros que te dão respaldo, qual tipo de delta o Jacuí tem?
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    Ele é um delta por onda, por maré ou por transporte de sedimentos? Pois de queres seguir com rigor a notação científica deverias encaixá-lo em uma das classificações. Segundo, ele é um delta lobado ou alongado? De novo fica difícil defini-lo? Qual o mecanismo preponderante? Se fores para o de transporte de sedimentos ele deveria ao cair num lago seguir a sua progressão. Se ele é um delta de bacia rasa ele deveria ser mais lobado do que os de bacia profunda e jamais ter um uma formação exatamente inversa de qualquer delta.
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    Segundo, desde quando a capacidade de dispersão de poluentes no Guaíba tem características de Lago, fizeste alguma medida, leste algum relatório sobre isto. Pois eu sei de medidas que foram feitas com rodamina a mais de 30 anos e nada indica uma capacidade de dispersão que o diferencie muito de rios de planície.
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    Terceiro, quais são as velocidades ao longo de todos os Grandes Lagos para afirmar que são da mesma ordem de grandeza que as velocidades no Guaíba? Sabes a ordem de grandeza destas?
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    Quem disse que o canal do Guaíba é mantido por ação antrópica? Em alguns pontos ele foi aprofundado há mais de vinte anos, depois não houve a mínima dragagem e o canal se mantém, as únicas ações feitas foram para retirar troncos de árvores.
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    Quanto aos trabalhos do Prof. Elírio, tu estás completamente desatualizado, ele tem uma série de medidas no leito do Guaíba tendo inclusive publicado um artigo em revista “peer review” no assunto. Qual foram as medidas executadas no Guaíba para lhe configurarem como um lago? Eu sei quais foram!
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    O que é um Rio Afogado? Nova notação? Estudo hidráulica a superfície livre há mais de 37 anos e nunca vi esta definição, gostaria muito de saber o que significa isto? Eu conhecia afogados no rio, mas rio afogado para mim é uma grande novidade.
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    Teria mais algumas questões que te poderia fazer, mas como acho que estas são suficientes, deixo as demais para outra oportunidade, e como podes ver, não estou nem estarei, se quiseres, passando o “Feitiço do tempo”.
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    Rio ou Lago a diferença é quem cobra o imposto de transmissão de terrenos junto as margens. Se for Rio paga-se o Laudêmio para a Marinha, se for Lago paga-se o ITR para o estado. Isto é o básico.
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    Quanto ao Atlas Ambiental é uma ótima obra, ambiental é claro, eu por exemplo tenho tanto a versão em papel como a digital, e não me arrependo em ter comprado. O Prof. Menegat e seus colaboradores fizeram um ótimo trabalho, porém se fores comparar as linhas de pesquisa que se dedicam o Prof. Menegat (Ensino, aprendizagem e cognição em geociências, Grupo de Estudos Tectônicos, Geologia do Petróleo, Ecologia de Paisagem, Avaliação dos registros e definição da importância ambiental dos incêndios vegetacionais durante o tempo) com a do Prof. Elírio (Geologia Marinha, Geologia Marinha e Costeira, Processos fluviais e costeiros) não dá nem para a saída.

    • Prezado Rogério, antes de mais nada, ninguém deu carteiraço em ninguém. Mantive minhas credenciais fora do debate pois tenho a convicção de que, no âmbito do debate técnico, devemos analisar argumentos e não títulos. Foi a insistência do Henrique que forçou uma apresentação. (Em que pese isto, frise-se, não tenho medo de carteiraços).

      Ora, se você “detesta determinadas posturas de se dar carteiraço para cima de pessoas que – você mesmo reconhece – não tem determinado conhecimento técnico”, imagine como eu me sinto ao ver a obra do Atlas caluniada por este tipo de gente.

      Rogério, pelas questões que você propõe, acho que você não compreendeu a essência da minha argumentação.

      Você inicia dando ares de grande erudição para uma discussão banal.

      Obviamente, ao ocupar uma posição de bayhead com um sistema laguna-barreira à frente, o Delta do Jacuí só pode ser dominado por input fluvial e possuir uma forma própria que torna difícil sua classificação morfológica. Isto é típico de bayhead deltas e não desabona a argumentação principal, pelo contrário. Era só o que faltava você querer que um bayhead delta tivesse a morfologia de um delta de plataforma. Você reconhece que existe um delta e isto é tudo que eu preciso para argumentar.

      Por oportuno, enfatizo uma passagem esclarecedora:

      “O fato do Guaíba ter sido descaracterizado enquanto rio muito recentemente na perspectiva do tempo geológico pode justificar que ele guarde algumas características fluviais, razão pela qual a posição do delta é que resolve verdadeiramente o nosso problema, pois nos situa dentro do “timing” do processo. E a posição do delta nos diz que rio o Guaíba já não pode ser pois, por definição e pela fenomenologia intrínseca aos perfis de equilíbrio fluviais, não podem existir rios na frente de deltas”.

