Satanás e o Pontal

Correntes Satânicas?

carta-bm-parAtualizado em 17/4/2009

Na carta da BM PAR Empreendimentos, entregue ao prefeito José Fogaça no dia 9 de abril, se fez a comunicação formal de sua desistência em construir prédios residenciais na Ponta do Melo, hoje também conhecida como a região do projeto imobiliário Pontal do Estaleiro. Ela destaca uma série de motivos que, segundo o empreendedor, fazem que ocorra a desistência de construir moradias no local. Logicamente que a aprovação da emenda do vereador Ferronato, que preserva uma faixa de 60 metros é fundamental para a decisão, pois ela também impede novos aterros no local. Mas o que mais chama a atenção na citada carta é o destaque que dá ao “desgastante” processo travado pela liberação da área, dando a entender que os empreendedores e seus apoiadores seriam “vítimas” de injustos e diabólicos ataques. Diz, textualmente, certo trecho da carta:

“Um maniqueismo alcandorado, e de orquestração conhecida, utilizou todas as formas ao seu alcance, ora para denegrir o projeto, ora para denegrir a signatária, ora para denegrir seus quotistas, ora para vislumbrar torpezas entre estes e todos os que de vontade própria aderiram à idéia de que Porto Alegre é uma cidade de costas para o Guaíba, sem equipamentos urbanos à altura da sua beleza, e que a concepção arquitetônica apresentada à população da cidade era um diferencial de que ela necessitava e necessita.”

Interessante isso. Pois, com outras palavras, é o que temos dito com relação aos ataques desferidos aos que são contrários ao projeto imobiliário Pontal do Estaleiro. Os ambientalistas, participantes de entidades de moradores e ativistas sociais tem sido sistematicamente atacados e rotulados de ecoxiitas, ecochatos, inimigos do progresso, defensores do lixo, “escória da cidade” e até, em um programa de rádio, foi insinuado que estariam agindo apenas para aparecer na mídia e para “tentar conseguir algum dinheiro”. Um vereador (favorável ao projeto) de nossa Câmara Municipal estava presente no programa e se não disse isso, consentiu com a afirmação ao silenciar. Infelizmente, mesmo tendo sido solicitada a gravação do programa , foi dito que o programa não tinha sido gravado… Mas este trecho da carta é fundamental para que se entenda como querem passar de vilões a coitadinhos (o grifo é nosso):

“De repente, era como se uma corrente satânica envolvesse a todos os que não freqüentavam o templo aldeão de Maniqueu, que, na sua ética perversa, já havia separado os eleitos e os perfeitos, cujo grau de compreensão da verdade e decência sempre é superior às dos demais, os quais são condenados ao direito de adorá-los.”

Incrível!

Trecho da carta entregue ao prefeito municipal

Trecho da carta entregue ao prefeito municipal

Se julgam vítimas de uma “corrente satânica“! Dá para entender isso? Significa como se eles fossem os “escolhidos dos Deuses” por serem ricos, influentes politicamente e extremamente poderosos a ponto de comprar a preço vil um terreno e com seu poder pedirem para mudar a lei existente em seu benefício e com isso terem lucros imensos? Ficaríamos mais satisfeitos se a carta tentasse explicar por que motivo alguém compra em leilão judicial um terreno onde a lei limita construções e projeta exatamente o que não é permitido fazer. Não daria para explicar que argumentos eles têm para justificar que uma vila popular foi retirada da orla por não ser permitida a existência de moradias lá, mas que prédios luxuosos podem, no seu entender, ser construídos na orla do rio? nao-ao-pontal-estaleiroQuerer um Parque Ecológico e público no local é algo diabólico? Desde que inúmeras entidades se posicionaram contrárias ao projeto, deixaram claro suas discordâncias pelos aspectos ambientais, viários, urbanísticos, éticos e legais. Isso é “satânico”? Também ficaríamos muito satisfeitos se a carta tentasse explicar que argumentos lógicos convenceram tantos vereadores a apoiarem uma mudança na Lei Municipal que atenda apenas a interesses privados e que havendo duas Audiências Públicas, exigidas por lei, nenhum dos argumentos contrários tenha sido apreciado e melhor debatido pelos vereadores que apoiavam o projeto. Por que motivo a carta não explica a pressa dos empreendedores e da maioria de nossa Câmara em aprovar o projeto em “urgência”, quando questões mais importantes para a cidade não têm esse tratamento?

Campanha institucional da prefeitura, em 31 de março.

Campanha institucional da prefeitura, em 31 de março.

Gostaríamos também de saber porque o projeto aprovado em 2008, antes de ser sancionado ou vetado pelo prefeito, teria merecido uma “sugestão” dos próprios vereadores de, caso vetado, ser reenviado pelo executivo com uma sugestão de referendo para a população opinar. O prefeito vetou, encaminhou novo (quase o mesmo) projeto mas com a cláusula do referendo, a Câmara aprova o novo projeto mas altera o referendo para “consulta pública” sem obrigatoriedade de voto e sem ser universal. A justificativa para isso seria o “alto custo” de um referendo, cerca de 2 milhões de reais. Porém em um único dia, 31 de março, a prefeitura que não tem recursos para bancar um referendo que esclareceria e ouviria democraticamente a população – referendo deve ser supervisionado pela Justiça Eleitoral, com tempos iguais de propaganda para os dois posicionamentos – gasta cerca de 800 mil reais em jornais apenas para fazer propaganda institucional da prefeitura!

