Por que carros são mais importantes que árvores nas ruas?

Quantas COPAS por uma copa de futebol

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Para não esquecer: a prisão de ativistas em 29 de maio de 2013

Ativistas NÃO SÃO BANDIDOS!
Porque a Brigada Militar os tratou como se fossem?
Apenas querem preservar árvores e deixar uma vida melhor para as próximas gerações!

Vídeo com trechos de telejornais que mostram cenas do corte inicial em 6 de fevereiro, impedido pela subida nas árvores de jovens, audiência pública e a vergonhosa ação da prefeitura e Polícia Militar na madrugada do dia 29 de maio de 2013. Os jovens dormiam, nenhum reagiu, mas foram algemados, presos e expostos como bandidos.

Às 4,20 da madrugada do dia 29 de maio, a Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul com mais de 200 homens de suas tropas de elite, inclusive cavalaria, invade o acampamento dos ativistas em Defesa das Árvores, prendem e algemam 27 jovens ativistas, atiram os pertences dos acampados em um caminhão e a prefeitura municipal de Porto Alegre inicia imediatamente o corte das árvores. Curiosamente a prefeitura não respeita a Lei do Silêncio que TODOS são obrigados a cumprir, mas isso não surpreende ela já não havia apresentado alternativas para uma obra, exigível para o licenciamento ambiental, que com a “desculpa” da Copa do Mundo cortaria mais de uma centena de árvores. As propostas que entidades ambientalistas apresentaram, nem foram consideradas, mesmo tendo CUSTO ZERO para a prefeitura. O que realmente há por trás disso? Apenas teimosia de nosso executivo municipal ou algo que só muito mais adiante teremos uma visão mais clara?

Jovens impedem a continuidade dos cortes em 6 de fevereiro – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A obra de alargamento das vias não solucionarão o alardeado engarrafamento (que não existe) de tráfego, mas corta árvores que propiciam melhor qualidade de vida para a cidade. Cada uma das árvores de grande porte cortadas captura carbono de 100 carros ao dia! A prefeitura arranca os “filtros naturais” que combatem a poluição e pretende colocar mais carros nas vias. Isso é realmente “progresso”?

No dia 6 de fevereiro 14 árvores foram cortadas antes da ação dos ativistas – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A prefeitura municipal de Porto Alegre havia desistido no dia 29 da Ação Judicial que dera 48h para os ativistas desocuparem o local, então sob que ordens a Brigada Militar atuou? Ordens da prefeitura ou do governo do estado? Até o presente momento o governo do estado silencia, não emitiu nenhuma esclarecimento sobre o ocorrido nem para tentar justificar “operação de guerra” de sua polícia militar. Desde o dia 30 de maio pedimos esclarecimentos ao governo do estado e nenhuma resposta recebemos, talvez por constrangimento.

A ação na madrugada do dia 29 de mais foi mais que uma Operação de Guerra, um planejamento típico de crime, como nos filmes de gangsters.

Jovens acampados e ambientalistas discutem problemas ambientais e a importância das árvores na captura de carbono, em 20 de abril, no acampamento das árvores – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Jovens foram levados para sede de batalhão da Brigada Militar e só foram liberados perto das 9h da manhã do dia 29 de maio de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Nada justifica a maneira como trataram os ativistas, como se fossem perigosos bandidos, eles NÃO SÃO BANDIDOS, são nossos HERÓIS e temos muito ORGULHO deles!

Os jovens detidos, antes de assinarem “termo circunstanciado” – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Depois de liberados foram recolher seus pertences que estavam amontoados como “lixo” em um caminhão da prefeitura municipal de Porto Alegre, que por ironia era da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Não nos calarão. Vivemos em um regime democrático e temos o direito de lutar pela vida e pela preservação ambiental. Se a grande mídia silencia ou distorce nossos argumentos, estamos pedindo auxílio na mídia do exterior, mídia alternativa e entidades que defendam a democracia. Exigimos também que seja retirada a expressão “Copa Verde” da Copa do Mundo de Futebol de 2014.*

Na manhã do dia 29, mesmo com chuva, a prefeitura retalhava as árvores depois da prisão dos ativistas – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

As futuras gerações é que sofrerão com a irresponsabilidade dos que poderiam fazer algo hoje, mas infelizmente se omitem…

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Link para a postagem original no Blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho:

Um mês da ação que envergonhou Porto Alegre!

*A presidência da República, ainda em 2013, mandou retirar a expressão “Copa Verde” de todo a material de divulgação da Copa do Mundo de 2014 e do site da FIFA, atendendo a solicitação dos ativistas de Porto Alegre.