      É exatamente por estes motivos que qualquer discussão de natureza sedimentológica ou hidráulica é de pouca valia no caso do Guaíba. Sugiro-te, portanto, guardar o Galloway na estante pois são conceitos como Trato Transgressivo, onlap costeiro, perfil de equilíbrio fluvial, acomodação, nível de base, linha de baía,… que virão a contribuir para esclarecer a situação do Guaíba.

      Neste sentido, seu desconhecimento sobre o conceito de rio afogado, sobre o qual você, debochadamente, me indagou, é sintomático da tua falta de embasamento teórico básico para a discussão.

      Ora faça o favor Rogério, utilize nem que seja a Wikipédia para saber o que é um rio afogado (drowned river), termo corriqueiro na Estratigrafia de Sequências Fluviais:

      http://en.wikipedia.org/wiki/Estuary#Drowned_river_valleys

      http://en.wikipedia.org/wiki/Ria

      Uma outra questão fugiu à sua compreensão.

      Qual parte de “ não estou dizendo que o Guaíba é um lago. Eu estou argumentando é que RIO ELE NÃO PODE SER” você não entendeu?

      Sugiro que você escreva ao professor Menegat, perguntando-lhe quais os elementos que ele utilizou para classificar o Guaíba como um lago.

      Quanto aos trabalhos do Professor Elírio, eu realmente estou desatualizado. E não poderia ser diferente. Se a correta classificação do Guaíba passa ao largo de questões sedimentológicas e hidráulicas, pouco me interessam as incontáveis medidas desta natureza que o professor Elírio venha a fazer, com quantos engenheiros ele julgar conveniente.

      Em que pese isto, não fui eu quem colocou os trabalhos do professor Elírio em evidência. A questão da “desatualização de conteúdos” torna-se contundente mesmo é para quem se aventurou a construir este debate, tendo como base 1 (um) trabalho do Professor Elírio, com 6 páginas (3 com figuras e 3 com texto), com 7 referências bibliográficas nacionais (do tipo “ação entre amigos”) e que utiliza um mapa batimétrico e uma seção sísmica com paleocanais embaixo da Lagoa dos Patos para classificar o Guaíba de rio!

      Usando das suas palavras: não dá nem para a saída.

      Um abraço.

      • Continuam tentando tapar o sol com peneira. Falam mas não dizem nada.
        Ninguem fala mal do Atlas Ambiental como um todo, o que se fala é que no Atlas foi incluida apenas um quarto página sobre o tema LAGO GUAÍBA e este fato foi usado para adotarem o termo LAGO pois assim sendo a área preservada seria de 30 m e não 500 m de rio.
        Ora em 1965 não se falava em LAGO e sim Rio, é so ler Leis existentes que se referem ao Guaíba, pegarem os mapas e livros da época. LAGO foi adotado após 1998 por interesses do Ministério Público e Tribunais e outros em ocuparem as áreas da orla e após ocupárem começou a gandaia dos Políticos.

        Leiam a história e acabou vale os 500 m de APP e deveria ser desocupada a área ocupada irregularmente.

        Continuo com o Professor Toldo Jr. da Geociências que diz que é rio, mas no caso da Lei 4771/65 pouco importa.

        Se quisere contestar contestem sériamente com fatos e documentos.

      • Caro Zeca.
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        Consegui exatamente a resposta que queria de ti, disseste:
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        “Obviamente, ao ocupar uma posição de bayhead com um sistema laguna-barreira à frente, o Delta do Jacuí só pode ser dominado por input fluvial e possuir uma forma própria que torna difícil sua classificação morfológica.”
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        Veja, não consegues classificar o chamado Delta do Jacuí simplesmente porque ele é uma estrutura singular, ou seja, não se encaixa na figura tradicional de um delta. Há um pequeno detalhe que esqueceste, o chamado delta do Jacuí, não teve a formação como um delta clássico, leia:
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        “Evolução Paleogeográfica do Sistema de Paleodrenagem do Rio Jacuí na planície Costeira do Rio Grande do Sul”,
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        posso até estar errado, mas a gênese do que chamam Delta do Jacuí, talvez no recente e extenso trabalho não contemple o teu modelo.
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        Quanto a tradução literal de “drowned river” para “rio afogado” traz problemas conceituais em morfologia fluvial, pois induz a erros de classificação, acho inclusive que não é muito usual em nossa literatura, mas até posso estar errado, gostaria sinceramente que me citasse algum autor referência brasileiro que utiliza esta notação, pois como os geólogos são pródigos em gerarem nomenclaturas especiais para cada evento diferente, gostaria de me manter atualizado.
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        Só fiquei aborrecido que centralizasse a tua resposta em somente uma das minhas perguntas. E as outras ficaram em aberto? Ou as respostas são inconvenientes?
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        Agora falas que a definição do Guaíba como rio e como lago passa por questões Hidráulicas ou Sedimentológicas, posso por minha parte com veemência afirmar que quanto a questões hidráulicas, medidas feitas não só por engenheiros (que pareces desprezá-las) são mais para a definição de Rio do que para Lago. Ou seja, independente da formação do Guaíba, nos dias atuais ele se comporta mais como um rio do que um lago. Isto posso te dizer com confiança há modelagens matemáticas para fins de controle ambiental que simulam com grande sucesso o Guaíba como um Rio e não como um Lago, principalmente porque sua corrente principal é bem definida.
        .
        Quanto a opinião do Prof. Menegat, já tive oportunidade de discutir com o mesmo e vejo que suas defesa do Guaíba como Lago passa por pequenos detalhes que não superam outras colocações que classificam como Rio.
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        Mas voltando ao teu parágrafo revelador, não consegues classificar o Delta do Jacuí, numa das inúmeras classificações e, da mesma forma, não é possível classificar com clareza o que é o Guaíba. Talvez esta seja a origem de toda a confusão. O Guaíba na realidade é o Guaíba, é uma estrutura singular, com formação diferenciada e comportamento anômalo em relação a Rios e Lagos. Esta necessidade de classificar estruturas leva a impasses surpreendentes, pois a natureza felizmente não segue os manuais, e não acredito que em nenhum momento se terá com clareza o que é o Guaíba. Porém algo é certo, jamais ouvi uma musica, um poema que rimasse com Lago Guaíba, porém com Rio Guaíba há dezenas.