Parque SIM

Parque SIM, outubro 2008.

Interessante também é tentar entender o motivo de votar igualmente em regime de “urgência” o novo projeto, originado pelo executivo, que não foi convenientemente apreciado pelas comissões internas da Câmara. E por isso mesmo teriam aprovado sem terem entendido bem a emenda do vereador Ferronato e essa “urgência” é apontada como desculpa pela trapalhada dos ilustres edis ao inviabilizarem o projeto original do empreendedor. Por isso, a mídia tem dito que os vereadores que aprovaram o projeto na Câmara iriam solicitar ao prefeito que vetasse seu próprio projeto. Pedir que o prefeito Fogaça, atendendo aos pedidos de vereadores (especialmente de sua bancada de apoio), vete o projeto enviado por ele mesmo não é uma tentativa de colocar no mesmo barco de trapalhadas o executivo municipal? Ou simplesmente querem desqualificar o prefeito, político experiente que foi reeleito com grande votação, por ser ele apontado como provável candidato de seu partido para a próxima eleição ao Piratini? Decididamente, as correntes satânicas que o empreendedor identificou, caso existam, estão no outro lado! Mas isso o empreendedor e seus apoiadores não dizem e parece que nunca dirão.

Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

A carta da BM Par pode ser lida acessando o Blog da Rosane de Oliveira, aqui.

Atualizado em 14/4/2009

Veja o que deveria ser feito aqui. Matéria exibida no Jornal Nacional do dia 13 de abril. O exemplo vem da Coréia do Sul:

Atualizado em 17/4/2009

"A pedido" de QUEM?

"A pedido" de QUEM?

A matéria paga “Apedido”, assinada pela ONG Move-Poa em 12 de novembro de 2008, dia da primeira votação na Câmara Municipal para a alteração do regime urbanístico da região da Ponta do Melo (Pontal do Estaleiro).

Conforme denunciado na época pelo engenheiro Henrique Wittler, teria custado cerca de R$ 37.000,00 apenas a publicação no jornal ZH. Também foi veiculado em pelo menos mais um jornal (Correio do Povo). Quem pagou o anúncio?  Segundo um integrante da ONG, “ela é formada por poucas pessoas, em sua maioria pobres, que trabalham e/ou estudam, com salários pouco atraentes”.

30 pensamentos sobre “Satanás e o Pontal

  1. Cesar, botaste os pingos nos ii!
    É interessante a tentativa das neo-vítimas, de passar a limpo uma situação jogando areia e névoa sobre o que de fato aconteceu….

  2. Companheiro César:
    Tua resposta à carta e aleivosias da BMPAR está à altura de nossa luta. Demonstra que o “rei está nu”: empreendedor/especulador, Câmara, Governo Municipal, numa simbiose transgênica, articularam-se para essa empreitada, essa sim, diabólica contra o interesse público da Cidade. Agora, tentam remendar esse frankestein por eles próprios criado. Nem residencial e nem comercial deve ser o destino da Ponta do Melo. Há que reverter ao patrimônio público, como área de preservação e lazer para o conjunto da comunidade. Orgulho-me, ao cabo de meus 3/4 de séculos, de estar ao lado de vocês. Um abraço cordial.
    Caio Lustosa.

  3. Pingback: Será que vão chamar o Josué Yrión? « Cão Uivador

  4. A AMA/Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora assina embaixo das esclarecedoras e contundentes argumentações e questionamentos apresentados pelo Cesar Cardia.

    Nossa adesão ao movimento comunitário na defesa da orla do Rio Guaíba, contra o uso misto residencial e comercial, não atende e está atenta apenas ao cumprimento da Lei Orgânica Municipal, mas para um modelo de desenvolvimento sustentável à cidade de Porto Alegre.

    Os predicados atribuídos as manifestações populares de repúdio as arbitrariedades cometidas pelo legislativo e executivo, em favor da BMPAR, carregados de expressões mórbidas, apenas reforça o visão míope daqueles que defendem uma democracia sem povo, sem voz e sem valor.

    João Volino Corrêa
    Presidente

  5. Excelente resposta.
    Acho, porém, que foi trabalho e pólvora demais para ximangos tão depenados e pouco qualificados, inclusive intelectualmente.
    Eles não argumentam porque não têm argumentos. Daí que fazem textos hiperbólicos, cheios de adjetivos, estilo século XVIII, que, na verdade, nada dizem.
    Como, há poucos dias tive ocasião de ouvir, ao vivo, em evento público, discursos semelhantes, totalmente ocos e com palavrório altissonante, posso garantir que o discurso veio diretamente do neoliberalismo em bancarrota, que quer sair da crise às nossas custas.

  6. E A “ONG MOVE POA” ?
    A ong que eles fundaram para “tentar fazer frente aos ambientalistas”? E quando nos chamaram de “bando de egoistas no programa da TV COM? Outra, É UM BANDO DE DESOCUPADOS . . . !