Ação contra Estado e prefeitura por abuso de poder

protestoNo Jornal do Comércio:

Ativistas entram com ação contra Estado e prefeitura por abuso de poder

Fernanda Nascimento

Integrantes do grupo de ativistas que acampou ao lado da Câmara Municipal de Porto Alegre para tentar impedir o corte de árvores no entorno da Usina do Gasômetro no ano passado, ingressaram com uma ação contra o governo do Estado e a prefeitura de Porto Alegre por abuso de poder durante a operação de desocupação da área. A ação é movida por 13 dos 27 manifestantes que estavam no local na madrugada do dia 29 de maio, quando uma operação conjunta, realizada por 200 homens da Brigada Militar e de órgãos da prefeitura de Porto Alegre, retirou as barracas do espaço e prendeu os ativistas.

IMG_9272A retirada aconteceu mais de 40 dias após a colocação da primeira barraca no gramado. O acampamento tentava impedir a retirada de árvores que permitiria a continuidade das obras de duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio) e tinha como segurança jurídica uma liminar obtida pelo Ministério Público, que impedia o corte. Após autorização da Justiça, a prefeitura iniciou a organização da retirada dos manifestantes. No dia 28 de maio, o Executivo municipal conseguiu um pedido de reintegração de posse, que dava 48h para que os ativistas saíssem do local. Horas mais tarde, a própria prefeitura retirou o documento, mas, na madrugada do dia 29 surpreendeu os ativistas com a ação.

Os 29 ativistas que dormiam no local foram presos, algemados e levados para o 9º Batalhão da Polícia Militar, no centro de Porto Alegre. Acusados de desobediência e resistência, assinaram termos circunstanciados e foram liberados no mesmo dia. Na ação contra o Estado e a prefeitura, eles afirmam que houve abuso de autoridade, já que todos os processos instaurados contra os ativistas foram arquivados por falta de provas.

“Para haver crime de desobediência, a pessoa tem que desobedecer a uma ordem e, como eles estavam ali há mais de 40 dias, precisava ser uma ordem administrativa. E não havia nenhuma ordem. O pedido de reintegração de posse dava 48 horas para que eles saíssem do local, e foi a própria prefeitura quem retirou o pedido. Também não houve resistência, todos estavam dormindo no momento em que os 200 policiais chegaram”, afirma uma das advogadas do grupo, Eloisa Agra Hassen.

IMG_9353Os ativistas pedem uma indenização por danos morais e materiais, já que os pertences dos manifestantes foram recolhidos durante a operação e muitos acabaram danificados, como bicicletas, instrumentos musicais e roupas. O valor total da ação é de R$ 248 mil. “Este era um protesto totalmente pacífico, a maioria das pessoas era estudante, muitas delas universitários, que foram taxados de vândalos, vagabundos, maconheiros e delinquentes, causando um abalo moral enorme. Eles foram expostos, não poderiam ter sido presos, nem algemados e passaram por uma exposição pública inestimável”, disse a defensora.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151599

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Felizmente, Porto Alegre resiste!

Vídeo: Fabrizio Arriens

Na quinta-feira, 19 de dezembro, entidades, ativistas sociais e ambientalistas tiveram que fazer pressão junto a vereadores para que a população seja ouvida, que aconteçam Audiências Públicas sobre o Plano Cicloviário e Parque do Gasômetro.

Especialmente sobre o Parque do Gasômetro a prefeitura municipal não aceita que seja votado o projeto prevendo o rebaixamento da Av. João Goulart. Sem o rebaixamento da via não haverá um Parque contínuo, apenas rebatizarão a área e com o trânsito pesado de veículos na via isso impede o acesso público de pedestres à Orla. Um verdadeiro absurdo!

Parque do Gasômetro - imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Parque do Gasômetro – imagem do projeto da RP1/arquiteto Rogério Dal Molin

Desde que foi descoberta a proposta da Região de Planejamento 1 (criação de um Parque unindo as praças Júlio Mesquita, Brigadeiro Sampaio e a área de orla junto a Usina do Gasômetro) e aproveitada entre outras propostas do então Movimento Viva Gasômetro, sempre foi defendida a criação de um Parque CONTÍNUO, sem uma pista de alta velocidade que impede o acesso de idosos, crianças e deficientes.

Ato em defesa do Parque da Harmonia na Praça do Aeromóvel em 17/12/2007 - Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Ato em defesa do Parque da Harmonia, na Praça do Aeromóvel, em 17/12/2007 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Atualmente a quase totalidade dos então integrantes do Viva Gasômetro desligou-se do tal movimento, restando apenas uma pessoa lá, pelo que percebe. Mesmo assim o Movimento Viva Gasômetro insiste em falar em nome da comunidade e participou de um chamado “GT do Parque do Gasômetro”, que inicialmente tinha como integrantes o MP/RS, IAB, AGAPAN, alguns representantes da prefeitura e poucos vereadores. Logo que ficou bem claro que IAB e AGAPAN defendiam um Parque de verdade – contínuo – com o rebaixamento da Av. João Goulart, tanto o IAB como a pioneira Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) não foram mais convidados para as reuniões. A Associação dos Moradores do Centro Histórico, também não participou dos encontros e a prefeitura e Câmara Municipal vendia a ideia que um “movimento”, atualmente de uma única integrante, representava os interesses da comunidade e ambientalistas.