    • Caro Zeca.
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      Infelizmente só hoje consegui abrir o teu texto em que colocas as tuas razões, e devido a isto somente hoje que poderei discuti-las.
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      Sobre o primeiro item concordo inteiramente contigo sobre a qualidade do Atlas Ambiental de Porto Alegre. Na boa tradição de todos aqueles que militam em áreas derivadas das ciências naturais, o corpo de profissionais que elaborou o Atlas fez um excelente trabalho, denominar ou não o Guaíba como um lago ou um rio é um mero detalhe que se não houvesse outros interesses que não eram da equipe a obra seria algo praticamente imaculada. Eu em conversa com o Prof. Menegat só reclamei das dimensões do Atlas, que achei impróprias para estantes e bibliotecas normais, ele justificou através da necessidade de uma escala razoável para posterior utilização. Logo quanto o mérito da obra como a qualidade da mesma não discutimos.
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      Agora vamos a alguns comentários:
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      Primeiro uma nota histórica, a ciência soviética negou por muito tempo não a existência do código genético, mas sim a utilização política que era feita através desta com políticas de eugenia humana. Podes verificar que países considerados socialmente evoluídos, como a Suécia, empregando teorias eugênicas baseadas na genética de 1935 a 1975 esterilizaram 63.000 pessoas. Não estou falando dos Estados Unidos e Alemanha, onde no primeiro este movimento teve origem e no segundo atingiu o ápice da crueldade. Logo, pode-se ver como a ciência é utilizada politicamente muitas vezes com o aval da comunidade científica. Até podemos traçar um paralelo entre a genética e a eugenia e a denominação científica de um corpo de água e interesses escusos, um paralelo que talvez sirva a todos que militam na ciência, e se a ciência soviética sofreu atrasos por negar determinados pontos da genética, mas com isto evitou crimes contra milhares de pessoas, mais méritos a ela do que deméritos.
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      Segundo, e o que mais me deixou atônito, o paralelo que fazes entre os palio-canais do palio-jacuí com canais existentes na bacia de Santos e no Niger em águas profundas. Vou atribuir isto a uma má fé de tua parte, pois seria COMPLETAMENTE IMPENSÁVEL que um geólogo da Petrobrás, geólogo de Exploração Sênior na Bacia de Santos e pesquisador da Unisinos, faça tal comparação. Estás comparando uma estrutura gerada por um rio durante um período de mar baixo (gosto mais da notação mar baixo mar alto, pois palavras transgressivo e regressivo sempre deixam confusão para quem não é bem do assunto, pois não fica claro pela notação se foi a costa ou ou mar que regrediu ou avançou) com estruturas que provavelmente foram geradas por correntes de densidade hiperpicnais, que impropriamente pela maior parte da bibliografia é atribuída somente a concentração de sedimentos que se tem no escoamento sub aéreo que origina esta corrente de densidade (mas isto já é outro assunto).
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      Voltando ao teu texto, esta comparação entre o paliocanal do paliojacuí com canais em águas profundas formados talvez por correntes de densidade, logo no início do texto, me coloca de sobreaviso na leitura do resto do mesmo, pois só há duas hipóteses, a absurda, que um geólogo de petróleo da bacia de Santos não saiba a diferença, ou a factível e mais provável, que na ânsia de comprovar o teu raciocínio contra alguém que tem uma formação geológica praticamente inexistente lance mão de pequenas falácias para provar as tuas argumentações.
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      Uma segunda afirmação no teu texto que me deixa em suspenso é a afirmação que batimetrias não servem para classificar rios. Aí vem outra pequena falácia, batimetrias são meros levantamentos topográficos obtidos abaixo do nível da água, logo como a classificação de rios é feita exatamente pelo exame da distribuição topográfica do mesmo sobre o leito maior do mesmo, não sei como podes afirmar que uma continuidade do levantamento visível (a seco) de um leito de um rio possa não servir para classificar o mesmo. Talvez meus conhecimentos de morfologia fluvial estejam meio enferrujados, mas sempre aprendi que um rio meandrante, ou um entrelaçado, ou um anastomosado ou ainda um reto, não é necessário nada mais do que uma boa distribuição em planta para classifica-lo.
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      Quanto à existência de um delta do Jacuí, que mereça este nome, aqui não é necessário somente a evolução em planta, deveriam ser feitas análises dos sedimentos que o compõe para caracterizá-lo como um Delta propriamente dito, e mais precisaria de uma boa sísmica para verificar as feições do mesmo. Parece-me que não és rigoroso quanto aos argumentos que te convém e tremendamente rigoroso quando em situação contrária. Vi de novo no teu texto a notação RIO AFOGADO, e como me certifiquei que esta notação em português não é nada convencional, faço algumas críticas ao emprego da mesma. Não podes caracterizar com tamanha leveza o Jacuí como sofrendo um processo de afogamento, pois já tivemos em outros tempos níveis de mar alto bem superior aos dos dias de hoje, logo este conceito de afogamento, tão grato aos engenheiros hidráulicos e tão levianamente utilizado pelos geólogos, para mim sem um aspecto quantitativo não tem sentido nenhum, tornando-se mais uma figura de retórica do que uma indicação clara de transição de regime.
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      O teu texto termina de forma abrupta, sem analisar elementos quantitativos que diferenciam rios de lagos, como intensidades das velocidades, tempo de detenção, existência de claras direções de escoamento, estratificação, e outras. Ou seja, argumentas com a existência do delta, não provas materialmente que a formação do mesmo é de delta, e daí por diante ignora qualquer coisa. Sinto muito, mas excetuando na boa qualidade do Atlas não posso concordar com o resto dos teus argumentos.