    E AQUELE “VEREADOR” QUE DISSE NA TRIBUNA “ORA VÃO FAZER O DEVER DE CASA, VÃO JUNTAR O LIXO DA ORLA ! ? ”

    AGORA VÃO PEDIR PENICO AO PREFEITO, PARA PODER “AO MENOS CONSTRUIR O QUE A LEI 470 / 2002. PERMITE” !?!?

    ELES SÃO O EXÉRCITO DE BRANCALEONE ! ! ! ! ! ! !

    PREFEITO JOSÉ FOGAÇA, DECLARA A PONTA DO MELLO DE INTERESSE PÚBLICO E O PROBLEMA ESTÁ RESOLVIDO !

    eduino de mattos

  7. Aparentemente a MOVE POA não é muito ativa.
    Se pretendiam mobilizar os favoráveis ao projeto imobiliário na Orla do Rio Guaíba, não tiveram tanto sucesso.

    Ontem o abaixo-assinado na internet da AGAPAN tinha 7.014 assinaturas em DEFESA da Orla do Guaíba.

    O abaixo-assinado da MOVE POA, em defesa do projeto Pontal do Estaleiro tinha 189 assinaturas.

    Ambos abaixo-assinados estão em: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571 e http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1848 e foram criados praticamente no mesmo momento.

  8. Parabéns pela iniciativa de elaborar a carta. Muitos moradores de bairros tradicionais e consolidados de Porto Alegre sabem o quão “satânico” é ter seu imóvel (casa e inclusive muitos apartamentos) cercado por um (ou vários!) espigões. Falta de privacidade dentro do próprio imóvel, poluição e barulho proveniente de ruas e avenidas congestionadas, falta de áreas verdes, imóvel tomado pelo mofo, tudo em nome do “progresso” e do “aproveitamento da infra-estrutura disponível”. Prevemos que esse “progresso” vai desembocar em problemas jurídicos e econômicos monumentais, tanto para indivíduos como para a coletividade.

    Monika.

  9. Antes de tudo, muito obrigado pela lembrança neste blog, respondo aqui pela ONG MOVE-POA.

    Em nenhum momento a ONG ou os seus membros fez frente a qualquer ambientalista. Muito pelo contrário, a causa ambiental, um dos 4 principais pilares da sustentabilidade, tem para nós uma grande relevância. E respeito. O que estamos combatendo, em primeiro plano, é mobilização político-partidária, aquela discussão do “oito ou oitenta”, que fere a cidade e não chega a lugar algum. Todos perdem, ninguém ganha.

    O Pontal do Estaleiro aborda uma discussão sobre urbanismo, esta apoiada em diversos temas, econômicos, sociais, ambientais etc, e não deve se resumir em uma disputa de interesses político-partidários como está acontecendo. Impossível provar o contrário. Seja por parte dos empreendedores (os quais não possuem vínculo algum conosco), por parte da oposição ao projeto (os mesmos que venderam a área, praticamente), ou pelos defensores. No Pontal, tudo aparenta ser política, desde a participação das ONGs e associações de bairro, até os próprios políticos e defensores.

    Esta disputa, sabemos, nunca levou a nada, e quem perde é Porto Alegre. Sempre. Que agoniza, pede socorro, enquanto por vaidade uns e outros tentam lutar pelo controle – político e intelectual – dela.

    O projeto do Pontal do Estaleiro divide opiniões, inclusive daqueles que estão na área da arquitetura, os arquitetos. Mas todos, sem exceção, sabem que o uso misto é algo importante e interessante e que o projeto apresentado, por mais que tenha tal uso misto, não é o melhor para a área. Mas a questão é: ele, até agora, foi o único. E não é ruim. Mas não é uma excelência. Por isso é bom discutir ele.

    Argumentos baseados em hipóteses ambientais são relevantes, mas não serão diretrizes. Serão sempre hipóteses. É necessário estudo, análise técnica e isto é que deve definir a viabilidade ambiental do projeto. E não a vaidade de uma ou outra ONG ou associação. Vaidade, coisa que está na alma de qualquer pensador, intelectual, ou manifestante de algo.

    Lembrando que o que estava em discussão não era a aprovação ou não dos prédios, mas sim a adição do uso residencial, o qual não existe hoje em lei devido a fatores os quais já conhecemos, e não mera ideologia político-partidária. A aprovação viria depois, a partir do EVU, das medidas compensatórias, dos estudos técnicos e não de meros “achismos”.

    Em se tratando de uso, graças à lei aprovada pela atual oposição, Lei 470/02, a área será setorizada, totalmente comercial, no máximo cultural, desinteressante sob o ponto de vista urbanístico, com hora marcada para concluir suas rotinas diárias. Um toque do equivocado urbanismo modernista em um tecido urbano tão importante: uma oportunidade de trazer vida à região que simplesmente foi jogada no lixo. Convoco todos a analisarem a região, por cima, por baixo, pelos lados, estudar a área e não simplesmente definir hipóteses; ter argumentos válidos e não investir em “achismos”. O Praia de Belas (aquela área, segundo as cartas da Secretaria de Planejamento, pertence ao Praia de Belas), e o bairro Cristal não são o Petrópolis, o Centro ou o Moinhos. Esta área deve ser pensada sozinha, e não a partir de regras gerais impostas a outras regiões diferentes.