Imagens do antigo Movimento Viva Gasômetro, então com vários integrantes na coordenação:

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No Sul 21:

Após pressões, prefeitura de Porto Alegre fará audiências sobre Parque Gasômetro e Plano Cicloviário

Débora Fogliatto

Previsto para ser votado nesta quinta-feira (19) pela Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto do Parque Gasômetro deve ir à audiência pública em fevereiro ou março de 2014. Após pressão dos movimentos sociais, os vereadores da base do governo concordaram com a retirada da proposta da pauta. Da mesma forma, será apreciado em audiência o projeto que retira a obrigação do investimento de 20% do arrecadado com multas de trânsito em ciclovias.

A vereadora Sofia Cavedon (PT), que havia proposto duas emendas ao projeto do Parque Gasômetro, explica que elas provavelmente não seriam apreciadas se houvesse votação, por falta de concordância com os vereadores do governo. A primeira proposta da vereadora se referia à integração das praças com a Orla através do rebaixamento da Av. Presidente João Goulart. Representantes do movimento que defende a criação do parque estiveram presentes na sessão e afirmaram que, sem o rebaixamento, a área pode ser transformada em uma pista de automobilismo. “O governo já disse que não dá acordo para colocar as emendas no projeto, e elas são fundamentais. É a luta do movimento ambientalista que defende que se rebaixe”, garante Sofia.

Ativistas pedem que não seja votado o projeto Parque do Gasômetro sem uma Audiência Pública e sem o rebaixamento da Av. João Goulart - Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Ativistas pedem que não seja votado o projeto Parque do Gasômetro sem uma Audiência Pública e sem o rebaixamento da Av. João Goulart – Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Durante as discussões com a prefeitura, a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) foi uma das entidades que se manifestou a favor do rebaixamento, proposto na emenda de Sofia. “A Agapan se posicionou a favor do rebaixamento da João Goulart na última reunião que participamos, depois quando as reuniões retornaram não fomos mais chamados”, afirmou o militante Cesar Cardia. Da mesma forma, a IAB também foi retirada do grupo de trabalho.

A outra emenda proposta pela vereadora se refere à realização de concursos públicos para a elaboração de projeto do corredor Parque Gasômetro. “Hoje ficou expresso pelos vereadores da base que eles não querem concurso público. Mas o mais importante não é a divergência, é a questão da possibilidade da população conhecer o projeto em detalhe”, esclarece Sofia. A vereadora já havia proposto na reunião de Mesa e Lideranças que fosse realizada uma audiência pública, mas na ocasião sua sugestão não foi acatada.

Maria Inês Chagas, do movimento “Quantas copas por uma copa?”, defende a criação do Parque e afirmou que o movimento pediu para o vereador Airto Ferronato (PSB), líder do governo na Câmara, o adiamento da votação. “Pedimos para o vereador que não fosse votado sem audiência pública. A intenção deles era passar sem as emendas”, explicou.

Ciclovias

Após discussões na reunião de Mesa e Lideranças, que terminou com os vereadores da oposição pedindo para que a discussão fosse levada ao plenário, os parlamentares decidiram pela realização de audiência pública a respeito do PLCE 010/2013. O projeto retira a obrigação de a prefeitura investir em ciclovias 20% do valor arrecadado com multas de trânsito. Na segunda-feira (16), os vereadores votaram de forma unânime pela não-votação do projeto durante a reunião. Hoje, no entanto, a proposta apareceu na lista de pautas.

Ciclistas e ativistas do Quantas Copas e Agapan fizeram pressão para que a população participe das discussões. - Foto: Leandro Grehs Leite/Facebook

Ciclistas e ativistas do “Quantas Copas” e AGAPAN fizeram pressão para que a população participe das discussões – Foto: Leandro Grehs Leite/Facebook

“Havíamos retirado da votação o projeto que mutila o plano cicloviário. E se retirou por unanimidade, porque independente dos péssimos méritos do projeto, a Câmara concordou com uma audiência pública”, esclareceu Fernanda Melchionna (PSOL) na plenária. Após discussões, os ciclistas que estiveram presentes na Câmara puderam comemorar a decisão de realizar audiência pública sobre o projeto. O líder do governo, Airto Ferronato (PSB), ao concordar com a realização da audiência, afirmou que “jamais o governo vem à Câmara impor o que entendemos como melhor caminho”.