  20. Rogério, tentar denegrir a moral do interlocutor sempre foi o último reduto argumentativo daqueles que não tem nada a dizer. E envolver nesta calúnia o nome das empresas que trabalhei e da minha Universidade é de uma impostura incontornável. É uma estratégia barata, que deixa transparecer o objetivo estrito de afastar as pessoas e semear confusão. Como escrevi certa vez, isto é péssimo para o ambientalismo e ótimo para os desenvolvimentistas que querem avançar nas margens do Guaíba.
    De fato, você tenta impor ao debate uma complexidade que ele não tem; formula perguntas irrelevantes, coloca um monte de jargões técnicos no liquidificador, distorce palavras, reverte sentidos; uma cortina de fumaça para evitar debater aquilo que verdadeiramente interessa que, aliás, é simples. A geologia é sempre uma caixinha de surpresas, os geólogos não sabem bem do que falam e nós não podemos sufragar irrefreáveis substancialidades hiperpicnais nos confins hidráulicos do aceitamento dos fluxos plausíveis blá blá blá Whiskas sachê. Defendes o indefensável, amparado pelas ideias de quem, em terra de cegos, resolveu coroar-se rei por motivos impossíveis de serem conjeturados à exaustão, sem correr o risco de ferir-se a ética profissional. Mas se toda a tua argumentação nunca cruzou as fronteiras da mera tergiversação, este teu último post inaugura a fase da pura difamação mediante a distorção grosseira daquilo que postei. Eu disse:
    “Se você reparar naquelas 6 páginas que você me indicou e que você chamou de “tese”, existe uma figura lá onde estão exibidos PALEOCANAIS. Ora, paleocanais são canais antigos e nós não podemos utilizar canais antigos para classificar um curso d’água atual. Ponto final”.
    Desde quando eu traço um paralelo entre paleocanais do paleo-Jacuí com canais existentes na Bacia de Santos e no Niger neste parágrafo, cujo raciocínio se esgota nele mesmo? É por ignorância literária ou por má-fé que você despreza o ponto final literal da sentença? Até o leitor mediano, com um mínimo de discernimento, prestaria atenção neste detalhe fundamental, antes de promover a calúnia. Mas posso estar sendo injusto. Vá lá que você tenha mesmo misturado parágrafos, acabando por confundir o meu trabalho profissional com o de algum carreirista de universidade, daqueles que desperdiçam verbas públicas em pesquisas inúteis e que não sofrem qualquer pressão para manter seus conhecimentos atualizados. Plausível. Mas é tão óbvio que não se trata de um mero final de parágrafo mas sim de um ponto final no raciocínio, que só posso atribuir isto à má-fé de tua parte; a mesma má-fé que você, injustamente, atribui a mim. Você simplesmente inventou relações inexistentes entre parágrafos, a seu bel-prazer. Tenha um mínimo de dignidade e honestidade intelectual. Quem tem motivos para ficar atônito sou eu, tanto pela calúnia, quanto pelo absurdo anterior de alguém pretender utilizar-se de canais antigos para classificar um curso de água atual. Algo como reivindicar-se dos canais existentes estratigraficamente abaixo do Estuário do Prata, para classificá-lo de rio. Isto sim é que é falácia meu caro.
    A referência ao Níger e Santos, por sua vez, tenciona sublinhar as semelhanças entre canais fluviais meandrantes e canais submarinos, para enfatizar as limitações que uma análise reducionista baseada na existência de canais e de correnteza possa vir a ter ao abordar-se o caso Guaíba.
    Mapas batimétricos. Acho que sua crítica é pertinente. Eles podem ser elementos importantes. Não o foram no caso do Guaíba porque não foram convenientemente interpretados à luz do modelo espaço-temporal onde ele se insere.
    Delta. Agora o problema é o delta. Ele não é “clássico”. O Delta do Prata também não é “clássico” mas o antigo rio da Prata é chamado Estuário do Prata. O Delta do Tejo não é “clássico” mas à frente do antigo rio do Tejo, temos o Estuário do Tejo. À frente do Delta do Jacuí deveríamos ter o Estuário do Guaíba. É só a existência do sistema laguna-barreira que impede isto. Por que haveríamos de chamar de rio um corpo de água que foi sujeito à mesma fenomenologia que transformou os rios da Prata e Tejo nos estuários da Prata e do Tejo? (Mas será que agora, os mesmos autores que outrora não manifestaram nenhuma dúvida acerca da natureza do delta vão gastar dinheiro público para provar que o delta não é delta?).
    Eu estou sendo rigoroso por usar nas minhas críticas ao trabalho do Prof Elírio o mesmo delta que ele considerou como sendo um delta em seu trabalho? E sou eu que tenho a obrigação de fazer medidas? Essa é boa. Quem deveria ter tido rigor em estudar o significado do delta antes de reiterar a classificação de rio são os pesquisadores que ganharam dinheiro para isto. Minha crítica envolve o arcabouço teórico. Afirmo que rios não podem estar localizados na frente de deltas, reivindicando-me dos conceitos de perfil de equilíbrio fluvial e de linha de baía. O primeiro, responsável pela acomodação de sedimentos fluviais, é ancorado pelo delta à sua frente. Segue-se que rios só podem existir atrás dos deltas e não na frente deles. Você consegue entender este argumento da forma cristalina que está posto? Você consegue compreender o quanto são irrelevantes as questões que você propõe diante do fato concreto de que existe um Delta do Jacuí? Mas talvez, agora, quem sabe, ele não exista né? Agora, “deveriam ser feitas análises dos sedimentos que o compõe para caracterizá-lo como um Delta propriamente dito, e mais precisaria de uma boa sísmica para verificar as feições do mesmo”. (O que é “um delta propriamente dito”?). Tanto é verdade que os deltas encontram-se nas porções distais dos rios, que criou-se o conceito de linha de baía; a linha que demarca o limite entre o sistema fluvial e o sistema deltaico. O conceito também torna inviável classificar o Guaíba como rio. Segue-se que a mera existência do conceito “linha de baía”, pressupõe a impossibilidade de classificar o Guaíba como rio.