    Graças, não só a quem criou a lei, vendeu a área, mas também para quem lutou contra o uso misto, teremos, então, uma pequena Terceira Perimetral em plena orla de Porto Alegre. Parabéns, uns perderam, vocês ganharam, a cidade fica na mesma… Infelizmente, sempre será assim… O “oito ou oitenta”, que parece nunca acabar.

    Observando dados do mercado imobiliário comercial de Porto Alegre, a cidade é a terceira mais madura do Brasil, entre as avaliadas, com o terceiro metro quadrado mais caro, e uma das vendas mais garantidas. Imóveis comerciais aqui dá dinheiro. Muito dinheiro.

    Quem perde e quem ganha no caso do Pontal?

    A cidade com o uso comercial restrito e setorizado? Não.
    A população de um modo geral? Dificilmente, depende e muito da qualidade das áreas públicas.
    O empreendedor? Sim, este vai lucrar bastante. Vai lucrar mais do que lucraria com prédios residenciais, embora o mercado imobiliário seja mais aquecido para este lado.

    O MOVE-POA nunca defendeu interesses econômicos particulares, muito menos defende projetos imobiliários. O MOVE-POA defende a cidade, focando na qualificação da orla pública, seja esta feita pelo meio público ou privado. Acho que ninguém discorda que a nossa orla está em um estado vergonhoso, ou que é necessário criar um espaço público naquele local. E é isto que estávamos defendendo no caso do Pontal, o espaço público, o uso misto, trazendo vida a um trecho de cidade que sobrevive apenas como corredor viário, trazer integração urbana, a partir da qualificação da orla e união dos equipamentos urbanos existentes no entorno (principalmente o esquecido – e extremamente relevante – Museu Iberê Camargo).

    Nunca, mas nunca mesmo, no projeto do Pontal do Estaleiro, defendemos a privatização da orla, a segregação social, ou agressão ao meio ambiente. Inclusive, achamos sensato manter o índice construtivo atual, na votação que havia aprovado o uso residencial.
    A questão das alturas é [mais] um detalhe que divide opiniões. A verticalização, o adensamento, embora para muitos seja uma lástima, para outros tantos é uma solução. São conceitos de cidade, visões urbanas diferentes. Não há certo ou errado: há posições e opiniões diferentes, cada qual qualificada ao seu sentido. O problema do Pontal não está, nem nunca esteve, no uso residencial, ou nas alturas. O problema é político. O problema do “oito ou oitenta”.

    Me pergunto, se fosse outro partido político a propor a mudança da lei, estaríamos hoje discutindo o Pontal desta forma? Estariam ou não as posições invertidas? Esta é uma daquelas perguntas sem necessidade de resposta, apenas para pensar.

    Neste contexto surge o MOVE-POA, cujos membros tratam a política como deve ser tratada: com desconfiança e imparcialidade. PT, PMDB, PTB etc, para nós é tudo a mesma coisa, só muda o nome e endereço: nenhum é perfeito, todos têm erros, problemas. Tal motivo nos faz manter distância de siglas e partidos políticos, somos e fomos apoiados, enquanto muitos políticos nem sonhavam com isto, por siglas desde o PT, PV, até o PP, PMDB, PTB. E em todas as oportunidades, deixamos claro que política em nada nos seduz, se querem nos apoiar, seja a pessoa física e não a política. Somos, ou tentamos ser, uma voz imparcial, sem interesse político e econômico. Uma voz que a cidade deveria ter. E não a voz do “oito ou oitenta”.

    Hoje a ONG está com pouca atividade, somos um número ainda pequeno e todos trabalham e/ou estudam. Nenhum de nós é desocupado, como falaram, todos são cidadãos normais, pobres (a maioria), que têm o seu trabalho, seus salários pouco atraentes e um sonho em comum: traçar a Porto Alegre ideal. Tirar dela a maior qualidade de vida que ela deve oferecer.

    Enquanto discutem o Pontal, tentando criar vilões e vítimas (sendo que nem os empreendedores, nem os opositores são vítimas ou vilões, há diferentes pontos de vista e todos são relevantes), em outras partes da cidade, Porto Alegre simplesmente desaba, é destruída.

    Quais de vocês tentaram barrar as 6 torres de 21 andares em plena Bento, que irão prejudicar uma área de vegetação nativa, além de concentrar fluxo de veículos em um único lote que será habitado por nada menos do que 5 mil pessoas (em um só condomínio!), acabando com a visual da Igreja Santo Antônio?

    Quais de vocês estão preocupados e lutam pela retirada dos navios paraguaios abandonados no Cais do Porto?

    Quais de vocês lutam por novas soluções – seguras e viáveis – para o Muro da Mauá?

    Quais de vocês lutam pela preservação do Morro do Osso, pela limitação de condomínios e shoppings – tumores de um câncer urbano?

    Quais de vocês lutam pela preservação, manutenção e qualificação dos degradados espaços públicos da cidade, principalmente os parques urbanos?

    Quais? Tenho certeza que poucos. Pois não há política no meio. E eu poderia citar outros milhares de exemplos, mas o espaço é pouco e o tempo é curto.