Uma audiência pública já havia sido marcada a respeito do projeto, mas o governo municipal não mandou representantes. “O governo acha que tem o direito de não mandar representação para um projeto de sua autoria. Aceitar isso é aceitar a premissa da monarquia, do autoritarismo, de um governo que se comporta como uma criança mimada, que não aceita críticas”, criticou Melchionna. Segundo ela, o governo nunca explicou o motivo de propor a retirada do investimento.

Com as decisões, os dois projetos voltarão a ser discutidos em fevereiro, quando a Câmara retomar os trabalhos, e devem ser votados até março.

No Jornal do Comércio:

Parque do Gasômetro será votado somente em 2014

Entidades que discordam do projeto pressionaram para adiamento

Fernanda Nascimento

A votação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 20/2013, que institui o Parque do Gasômetro, foi adiada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, quinta-feira. A decisão aconteceu após integrantes de movimentos sociais contestarem o projeto e pedirem a realização de uma audiência pública para discutir o tema. A perspectiva é de que o diálogo com a população aconteça depois do Carnaval, no início de março.

O projeto prevê que o parque terá como limites as praças Brigadeiro Sampaio, Júlio Mesquita e a área que atualmente é de propriedade da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), entre a rua Washington Luiz e a avenida João Goulart, em frente à Câmara. A matéria chegou ao Legislativo dez meses após o corte das árvores do entorno da Usina do Gasômetro, que gerou uma tensão entre a prefeitura e os movimentos ambientais. O Parque do Gasômetro estava previsto na revisão do Plano Diretor sancionada em 2010, mas a legislação específica que deveria delimitar o local em 18 meses não havia chegado ao Legislativo.

Depois de o Ministério Público ingressar com uma ação e conseguir uma liminar impedindo o corte de oito árvores previstas para retirada da praça Júlio Mesquita, o Executivo começou a negociação com a Justiça e os movimentos sociais para delimitar a área. Mas a proposta apresentada não contemplou a todos.

Nas galerias a ação dos ativistas junto aos vereadores - Foto: Ederson-Nunes/CMPA

Nas galerias a ação dos ativistas junto aos vereadores – Foto: Ederson-Nunes/CMPA

A principal reivindicação dos manifestantes presentes na sessão é para que no projeto conste a previsão de rebaixamento na avenida João Goulart, próximo à praça Júlio Mesquita, interligando o Parque do Gasômetro à orla do Guaíba.

Foi fundamental a presença dos ativistas - Foto: Antonio Paz/JC

Foi fundamental a presença dos ativistas – Foto: Antonio Paz/JC

O pedido foi realizado pela vereadora Sofia Cavedon (PT), em uma das três emendas que o projeto recebeu, mas a orientação do governo municipal é de rejeitar a sugestão.

“O projeto que trata da acessibilidade do parque de forma subterrânea custa em torno de R$ 80 milhões, e o Executivo não tem estes recursos. Também existe a possibilidade de ter um parque arqueológico no local, além da questão do lençol freático. Não podemos correr o risco de aprovar algo impossível”, disse o líder do governo, Airto Ferronato (PSB).

Mas, para o integrante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) Cesar Cardia, a passagem subterrânea é um item imprescindível para o projeto. “Isso não é um parque, é apenas trocar os nomes das praças por parque e deixar uma via expressa no meio”, criticou.

As outras emendas também estão na pauta de reivindicação dos manifestantes e, da mesma forma, deverão ser rejeitadas pela base do governo. Uma delas é de autoria do vereador Professor Garcia (PMDB), que requer o impedimento do uso da praça Júlio Mesquita como estacionamento – ao contrário do que prevê o projeto de revitalização da Orla do Guaíba, realizado pelo arquiteto Jaime Lerner, após contratação da prefeitura. A outra proposta é de Sofia e pede a realização de concurso público para a revitalização da praça.

“O governo enxerga com simpatia as duas. Mas este projeto trata da delimitação, então por isso o indicativo de rejeição”, disse Ferronato. Para Sofia, o adiamento é a oportunidade de a população conhecer o projeto e discutir as propostas e emendas, acrescentando novas sugestões. “As emendas são centrais, todo o movimento ambientalista quer o rebaixamento, a integração das praças e o concurso. Nossa defesa é pela maior democracia”, disse a petista.

A única entidade que manifestou contrariedade com o adiamento foi o Viva Gasômetro. Para a presidente da associação, Jacqueline Sanchotene, o adiamento foi uma “derrota para a população mais pobre, que utiliza o parque”. “Ano que vem é eleitoral, tem Copa do Mundo, e isso vai se prolongar. Quem perdeu foi a população de mais baixa renda. Faz sete anos que estou nesta causa e a minha posição é de que deveríamos ter garantido o parque”, afirmou.