    Outra coisa. Eu não preciso analisar elementos que diferenciam rios de lagos porque eu não estou defendendo que o Guaíba é um lago. O Prof Menegat já fez isto. Pergunte para ele. Por mim você pode chamar o Guaíba de braço da lagoa, quase-estuário, lago, lagoa, laguna, piscinão de Ramos ou, simplesmente, de Edmilson. Mas de rio você não pode chamar. Só isto.
    “Não podes caracterizar com tamanha leveza o Jacuí como sofrendo um processo de afogamento, pois já tivemos em outros tempos níveis de mar alto bem superior aos dos dias de hoje, logo este conceito de afogamento, tão grato aos engenheiros hidráulicos e tão levianamente utilizado pelos geólogos. “ Onde eu disse que o Jacuí está sofrendo afogamento? De qual nível do mar você está falando? Eustático ou relativo?
    Olha Rogério, eu já deveria ter deixado este debate porque dar vazão a ele significa, subliminarmente, admitir que ele exista. Algo assim como o debate Criacionismo x Evolução. Não existe sentido em contrapor os dois lados num debate, quando um deles é uma grande bobagem. E considerar o Guaíba um rio é uma grande bobagem. Qualquer técnico minimamente atualizado não cometeria esta gafe. Este debate é um debate inexistente. Este debate é conduzido por amadores no tema. Você escreve a geologicamente corriqueira palavra PALEO como PALIO. (Alô, pessoal da FIAT, patrocinem o nosso debate que nós garantimos o merchandising). Se você escreve paleo como palio é porque você nunca viu a palavra paleo impressa em papel. Se você jamais viu a palavra Paleo impressa em papel, você revela estar muito distanciado da geologia sedimentar, cujos conceitos você finge dominar para confundir o público leigo. E se você jamais viu a palavra paleo impressa em papel, você sequer leu o trabalho do professor Elírio, onde a palavra aparece quatro vezes. E se você defende o trabalho do professor Elírio mesmo sem tê-lo lido, você o defende por interesses alheios ao debate científico e não merece que eu perca mais o meu valioso tempo com você.
    Finalizo deixando-lhes, a título de exemplo e comprovação do que defendo, publicações, cientistas e instituições que utilizam os conceitos de perfil de equilíbrio fluvial e/ou linha de baía no cotidiano da sua práxis científica.
    Geology and Geomorphology of Holocene Coastal Barriers of Brazil, Lecture Notes in Earth Sciences; The Geology of Fluvial deposits; Fluvial Sedimentology, Special Publication, IAS; Shelf sands and sandstone bodies, IAS Special Publication; Sequence Stratigraphy and Facies Associations, Special Publication 18 of the IAS; Sequence Stratigraphy; Sea-level changes, an Integrated Approach, SEPM Special Publication; Siliciclastic Sequence Stratigraphy, Concepts and Applications, SEPM Concepts in Sedimentology and Paleontology; High resolution sequence stratigraphy: innovations and applications; Earth Surface Processes, Landforms and Sediment Deposits; Principles of Sequence Stratigraphy; Unlocking the Stratigraphic Record, Advances in Modern Stratigraphy; High resolution sequence stratigraphy: innovations, applications and future prospects; Ancient Backwaters and Baylines: Slope Magnitude and Its Control on Deltaic Facies Partitioning in Ancient Deltaic Systems (meeting).
    Os autores e instituições que trabalham com os conceitos-chave que inviabilizam a classificação do Guaíba como rio nestas publicações são:
    Andrew Mial,Department of Earth Sciences,University of Toronto; Dr. Patrick Hesp, Dept.Geography & Anthropology, Louisiana State University; H.W. Posamentier, Esso Resources, Canada; Peter VAIL,Department of Geology and Geophysics Rice University; Robert Demicco, Professor of Geology at State University of New York at Binghamton; Dominic Emery, BP Exploration; Keith Myers, BP Exploration; Octavian Catuneanu,Department of Earth and Atmospheric Sciences University of Alberta, Canada; A. ARCHE e J . LÓPEZ-GÓMEZ Instituto de Geología Económica, Facultad de Geología, Madrid, Spain; Peter Doyle e Matthew Bennet, School of Earth-Sciences, University of Greenwich, UK; Janok P.Bhattacharya,University of Houston; John F.Aitken Geology & Cartography Division, Oxford Brookes University, UK; John A. Howell, STRAT Group, Department of Earth Sciences,University of Liverpool, UK, dentre outros…
    Então Rogério, diante do quilate dos cientistas que fundamentam sua pesquisa com base nos mesmos conceitos que tornam inviável classificar o Guaíba como um rio, pergunto-lhe, afinal de contas, qual foi o insight fundamental, qual foi o lampejo de genialidade que permitiu ao Prof Elírio desconsiderar 25 anos de avanços científicos e, na contramão dos seu pares mais respeitados, fazer exatamente o contrário?

