Rua Pelotas poderá ser tombada

Do Blog “Cão Uivador“, sobre a rua Pelotas:

A rua onde eu cresci

A Rua Pelotas, no Bairro Floresta, na qual morei até pouco antes de completar 11 anos, foi incluída em um projeto que prevê o tombamento como patrimônio ambiental de diversos túneis verdes de Porto Alegre. Ela inicia-se antes da Avenida Farrapos, e estende-se até a Cristóvão Colombo. Entre a Farrapos e a Cristóvão encontra-se o seu túnel verde, formado por jacarandás que durante a primavera florescem e fazem a rua ter também um “tapete” formado pelas flores que caem das árvores.

Não foi por acaso que meu pai escolheu a casa de número 430 (andar térreo) da Rua Pelotas para morarmos, pouco antes de eu nascer. Meu nascimento era previsto para acontecer no fim de outubro ou no começo de novembro de 1981, mas o quadro de pressão alta da minha mãe, que estava internada no Hospital Presidente Vargas desde 30 de setembro, fez com que os médicos decidissem fazer a cesariana na noite de 15 de outubro. Quando a minha mãe foi internada, ela e o meu pai ainda moravam na Azenha, junto com a minha avó (mãe do meu pai). Neste meio tempo, foi feita a mudança para a Rua Pelotas, em plena primavera – ou seja, em sua época mais bela.

Parece “coisa de velho”, mas… Bons tempos aqueles. As crianças brincavam na rua. Apostávamos corridas de bicicleta – eu disputava a hegemonia com o Leonardo, enquanto o Vinicius (meu irmão) e o Diego, os mais novos da turma, brigavam para não ficar em último. Também fingíamos que as calçadas eram as ruas de uma cidade inventada: o Leonardo e eu éramos os patrulheiros, e o Vini e o Diego, para variar, se davam mal.

Coisas da imaginação de criança: com nossas bicicletas, brincávamos também de aeroporto, precisávamos pedir permissão para pousos e decolagens de nossos “aviões”. E sem “caos aéreo”!

Também jogamos muito futebol, quando transformávamos as calçadas em “estádios” lotados. O único problema é que passavam carros e caminhões da Brahma na rua, então tínhamos uma regra: proibido “bicar”. Só que de vez em quando alguém “bicava” a bola, e passava um carro por cima. Aliás, o maior mistério da rua é: o que aconteceu com aquela bola nova do Diego? Ela foi pro meio da rua, veio um carro… BUM! Ela estourou e desapareceu!

Hoje em dia, as tardes da Rua Pelotas são mais “calmas”. E mais gradeadas. É a paranóia da segurança, que faz as crianças brincarem dentro de casa. Naquela época já havia assaltos, mas não esse medo irracional dos dias de hoje, que fez as pessoas abandonarem as ruas: isso sim é que aumenta a insegurança.

Porém, sempre que passo por baixo dos jacarandás ou pela esquina da Cristóvão Colombo com a Pelotas, tenho a impressão de ouvir uma voz de criança gritando: “não vale dar bico!”.

Link: A rua onde eu cresci

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7 pensamentos sobre “Rua Pelotas poderá ser tombada

  1. Não me importa qual rua ganhe… nenhuma rua de Porto Alegre terá as histórias e tampouco marcará época como a Rua Pelotas no Bairro Floresta nos anos de 1950 a 1980.

    • Morei na Rua Pelotas, 370 desde 16 de julho de 1960 até 20 de fevereiro de 1981, Quando fui para São Paulo. Retornei em abril de 1988 e fiquei até abril de 1993, desta vez na esquina da São Carlos, 244 ap 3. Desde então moro em Santana do Livramento. Saudade das brincadeiras, saudade dos amigos de infância, saudade de mim. Ronald Günther (Rony)

  2. Bom dia:

    Gostei da explicação carinhosa/homenagem à esta rua tão bonita/marcante!
    Passo por tal algumas vezes; nessa semana passei DUAS VEZES (ou QUATRO_ida e volta) – um encanto só…
    Meus avós, quando casaram: viviam em tal rua – depois se mudaram para o limite dos bairros FLORESTA/MOINHOS; onde há um prédio feito que resido há 17 anos.
    Muito se fala de tal zona (rua SÃO CARLOS/HOFFMANN/CANCIO GOMES), que é perigosa/mal vista: e felizmente há A PARTE BOA (construções antigas/comércio da época do ‘caderninho’)… Sem querer desmerecer a MODERNIDADE/TECNOLOGIA, só que dá saudades/boas recordações de tais épocas!
    Muitos esperam que tais vias sejam mantidas por tempoa ainda.

    Abraço,
    Rodrigo Rosa

  3. Morei na rua Pelotas no ano de 1960 quando ingressei no primeiro ano primário em uma escola próxima, se não me falha a memória era colégio Fátima. Lembro do cheiro da fábrica da Brahma e do cinema próximo na Cristóvão Colombo. Das brincadeiras de infancia, recordo que jogávamos taco na calçada em frente o prédio onde morávamos que ficava atrás de um supermercado, era uma imitação de basebol. Foram poucos meses, mas ficaram registrados na memória, tinha então 07 anos. Meu pai trabalhava em uma empresa de embalagens Meridional na Ramiro Barcelos. Voltamos para Ijuí em 1961. Hoje Moro em S.José Pinhais – PR. Abraço aos saudosistas: Roberto

  4. gostaria de saber se os moradores atuais gostariam do tombamento. Provavelmente só é bom pra quem não mora mais lá. Sugestão: quem gostaria do tombamento, compra os imóveis e permanece com eles pro resto da vida. É muito bom querer que outros cuidem de algo pra nós.

    • João, na realidade não é um verdadeiro “tombamento”. É transformar a arborização da rua em área de uso especial por causa de suas árvores, que localizadas na Rua Pelotas, pertencem a toda a cidade. Isso valorizará os imóveis da rua. A Pelotas já é uma das “Áreas de Uso Especial”, por lei municipal, ou seja: já foi “tombada”.

  5. Minha infância e parte da adolescência (anos 60, 70 e 80) foram vividas no bairro Floresta. Morava no edifício Jardim, na Av. Cristóvão Colombo, bem no cruzamento com a Rua Pelotas. Naquela época fazíamos fogueira de São João no meio da rua que não era asfaltada, jogávamos bola na praça Florida, trocávamos gibis antes da matiné no cinema Ipiranga. O apito da Cervejaria Brahma marcava as horas ( 7h, 11h e 16h), Ainda dava para brincar com segurança na rua. Jogar bolinha de gude, colecionar figurinhas e jogo de taco. Ainda lembro dos bondes, Saudades dos amigos que fiz, dos colegas do Colégio Mal. Floriano Peixoto (ainda na Cristóvão Colombo), da sorveteria Nevada, Tabacaria do Faísca que vendia revistas, das fugidas na Caixa d’agua, no Caracol, da discoteca Papagaios.

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