Leia:

Isso é coisa de meia dúzia?

Quantas COPAS (de árvores) por uma copa (de futebol)?

A Copa do Mundo é nossa? Charge: Kayser

A Copa do Mundo é nossa? Charge: Kayser

As regras da Copa e a voz da rua

Por Alberto Carlos Almeida | Para o Valor Econômico – 09/08/2013

Todos conhecem a frase de inspiração marxista: “o futebol é o ópio do povo”. Marx escreveu, em 1843, na sua “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, que a religião era o “ópio do povo”. Marx foi muito claro ao afirmar que a religião era o suspiro da criatura oprimida. Para ele, a classe trabalhadora não fazia a revolução socialista porque, dentre outras coisas, seu sofrimento era aliviado pela religião, que prometia uma vida após a morte recompensadora justamente por que na terra eles eram pobres e oprimidos.

O ópio anestesia. A religião e o futebol, para alguns, também. Já há muitos anos é parte de diálogos corriqueiros e artigos de jornais o argumento de que a população pobre brasileira é “anestesiada” pelo futebol. A recente onda de protestos causou surpresa para muitos analistas, que, por causa dela, vieram a afirmar que “o futebol deixou de ser o ópio do povo”. As duas afirmações, a de que o futebol sempre fora e agora deixava de ser um anestésico para o sofrimento, mostra quanto inúmeros brasileiros desconhecem seu próprio país. Além disso, mostra como a memória de todos, não apenas do povo, mas também de segmentos da elite, é curta.

Em 1994, depois de 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, o Brasil sagrou-se tetracampeão nos Estados Unidos. Naquele ano, o futebol teria funcionado como o “ópio do povo”, uma vez que o governo Itamar Franco elegera presidente seu ex-ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Apenas quatro anos mais tarde, porém, essa explicação do comportamento do brasileiro que mistura política e futebol não mais encontraria confirmação. A seleção brasileira sofreu uma derrota acachapante na final para a França e acabou por ficar em segundo lugar. Todavia, Fernando Henrique foi reeleito presidente no primeiro turno.

Em 2002, a visão de que o futebol é o ópio do povo sofreria novo revés. O Brasil seria pentacampeão na primeira Copa sediada conjuntamente por dois países, Coreia do Sul e Japão, e mesmo assim o candidato do governo, José Serra, seria derrotado pela oposição, representada por Lula. Nas duas eleições subsequentes, o Brasil não se sagrou campeão, a Itália venceu a Copa de 2006 e a Espanha, a de 2010. Mesmo assim, nesses dois anos o governo venceu a eleição presidencial, em 2006, com a reeleição de Lula, e em 2010, com a vitória de Dilma.

Considerando-se as cinco eleições presidenciais ocorridas desde que Fernando Henrique foi eleito presidente pela primeira vez, apenas em 1994 o futebol foi o “ópio do povo”. Em todas as outras, ele não anestesiou nem aliviou os efeitos da pobreza. O futebol também não foi capaz de motivar a população contra o governo, pois, em vários anos de derrotas em Copas do Mundo, o governo acabou vencendo a eleição presidencial. Assim, causa enorme espanto que muitas pessoas fiquem surpresas com o fato de a onda de protestos ter acontecido e atingido seu pico justamente durante a Copa das Confederações.

Charge: Eugênio Neves

Charge: Eugênio Neves

No caso da Copa das Confederações, o futebol foi a “cocaína do povo”. Em vez de anestesiar, como faz o ópio, serviu de excitante, como tendem a fazer os psicotrópicos que estimulam o sistema nervoso central. É possível que, na ausência de uma Copa das Confederações, os protestos de junho não tivessem acontecido. Àqueles que desprezam a importância do futebol na sociedade brasileira recomenda-se a leitura de Roberto Da Matta. Ele foi o primeiro a mostrar, fundamentado em sólidas evidências empíricas, que o futebol é para os brasileiros muito mais do que um simples entretenimento e, provavelmente por isso, foi um dos mais importantes estopins dos protestos de junho.

O futebol funciona como um elemento crucial para a socialização de brasileiros nas regras de um jogo. Desde muito cedo, todos nós aprendemos, independentemente de sermos meninas ou meninos, que há competição entre diferentes times e que eles disputam, honestamente, dentro de quatro linhas e têm que respeitar determinadas regras. As regras são claras para todos e, na medida em que as crianças crescem, aprendem a entender coisas mais complexas, como é o caso da situação de impedimento. O futebol é a maneira mais abrangente, democrática, simples, direta, precoce e fácil de ensinar às crianças que é necessário agir de acordo com um certo conjunto de normas.