    E, em resposta ao “Eduino de Mattos”, com todo o respeito, quem foi na TV-COM foi eu, e em nenhum momento chamei os opositores de “bando de egoístas”. Prove, se possível, que eu disse isto desta forma e eu venho aqui me desculpar, sem orgulhos.

    A todos que leram (que tiveram paciência, principalmente, sei que é difícil ler – e aceitar – opiniões alheias diferentes das nossas), muito obrigado pela atenção, o MOVE-POA, sobretudo eu, estou aberto a discussões, a troca de opiniões. A verdade nunca é absoluta, tudo depende dos mais variados pontos de vista. Só deixo aqui uma daquelas dicas, por vezes infantis, ingênuas, que a gente lê, nunca esquece, mas não aceita de início: pensem, sempre, com a cabeça de vocês, de modo pessoal, até emocional, quem sabe; sejam imparciais, testem, mudem conceitos, mas nunca, nunca mesmo, pensem com a cabeça política, no seu partido político. Pois isto não leva a nada, apenas desvia e distorce a verdade.

    Concluo aqui a minha mensagem, preferi não comentar o post do blog, apenas estou respondendo às mensagens.

    Atenciosamente, Rodrigo Marques.

  10. Brilhante e muito lúcida tua resposta!!
    Seguimos na luta por um meio ambiente equilibrado e saudável a todos e todas
    boa luta sempre!

  11. Pingback: Satanás e o Pontal « OngCea

  12. O longo comentário do Rodrigo Marques (9.152 caracteres), maior que o próprio texto postado no Blog (6.371 caracteres), claro que merece uma resposta.
    Certamente, não tão longa…

    Talvez eles não tenham percebido ainda que a questão ambiental, não é e não deve ser uma simples discussão partidária. O Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba é SUPRAPARTIDÁRIO. Não entendemos como não conseguem ver isso! Entre os participantes temos pessoas que se identificam com PT, PSTU, PSOL, PDT, PSDB, PMDB, DEM, PP, PV, PSB e PPS. E achamos isso excelente!
    Temos muito orgulho dos apoios de todos eles.
    E maior orgulho ainda dos vereadores que, independente de posições de suas cúpulas partidárias, dão apoio a nossas ações e defendem com honradez o meio ambiente e melhor qualidade de vida para as gerações futuras.

    Beto Moesch, Sofia Cavedon, Maria Celeste, Airto Ferronato, Juliana Brizola, Fernanda Melchiona, Pedro Ruas, Mauro Pinheiro, Marcelo Daneris, Odacir Oliboni, Carlos Todeschini, Neuza Canabarro, Margarete Moraes, Gabriel Barbosa, Professor Garcia e Cláudio Sebenello, (desculpem se esqueço algum) são políticos que respeitamos muito, independente de suas cores partidárias. Mesmo que tenhamos divergências pontuais em outros assuntos. São pessoas que assumiram enfrentar a poderosa pressão do poderio econômico para defenderem o direito dos cidadãos comuns lutarem pelo meio ambiente. Nunca nos perguntaram quais nossas posições políticas individuais. A questão primordial é defender o meio ambiente e eles sabem disso!

    Outros vereadores não pensam assim. Pensam como vocês, se estamos enfrentando o poderio econômico devemos ser perigosos comunistas, anarquistas e talvez, como diz o empreendedor, somos satânicos…

    Rodrigo, gostamos de pessoas de caráter. Por isso, temos tanto orgulho de nossos apoiadores políticos. Eles tem muito caráter! Mesmo quando divergem de algumas posições nossas.

    Não que do outro lado não existam pessoas de caráter, alguns até admiramos e gostaríamos muito que tivessem outra posição. Mas por alguns que apoiam o lado de vocês, não temos nenhuma admiração mesmo.
    Vocês são novos nesses embates, por isso desconhecem o que muitos dos nossos fizeram e fazem pela cidade, pelo direito de todos os cidadãos terem voz e pela preservação ambiental. Vocês realmente não sabem o que fizemos nem o que mais estamos fazendo. Caso soubessem não fariam as perguntas acima.

    AGAPAN, DCE/UFRGS, Nestor Nadruz, Caio Lustosa, Zorávia Bettiol, Paulo Guarnieri, Eduíno de Mattos, Moinhos Vive, Janete Barbosa, só para citar uns poucos, não são pessoas ou entidades apenas, já são símbolos da cidade de Porto Alegre. E isso não foi de graça, foi por não terem medo de enfrentar forças muito poderosas. Estudem, conheçam mais e depois opinem com maior e melhor conhecimento.

    Sabiam que a AGAPAN é mais antiga que o GreenPeace? Que foi a inspiradora de tantas entidades ambientalistas dentro e fora do Brasil? Sabiam que a Rua Gonçalo de Carvalho foi a primeira via urbana tombada como Patrimônio Ambiental de uma cidade na América Latina? Segundo alguns ambientalistas europeus, talvez a primeira no MUNDO. Sabem como alguns ambientalistas no exterior, especialmente os dedicados a preservação de árvores, se referem a ela? “A mais bela rua do mundo”! E não apenas por suas belas árvores, também pela luta dos que lutaram por elas. Saibam que a segunda rua (Mendes Ouriques, em Ipanema) e a terceira (Marquês do Pombal), tombadas como Patrimônio Ambiental na América Latina, também são de Porto Alegre!