  21. Caro Zeca.
    .
    Primeiro não sei porque tanta indignação! Conheço muito bem geólogos da Petrobrás como também de outras petroleiras do mundo, e posso dizer com confiança e segurança que os coloco no mesmo nível do que qualquer outra, Shell, BG …., logo não denegri a imagem de empresa nenhuma.
    .
    Sabia desde início que jamais um geólogo sênior da Petrobrás confundiria um canal de rio (paleo ou ativo) com um canal formado em alto mar por correntes de turbidez. Mas, utilizar frases, como a que utilizasse, mais para ganhar uma discussão do que elucidar um fato científico, não é de todo correto, e talvez por ter descoberto uma falácia na tua argumentação que tenha originada tamanha indignação.
    .
    Nesta última intervenção colocas um parágrafo completo, que permite reafirmar a falsa comparação que fazes:
    .
    “A referência ao Níger e Santos, por sua vez, tenciona sublinhar as semelhanças entre canais fluviais meandrantes e canais submarinos, para enfatizar as limitações que uma análise reducionista baseada na existência de canais e de correnteza possa vir a ter ao abordar-se o caso Guaíba.”
    .
    Pois estes canais tem uma gênese completamente diferente, inclusive apresentando a progressão de seus meandros de forma totalmente diferenciada dos meandros de canais em escoamento sub-aéreo. O que é claro é que eu não sei, tu não sabes e ninguém sabe direito qual o principal mecanismo de formação de canais em águas profundas, são feitas inúmeras hipóteses que não são comprovadas em termos experimentais, e há de convir que uma comparação entre algo que se conhece perfeitamente com uma estrutura que é motivo de grandes interrogações é injusta para leitores menos qualificados.
    .
    Quanto a tua bela lista de publicações que colocaste na tua última intervenção agradeço muito, pois talvez a utilize quando necessitar, noto que tens uma boa biblioteca e isto é extremamente importante para que se forme um bom profissional, principalmente se ele as consultar com frequência.
    .
    Quanto a discussão vou também encerrar por aí, pois por mais que coloque interrogações, tu simplesmente as evita de contestá-las classificando-as de “perguntas irrelevantes”, centrando o teu argumento em um ou dois pontos basilares, como a definição do delta do Jacuí que tu mesmo declaras que não tem nenhum substrato experimental para declará-lo como tal. Da tua argumentação parece que há até um manual básico da geologia que diz:
    -Quando localizares alguma coisa que possa parecer um delta, o rio termina aí.-
    .
    Só para encerrar, nos poucos anos que trabalho com geólogos de ALTO CALIBRE calibre, a maioria da Petrobrás, a mesma empresa que dizes que estou caluniando, tenho visto vários conceitos e visões novas substituírem velhos paradigmas da ciência geológica, muitos deles por lampejos de genialidade tanto desses profissionais de ALTO CALIBRE como por “algum carreirista de universidade, daqueles que desperdiçam verbas públicas em pesquisas inúteis”.