O futebol ensina muito mais do que isso. Mostra que é possível divergir, que é possível ser adversário e conviver pacífica e respeitosamente. As pessoas convivem em situações de família, de trabalho e de vizinhança, cada qual com seu time – e, após os resultados de jogos e campeonatos, os derrotados têm que aceitar a gozação feita pelos vitoriosos. Os dois lados, vencedores e perdedores, sabem que se trata de uma situação transitória e que o vencedor de hoje será, com grande probabilidade, o derrotado de amanhã. A convivência pacífica é a regra, assim como é a aceitação da gozação. Aprendemos como é possível ser adversário sem ter que se transformar em inimigo.

O futebol, no Brasil, é o reino por excelência da meritocracia. Não há jogador que vá a campo porque é puxa-saco do técnico. Ou o desempenho é permanentemente de excelência ou ele é barrado, e cede lugar a alguém em melhor forma. Tampouco há espaço para qualquer versão que seja de nepotismo. Filhos, irmãos ou parentes de jogadores já consagrados que decidem seguir a mesma carreira do parente célebre precisam mostrar que de fato são bons de bola para terem um lugar ao sol. É por meio do futebol que aprendemos a utilizar a régua da meritocracia.

Não é simples entender o papel que o futebol tem em nossas vidas. Dizia o grande pensador francês Alexis de Tocqueville, quando abordava os fenômenos sociais e culturais: quanto mais presente uma coisa é, menos se nota que existe. É assim com o futebol no Brasil. Isso é resumido na frase “o Brasil é o país do futebol”.

A Fifa decidiu organizar uma Copa das Confederações e uma Copa do Mundo no país do futebol, um lugar onde, em dias de jogos da seleção, todos param de trabalhar para assistir. Acontece que a Fifa de hoje não é a mesma Fifa dos anos 1980. A regulação que ela exerce sobre esses eventos é enorme. As regras da Fifa determinam as características dos estádios, o que será vendido em seu interior, a maneira de chegar a suas imediações, o que os torcedores podem ou não fazer quando vão aos jogos, como se conta o tempo de jogo e até mesmo o formato da rede. Tudo é regulado nos mínimos detalhes. Fazer isso na Alemanha é aceitável, pois não se trata do país do futebol. Fazer isso no Brasil significa mexer com todo mundo. Mexeu com o futebol, “mexeu comigo”.

Não foi mero fruto do acaso que a torcida brasileira tenha decidido quebrar uma das regras da Fifa. O hino nacional só pode ser tocado, de acordo com tais regras, por um minuto e meio. A torcida disse para a Fifa o seguinte: “Alto lá, aqui não, aqui você não mexe, o hino é meu e o futebol é coisa séria, é minha filosofia de vida. Vou cantar o hino que me representa e ver as pessoas que me representam no campo, mas não vou fazer dentro de suas regras, vou fazer do meu jeito”.

Os protestos têm a ver com o fato de o futebol mobilizar todos os brasileiros e também, provavelmente, com o fato de a Fifa ter imposto inúmeras regras que não fazem o menor sentido. É claro que as causas dos protestos são múltiplas: mau uso dos recursos públicos, simbologia aristocrática de exercício do poder, impunidade dos políticos, serviços públicos de baixa qualidade etc. Mas tudo isso contou com um detonador, algo que diz respeito a todos nós: o futebol e a exigências da Fifa em nossa casa. Aí é demais.

Copa 2014 - Charge de Aroeira

Copa 2014 – Charge de Aroeira

Recentemente, a Fifa manifestou preocupação com o que pode vir a ocorrer no Brasil durante a Copa do Mundo. A Fifa não está acostumada a organizar esse evento no país do futebol. Para minimizar os riscos de que a Copa do Mundo seja palco de novas manifestações, a Fifa ajudaria muito se fosse mais flexível em suas inúmeras regras e permitisse que os brasileiros fizessem uma Copa do Mundo que fosse a cara do Brasil. Quanto mais próximo disso, menores os riscos da Fifa.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo, é diretor do Instituto Análise e autor de “A Cabeça do Brasileiro”. alberto.almeida@institutoanalise.com http://www.twitter.com/albertocalmeida

Charge de Edgar Vasques

Charge de Edgar Vasques

Já foi retirada a expressão “Copa Verde”!

Após o corte de árvores no entorno da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, os “Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho” e integrantes do Movimento “Quantas COPAS por uma copa?” enviaram mensagens aos ministérios do Meio Ambiente, dos Esportes, FIFA e por último ao Gabinete da Presidência da República. Nas mensagens relataram o arboricídio que estava ocorrendo em Porto Alegre e exigiam a retirada da expressão “Copa Verde” que estava sendo utilizada tanto pela FIFA como pelo governo brasileiro.