    Somos pessoas comuns. Alguns dos nossos são aposentados, outros trabalham, muitos trabalham e estudam. Nossas despesas com faixas, fotos, artes, panfletos são pagas por nossos bolsos e muitos colaboram com pouco por muito pouco terem para colaborar.

    Não somos seus inimigos, somos seus adversários. Ferrenhos adversários, pois vocês defendem o atraso, ainda estão com a mentalidade do desenvolvimento a qualquer preço do século passado e este preço quem pagará é a natureza e os que ainda nem nasceram.

    Cesar Cardia (com 4.031 caracteres)

  13. Cesar Cárdia, pelo visto percebeste que gosto de escrever. Quando falo, então, sou um Fidel. Mas não perca tempo contando meus caracteres. É desnecessário.

    Entendo a tua preocupação em mostrar a “pluralidade política” do teu movimento, mas não digo que discordo ou concordo por completo. Em essência esta temática é universal: meio ambiente, orla, qualidade de vida etc. Só não dá para dizer que quem apoia vocês pensa desta forma e os que não apoiam desconsideram estas temáticas. As coisas na prática não são assim, tão metódicas.

    O problema está no vínculo das discussões, na forma como elas crescem, se desenvolvem, onde sempre há um dedo (se não os dez dedos da mão, sem contar os dos pés) político. Isto é inegável, tu podes aqui, na internet, falar uma coisa, dizer que não há parcialidade política, mas além dela sabemos que isto é uma verdade. Instinto do gaúcho, talvez, de se ter uma posição para tudo. Lá vem “ele” com o “oito ou oitenta” novamente…

    A política está no meio muitas vezes mais do que o meio ambiente, este utilizado como forma de marketing para muitos. Poderia citar exemplos, até de um vereador, que de meio ambiente pelo visto nada sabe, mas se diz ambientalista. Meio ambiente está na moda, pena que muitos nem sabem como o utilizar. Tal vereador figura em diversos estudos técnicos que simplesmente derrubam todo o seu trabalho, mostrando que ele mais faz contra o próprio meio ambiente, do que defende. Mas continua ganhando seus votos. E sorrindo. E como gosta de sorrir…

    Em ambos os lados há pessoas interessantes, sensatas, e também desinteressantes, desinformadas. Em ambos há extremos, há coisas boas e ruins. Acho que nem é necessário citar isto, pois é fato…

    Não desconheço, muito menos desmereço o trabalho de muitos de vocês. Contesto muitas opiniões, discordo, acho algumas equivocadas, outras exageradas, outras cruciais para a cidade. Mas não é esta a questão, não é isso que estou criticando, mas sim o interesse político, que muitas vezes resume discussões urbanísticas a brigas de partidos políticos, no tal “oito ou oitenta” que eu incansavelmente escrevi no outro post. Este interesse político desde o início os coloca em uma posição, e o tempo só faz com que esta posição seja afirmada, nunca testada.

    Só para relato, sempre que recebo alguém de fora, levo para a Gonçalo de Carvalho. Já fiz trabalhos acadêmicos sobre ela, por opção própria. A considero a rua mais charmosa de POA. Nunca vocês me verão desprezando uma ou outra organização por algum embate em particular, sempre respeitamos o histórico, mas não vamos tratar com irrelevância uma situação que a nosso ver em nada lembra aquela luta qualificada de outrora.

    Destes cidadãos ou entidades citados por ti, muitos poderiam vir acompanhados de uma sigla política. Não adianta negar, sou filho de político, cresci neste meio, sei como as coisas acontecem na política. E por isso, talvez, trate a política com tanta desconfiança, tento ser imparcial. Por coincidência, o MOVE-POA também trabalha assim.

    Sobre o meio ambiente, o tratamos como uma das bases de nossa luta. Sustentabilidade, muitas vezes pouco entendida, é o que buscamos. E, para a sustentabilidade, meio ambiente não é maior do que desenvolvimento, socialidade, cultura, mas sim equivalente.

    O próprio projeto do Pontal do Estaleiro, para muitos não tem nada de sustentável, mas ele já é um início, ainda mais se fomos o elevar a nível urbano. Um esboço, enquanto muita coisa ruim acontece e ninguém dá a mínima (tentei citar exemplos no outro post). Mas esta é outra discussão, sempre haverá opiniões diferentes, muitas discutindo banalidades…

    Mas discordo e acho lastimável ler uma opinião equivocada que nos resume a “defensores do atraso […] mentalidade do desenvolvimento a qualquer preço do século passado”. É simplesmente pegar um discurso pré-fabricado e empregar aqui, de forma errônea. Hoje em dia praticamente existem dois ramos que pensam o meio ambiente: os ambientalistas extremistas (que colocam o meio ambiente acima de tudo), e os que defendem a sustentabilidade (que equilibram as necessidades do homem moderno, dando às futuras gerações um mundo menos instável). Os primeiros são, sobretudo, atrasados. Têm uma concepção de mundo errada. Ao menos é o que aparenta. Equivocados, como era no modernismo os capitalistas e comunistas, que no fundo ambos estavam errados. Mas não vamos discutir política aqui, sou contra todos os lados.