  22. Só um detalhe que na primeira leitura me passou. Se achas que “Como escrevi certa vez, isto é péssimo para o ambientalismo e ótimo para os desenvolvimentistas que querem avançar nas margens do Guaíba.” estás exatamente do lado errado. Pois quem deseja ocupar as margens do Rio Guaíba, são exatamente os que qualifica como “desenvolvimentistas”, que sendo este um lago ele poderá ser ocupado até 50m de sua margem.
    .
    Logo não entendi a confusão que fazes!

  23. AFOGADOS

    Rogério, por oportuno, reitero que são sôfregas tuas tentativas de sustentar o debate em um tema que é de exclusiva competência de técnicos das ciências da Terra. Considero uma irresponsabilidade tratar os conceitos desse corpo d’água de modo tão leviano como vocês estão fazendo. Tal postura já causou impactos significativos na saúde dos porto-alegrenses. Aconteceu com a locação do antigo emissário de esgotos, por exemplo. O engenheiro que o posicionou em local tão impróprio considerou estar absolutamente certo de que se estava em um rio. Mas ao colocar um emissário de esgoto em um rio que não é um rio, ele permitiu que o excrementício, em vez de ser levado correnteza abaixo, acabasse na margem, exatamente no local onde o DMAE coletava a água para abastecer Porto Alegre. Sua certeza de estar tomando a decisão correta decorreu de uma estúpida desconsideração das posições dos cientistas da Terra, que sempre afirmaram tratar-se de um lago e que já tinham advertido de que seria um erro colocar esgoto nesse lugar.

    Em que pese esta discussão, já não tenho mais interesse pelo debate técnico; meus argumentos foram tão exaustivamente expostos, quanto o foram tuas tentativas pueris de desmerecê-los perante o público leigo, razão pela qual te escrevo este, agora sim, derradeiro post para suprimir lacunas sobre o processo de “afogamento” em virtude da sincera solicitação que fizeste sobre “rio afogado”.

    Apesar de você ter se certificado de que “esta notação em português não é nada convencional”, digo-te que não é necessário ir longe para contemplar teus objetivos. De fato, não é necessário sequer deixar as dependências do IPH, já que na introdução de pelo menos dois trabalhos, um colega seu e – veja só – o próprio prof. Elírio, nos informam que:

    “As zonas costeiras apresentam uma diversidade geomorfológica de corpos de água, tais como baías, lagunas, braço de mar, lagoas, vales de RIOS AFOGADOS, rias e fiordes.”

    http://www.pesquisasemgeociencias.ufrgs.br/3302/07-3302.pdf

    http://www.abequa.org.br/trabalhos/0297_elirio.pdf

    Aliás, no trabalho que você me sugeriu e não leu, o conceito aparece 5 vezes.

    http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/56850

    “A característica morfológica mais proeminente, em margens passivas não glaciais, é a presença de vales incisos AFOGADOS”.

    “… primeiro houve a infiltração através dos vales formados pela regressão, AFOGANDO estes antigos leitos e progredindo sobre o continente…”

    “Esta subida do nível do mar AFOGA o antigo leito do Rio Jacuí…” (o que, aliás, eu estou tentando lhe fazer entender).

    “As transgressões…. não foram suficientes para AFOGAR e interromper o curso do paleojacuí…”

    “na saida do paleojacui norte… meandrando sobre seus próprios depósitos … pouco a pouco sendo AFOGADO.

    Na Geologia Costeira e Oceânica temos 2, 12 e 17 menções, respectivamente, nos trabalhos:

    http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/8527/000578648.pdf?…1

    http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/8813/000589477.pdf?sequence=1

    http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/2865

    E tudo isto numa pesquisa trivial, rápida. Portanto, Rogério, acho que nas próprias dependências da UFRGS, você resolve o seu problema. Estude e verás que a referência a “afogamento” está longe de ser leviana, pois que impõe clareza e objetividade circunstanciais ao cenário deveras complexo da Estratigrafia de Sequências e da Geologia Marinha.