Apenas o Gabinete da Presidência respondeu as mensagens, mas parece que acataram nossos argumentos, pois atualmente as páginas governamentais que tratam da Copa de 2014 e também o site da FIFA não mostram mais essa expressão que considerávamos “propaganda enganosa”.

Quantas COPAS por uma copaLeia mais sobra a copa e as COPAS:

VERGONHA

A preocupação com a Copa de 2014

Queremos nossas árvores VIVAS

Isso é coisa de meia dúzia?

Sim, Porto Alegre RESISTE.

Manifestantes ocupam a Câmara Municipal de Porto Alegre

Câmara Municipal ocupada - Foto: Ester Maria Santurion

Câmara Municipal ocupada – Foto: Ester Maria Santurion

No fim da tarde desta quarta-feira, 10 de julho, aconteceu a ocupação da Câmara Municipal de Porto Alegre por manifestantes do Bloco de Lutas pelo Transporte Público.

Foto de Eduardo Palombini/Facebook

Foto de Eduardo Palombini/Facebook

Momento da ocupação do Plenário da Câmara

Os manifestantes, cerca de 50 no primeiro momento e mais de 200 durante a noite, exigem o passe livre para estudantes e desempregados e a abertura das contas das empresas que administram o transporte. O presidente da Câmara de Vereadores, vereador Thiago Duarte (PDT), tentou prosseguir normalmente com as atividades no plenário, mas interrompeu a sessão quando os manifestantes desceram das galerias. “Não tem conversa / é o passe livre que interessa!”, foi um dos primeiros gritos que ecoaram na casa.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

Segundo os manifestantes, “esta é uma ocupação permanente em repúdio aos vereadores que votaram a favor dos empresários e contra o povo” – em referência à rejeição das emendas pela transparência nas contas do transporte público que ocorreu no dia 1° de julho.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

Por volta das 18h30min,Thiago Duarte e parte dos vereadores conversaram com os manifestantes no chão do plenário. Enquanto os vereadores pediam para que não houvesse depredação do patrimônio da casa, manifestantes reclamavam a abertura dos portões da Câmara para que mais pessoas entrassem.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

Os manifestantes já colocaram dezenas de faixas ao longo do plenário da Câmara e armaram a primeira barraca. A principal reivindicação imediata do grupo era a abertura dos portões da Casa, para que quem está do lado de fora possa se somar à ocupação e participar da assembleia.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

Em uma segunda conversa com os ocupantes, o presidente Thiago Duarte manifestou preocupação com a permanência do grupo. Os ativistas disseram que somente a assembleia do grupo decidirá se a ocupação permanece nesta noite ou não.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

A Brigada Militar já foi chamada, mas a garantia do presidente é de que a polícia ficará do lado de fora da Câmara. A Guarda Municipal observa os manifestantes do lado de dentro.

Dr. Thiago Duarte, presidente da Câmara, conversa com manifestantes - Foto: CMPA

Dr. Thiago Duarte, presidente da Câmara, conversa com manifestantes – Foto: CMPA

Após o diálogo com os manifestantes, o presidente havia concordado com a abertura dos portões. Depois de um momento de tensão, em que a Guarda Municipal chegou a empunhar as pistolas de choque nos portões, eles foram abertos.

Foto: CMPA

Foto: CMPA

Às 20h08min os manifestantes que estavam do lado de fora começaram a ingressar na Câmara. Aos gritos de “passe livre já!”, dezenas de pessoas se juntaram à ocupação que começou no final da tarde. Novas bandeiras, como a LGBT e de movimentos anarquistas, foram estendidas no plenário. Por volta das 21h, os manifestantes se apresentaram e iniciaram a primeira assembleia da ocupação.

Fonte: Sul 21

Transmissão ao vivo da ocupação da Câmara:

http://twitcasting.tv/midianinja/movie/15340548

Como a ZH é vista 1Jornal Zero Hora reclama:

“Profissionais do Grupo RBS foram expulsos do Plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre enquanto cobriam a ocupação do Bloco de Luta pelo Transporte Público. Equipes da RBS TV, jornal Zero Hora e da Rádio Gaúcha foram hostilizadas e obrigadas a deixar o local, porque os manifestantes alegavam não concordar com a forma com que os veículos vinham cobrindo os protestos na Capital.”

Fonte: Manifestantes permanecem na Câmara Municipal de Porto Alegre

Mais protestos e mais violência em Porto Alegre

Do Jornal do Comércio:

Porto Alegre vive mais um dia de violência

Passeata na Capital, que desta vez ficou restrita ao Centro da cidade, acabou em confronto mais uma vez

Daniel Sanes

O cenário mudou, mas a história não. De diferente na manifestação realizada ontem, em Porto Alegre, só o itinerário escolhido pelos militantes. O final da história foi o mesmo dos demais protestos: enquanto a multidão marchava pacificamente pelas ruas da Capital, não houve problemas. Depois que pequenos grupos entraram em conflito com a Brigada Militar (BM), foi um passo para o início das depredações. Entre contêineres incendiados e lojas saqueadas, a noite de segunda-feira na Capital terminou com uma série de confrontos na Cidade Baixa e no Centro. O saldo de presos bateu um recorde. Segundo a BM, pelo menos 80 pessoas foram detidas. E em um universo menor de manifestantes: dessa vez, cerca de 10 mil enfrentaram a chuva e saíram às ruas – nas anteriores foram 20 mil e 15 mil.