    Mais uma vez eu digo, são formas diferentes de pensar a cidade, de pensar a vida, o mundo. A verdade não é absoluta, ela é mutável. Não dá para dizer que eu estou errado e que vocês estão certos, ou o contrário. Nem dizer que há vítimas e vilões. Dependendo do ponto de vista, todos são vítimas, todos são vilões, todos estão certos e todos estão errados. O teu comentário foi muito bem escrito, mas no final a emoção prevaleceu e toda a sofisticação do texto se perdeu. Tu criaste duas posições: a dos vilões (nós) e das vítimas. E a verdade não é essa. Pois não há verdade. Há diferenças de opiniões, e não o respeito pela opinião alheia. A vaidade que no outro post citei, acaba nos colocando acima daqueles que combatemos. Muitas vezes isto é negativo, até para nós mesmo, pois estamos fugindo da racionalidade.

    Mais algumas questões: se o projeto em questão é tão ruim, por que vocês não trabalharam na raiz do problema? Por que não foram contra o leilão, por que não lutaram por um parque antes da área ser comprada pela BM-PAR, por que não foram contra as regras eleitas para a área, aquelas que formam a Lei 470/02, que vocês tanto defendem e que sairá do papel em breve, com o uso restrito do espaço para caráter comercial? Por que não foram contra a aprovação do shopping ao lado e suas 4 torres que chegam a 95 metros de altura, já que isto, a nível urbano, pode ser pior do que o próprio Pontal? Por quê? Por política? A resposta que todos têm é uma só: o que parece é que são passivos para alguns assuntos e ativos para outros, e em todos há uma posição político-partidária bem expressa.

    Isto que estamos combatendo, não somos contra AGAPANs da vida, mas sim contra este interesse político-partidário, que prostitui e desmerece muitas lutas. Mesmo assim, parabéns por tudo o que foi feito de bom para a cidade e desculpem se não tive outra oportunidade de falar isto. Enfim, vou parar por aqui, com um post de 5.300 caracteres.

  14. Rodrigo, sei que és prolixo. Já cheguei a falar contigo numa manifestação feita na região da Ponta do Melo.

    Apenas ressaltei que um comentário não deve ser tão longo, ainda mais quando é apenas discursivo e carece de objetividade com relação aos temas tratados. Com isso torna-se enfadonho para os visitantes, especialmente aos que usam o “Google Translate”.

    E cheio de contradições. A mais gritante, para mim, é quando dizes em teu comentário:
    O MOVE-POA nunca defendeu interesses econômicos particulares, muito menos defende projetos imobiliários. O MOVE-POA defende a cidade, focando na qualificação da orla pública, seja esta feita pelo meio público ou privado.

    Depois:
    Hoje a ONG está com pouca atividade, somos um número ainda pequeno e todos trabalham e/ou estudam. Nenhum de nós é desocupado, como falaram, todos são cidadãos normais, pobres (a maioria), que têm o seu trabalho, seus salários pouco atraentes e um sonho em comum: traçar a Porto Alegre ideal. Tirar dela a maior qualidade de vida que ela deve oferecer.

    O eng. Henrique Wittler em 12 de novembro de 2008 colocou um comentário no Blog de vocês, perguntando sobre o custo de um “Apedido” da ONG MOVE-POA, recém criada, e não obteve resposta. Ele disse na ocasião:
    MANIFESTO EM ZH Publicado por MOVEPOA.
    Sabem quanto custou este Apedido publicado na página 33 de Zero Hora? A bagatela de R$ 37.000,00.
    Quem pagou tal publicação?
    Porque este interesse desta instituição?

    Só que o “Apedido” não saiu apenas na Zero Hora. No Correio do Povo também saiu. Não lembro se saiu no Jornal do Comércio igualmente.

    Ou seja, os “cidadãos pobres com seus salários pouco atraentes” gastaram uma dinheirama dessas do próprio bolso, sem nenhuma ajuda externa? Nesse caso a ONG é realmente admirável e surpreendente! Mas, reconheça, é normal nossa incredulidade.

    Com relação a teu descrédito em política, estás fazendo política ao dizer isso. Não partidária, mas é política sim. Respeito muito os políticos decentes e honestos, pois eles também existem. Mesmo que sejam em minoria. Por isso transcrevo o
    Analfabeto Político de Bertold Brecht:
    O pior analfabeto
    É o analfabeto político,
    Ele não ouve, não fala,
    Nem participa dos acontecimentos políticos.
    Ele não sabe que o custo de vida,
    O preço do feijão, do peixe, da farinha,
    Do aluguel, do sapato e do remédio
    Dependem das decisões políticas.

    O analfabeto político
    É tão burro que se orgulha
    E estufa o peito dizendo
    Que odeia a política.

    Não sabe o imbecil que,
    da sua ignorância política
    Nasce a prostituta, o menor abandonado,
    E o pior de todos os bandidos,
    Que é o político vigarista,
    Pilantra, corrupto e lacaio
    Dos exploradores do povo.

    Não nos leve a mal, mas temos que ser objetivos e incisivos quando se luta apenas por ideais.