    Mas o mais interessante foi constatar que o prof. Elírio, quando lida com profissionais do petróleo, é mais cuidadoso na contextualização de rios e deltas.

    http://www.scielo.br/pdf/rbg/v26n3/a09v26n3.pdf

    Nas figuras 01 e 03 do trabalho, publicado na SBGF, o Guaíba aparece representado, ora vejam, como um LAGO, com o delta do Jacuí convenientemente situado no contexto.

    (Você também não leu este trabalho; nele o prefixo Paleo aparece 60 vezes. Excetuando bibliografia, são 54 menções em 7,5 páginas de texto; média – engenheiro adora média – de 7,2 vezes por página. Palavras como paleocanais, paleodrenagens, paleoambiental, paleogeográfica, paleotopografia, paleontológicos, afeitas à Geologia Sedimentar, abundam no texto. Já observei que você não tem intimidade com elas. Tanto que escreve “palio” deste jeito – alô Fiat!).

    Pois bem. Apenas oito meses depois, com as mesmas linhas sísmicas, foi publicado este trabalho para o “pessoal de casa”):

    http://www.popa.com.br/docs/cronicas/RioGuaiba_ElirioToldoJr.pdf

    Em letras garrafais, lê-se o título “Rio Guaíba”. O que mudou? Algumas medidas de corrente obtidas nas proximidades do Clube Jangadeiros e um suposto canal fluvial, em parte escavado por ação antrópica. E o Guaíba vira rio de novo; um completo nonsense, pelo menos à primeira vista. E o problema passa a ser o delta.

    Eis que agora dizes que o delta do Jacuí tem “uma formação exatamente inversa de qualquer delta”, que eu não consigo “classificar o chamado delta do Jacuí”, que o delta do Jacuí é “uma estrutura singular”, que eu “não provo materialmente que a formação do mesmo é de delta”, que o delta do Jacuí “não se encaixa na figura tradicional de um delta”, que o delta do Jacuí “não teve a formação como um delta clássico”, que “deveriam ser feitas análises dos sedimentos que o compõe para caracterizá-lo como um delta propriamente dito” e que, “precisaria de uma boa sísmica para verificar as feições do mesmo”. Ou seja, agora é o delta do Jacuí que passa a ser o elemento a ser revisto para atingir a “coerência científica” exigida pelo tema.

    Não acredito que estejas empenhado em conhecer o que de fato é o “delta do Jacuí”, mesmo que tal questão se colocasse. E parece-me, de fato, que a tentativa de “desmontar o delta” simplesmente para que o Guaíba possa ser de fato um rio é um enorme disparate. O que isso poderia estar escondendo, já que cientificamente é um contrassenso sem tamanho?

    Então, professor Rogério Maestri, veja bem como são as ironias da vida.

    Tivesse eu a mesma vocação abjeta do Sr Henrique Wittler para fazer acusações levianas e espalhar calúnias aos quatro ventos, eu poderia, tranquilamente, reivindicar-me de um imbróglio jurídico análogo para montar uma história mirabolante, terminando por sugerir que interesses presumivelmente preservacionistas e que se contradizem por tentar desmoralizar uma obra que honra o movimento ecológico gaúcho, escondem a real tentativa de, futuramente, inviabilizar as unidades de preservação do delta do Jacuí.

    Porto Alegre resiste.

    Passar bem.

    • Estava quieto a muito tempo resistindo entrar na discussão, mas este sujeitinho é demais.
      Este senhor Zeca, deve ser o Zeca Bigode, Zeca Pagode, ou seja la quem for é uma pessoa que tenta desqualificar os outros, mas não olha o próprio rabo.
      Com este tipo de gente não se troca informação pois deturpa tudo, qualquer dia ira provar que a mãe dele não é quem é mas é o próprio papai.
      Este sujeito ja extrapolou o limite da discussão e partiu para a ofensa e portanto aqui a encerro.

  24. Li todo o debate acima. Muito técnico, tentando dar verniz de autoridades de estudiosos da terra, mas ao ao decorrer das falas, partem para depreciação pessoal. O que se pode concluir disso tudo é o que qualquer ambientalista de coração concluiria: ” O Guaíba foi RIO. O ser humano, na sua ignorância, individualismo, e mau uso, transformou o Guaíba em Lago, para o bem dos políticos e dos entendidos de alta complexidade, seja por orgulho, soberba ou interesses escusos.Os estudos dessas figuras honrosas, e de vários profissionais despreparados que se formam hoje em nossas Universidades, permitiram que Porto Alegre avançasse seu limite territorial natural em milhares de metros Guaíba adentro. E a cada mudança de mando ou de egos, vamos nos alienando de nossos valores, de nossas raízes e deixando o progresso devastar a natureza como já foi feito um dia com os Guaranis e hoje com o nosso Guaíba..

  25. Pingback: Porto Alegre da Copa, a nova Veneza brasileira | Tempero Verde

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