Integrantes da AGAPAN destacando a ecologia no protesto - Foto: Heverton Lacerda

Integrantes da AGAPAN destacando a ecologia no protesto – Foto: Heverton Lacerda

Os ativistas se reuniram no Paço Municipal erguendo bandeiras contra diversos temas: a PEC 37 (que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal), a “cura gay” e os gastos com as obras na Copa do Mundo eram apenas alguns deles. Havia, ainda, gente defendendo os direitos dos animais e dos índios, e até exigindo que o governo revisse a decisão de trazer médicos do exterior. Os que defendem valores mais justos para as passagens do transporte público – demanda que impulsionou os protestos -, também se fizeram presentes.

Fim da tarde, a concentração - Foto: Edi Fonseca/AGAPAN

Fim da tarde, a concentração – Foto: Edi Fonseca/AGAPAN

Não fossem os cartazes, a concentração em frente ao Paço poderia se confundida com uma grande festa ao ar livre. Enquanto as pessoas iam chegando e se aglomerando nas proximidades do Mercado Público, ambulantes aproveitavam para fazer um dinheirinho extra, vendendo churrasquinho, bebidas, capas de chuva e bandeiras do Brasil. Diante da prefeitura, um batalhão da BM permanecia impassível diante da multidão.

Foto: Edi Fonseca/AGAPAN

Foto: Edi Fonseca/AGAPAN

Por volta das 18h30min, a marcha partiu pela rua Júlio de Castilhos até a avenida Mauá, em um percurso diferente dos anteriores. Os ativistas seguiram na direção da Usina do Gasômetro, sempre de forma pacífica e sem tumultos. Quando subiram a avenida Loureiro da Silva, alguns ficaram em dúvida sobre qual o rumo que o grupo tomaria. A expectativa de alguns era de que se retomasse parte do trajeto seguido nas demais passeatas, indo pela avenida João Pessoa até a Ipiranga. Mas a marcha decidiu tomar o sentido contrário, em direção ao Centro, entrando na avenida Borges de Medeiros.

Na Esquina Democrática, os militantes pararam. O cheiro de vinagre (usado para atenuar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela BM) tornou-se forte. Pode-se dizer que nesse momento, por volta das 20h30min, a passeata terminou. Um pequeno grupo entrou em atrito com a BM, que desde o meio da tarde fazia um cerco às ruas que desembocam no Palácio Piratini. O gás se espalhou rapidamente, provocando pânico e um corre-corre no viaduto da Borges.

“Sem violência! Sem violência!”, gritavam os manifestantes. Mas já era tarde. O regimento montado da Brigada se espalhava por diversas ruas transversais, dispersando a multidão. Com a passeata “desmanchada”, só ficaram na rua os depredadores e aqueles que não sabiam como voltar para casa.

Segunda-feira foi de clima apreensivo no Centro

Quando a Brigada Militar fechou as ruas no entorno do Palácio Piratini, ontem, no meio da tarde, a tensão tomou conta dos moradores do Centro. Afinal, o prédio do Executivo estadual já havia sido alvejado por vândalos, mas nunca tinha sido o destino final das manifestações até então.

Devido aos atos de depredação registrados nas mobilizações anteriores, vários estabelecimentos comerciais resolveram antecipar o encerramento das atividades. Depois das 17h, era difícil encontrar lojas e bares abertos na região próxima ao possível trajeto da marcha. Temendo serem alvos de vandalismo, órgãos públicos municipais, estaduais e federais tiveram expediente mais curto.

A impressão é de que o horário de pico do trânsito foi antecipado em uma hora. A pressa de muitas pessoas em garantir condução de volta para casa denotava preocupação com a provável falta de ônibus após o início da passeata, embora o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, tenha garantido que todas as linhas seguiriam funcionando normalmente, com pequenas alterações no trajeto, se fosse necessário.

No final da noite, pessoas que estavam na manifestação tentavam tomar ônibus ou táxi, mas sem sucesso. A cavalaria da BM fechou algumas das principais ruas do Centro e da Cidade Baixa, limitando as alternativas para quem queria voltar para casa. O jeito foi seguir a pé, tomando cuidado a cada esquina para não dar de cara com o “choque”.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=127648