    Cesar Cardia

  15. AO SR. RODRIGO MARQUES DA “ONG MOVE POA”:

    *- MOBILIZAÇÃO POLITICO PARTIDÁRIA ?

    VOCÊ DEVE SER ANARQUISTA ?

    POIS NO NOSSO MOVIMENTO TEM PESSOAS DE TODOS OS PARTIDOS EXISTENTES.

    FUNDAR UMA “ONG” PARA COMBATER UM MOVIMENTO QUE LUTA PELOS DIREITOS DA POPULAÇÃO, PELA QUALIDADE DE VIDA DA CIDADE ?

    O QUE FALTA PARA VOCÊ É UMA PROFUNDA REFLEXÃO !

    Eduino de Mattos
    coordenação – movimento defenda a orla do rio guaiba.

  16. Outra contradição – não do comentário do meu xará, mas do próprio discurso dos defensores do Pontal – é que eles dizem “Porto Alegre não consegue atrair turistas”.
    Sinceramente, se não atrai, é justamente por causa dessas pessoas que repetem esse papo furado! Porto Alegre tem lugares belíssimos para indicarmos aos visitantes. Semana passada, fui com amigos tomar uma cerveja em Ipanema. Aqueles bares perto do Guaíba são um espetáculo! E movimentam a região, isso é fundamental.
    Isso pode até parecer contraditório (“ué, mas tu não quer parque ao invés do Pontal?”), mas não é. Pô, imaginem que espetáculo termos um parque e vários barzinhos na orla!
    Quanto ao comentário do meu xará, estranho ele ser contra as torres da Bento (que serão tão prejudiciais ao trânsito da citada avenida quanto o Pontal para o acesso ao bairro Cristal) e a expansão de condomínios e shoppings, mas ser favorável ao Pontal.

  17. O Rodrigos Marques, da ONG Move-Poa, mandou um novo comentário com mais de 6.000 caracteres.
    Ora, isso é novamente mais texto que a matéria que está sendo comentada!
    Não publicaremos outro “tijolo” desses.
    Sugerimos por e-mail que refaça seu comentário com um máximo de 10 linhas ou que coloque sua matéria no próprio blog do Move-Poa, aqui poderemos colocar parte dele e lincar para a matéria do blog deles, quem se interessar em ler irá até lá e lerá tudo.
    Ainda não obtivemos resposta.

  18. O Rodrigo Marques vai colocar toda a sua longa resposta, como sugerido pelo Poa Resiste, no Blog de sua ONG. Aqui está a parte que solicitou fosse colocada com relação aos questionamentos sobre os anúncios:
    ———————
    Quanto ao curioso eng. Henrique Wittler, ele errou e muito o preço do anúncio. Fico pensando no que ele fez naquele dia, se ligou para a Zero Hora e perguntou quanto custava um anúncio de meia página na parte mais nobre do jornal? A questão é que teve uma intenção boa, mas fez do modo errado.

    Para ser sincero, preferíamos, com duas quantias de 37 mil, ter comprado uma sede própria e equipamentos para a ONG, e não ter dois “vaidosos” anúncios nos jornais. Talvez um carro, tão importante para a MOVE-POA. Mas não, não foram 37 mil, foi muito menos, e o dinheiro, em grande maioria, veio de doações de terceiros. Um jornal de grande circulação é uma vitrine vista pelo grande povo, e quem acredita na gente investiu. Alguns disseram que não estavam investindo em nós, mas na cidade. E não estavam errados.

    Com pouco tempo de luta, combater ONGs respeitadas com décadas de embates é algo muito difícil. Mostrar a cara na grande imprensa é também difícil – e caro. Qualquer ONG sabe disto. Para de vez matar a curiosidade de muitos, fizemos uma campanha para arrecadar fundos. Acho que vocês sabem que somos apoiados por muita gente, importante ou não, conhecidas ou não, políticas ou não. Mais do que imaginam. Muitos gostaram – e gostam – da nossa luta, da nossa proposta, e nos ajudaram. Mais do que acreditávamos que conseguiríamos em 3 meses de luta, mesmo que estes três meses venham através de anos de sonhos e estudos. Investiram na gente, na propaganda da ONG, na abertura de novos e promissores caminhos para a causa. Nossa mensagem nos jornais teve repercussão, positiva ou negativa, não importa. O que importa é que muitos leram e marcaram o nosso nome. “MOVE-POA, quem são eles, o que eles querem?”

    Infelizmente alguns vincularam o MOVE-POA ao Pontal do Estaleiro, esquecendo que estamos propondo algo bem maior.

    ———————
    Assim que nos avisar que seu texto está postado no blog da ONG, colocaremos o link aqui.

  19. Não entendi a resposta da grana dos anúncios. Falam em carro, sede propria, doações de terceiros e que o valor tava errado. Acho que não explicou nada. Li o anúncio e ele defende o Pontal sim. Quanto custou aquilo? barato não é.

  20. O Rodrigo Marques, da ONG Move-Poa, sabe escrever bem. Quem leu seus comentários não deve ter dúvidas sobre isso.
    O problema é que ele não deixa claro o que foi questionado por nós.

    No Correio do Povo publicaram anúncio “Apedido” de ½ página. Conforme a tabela do jornal os anúncios desse tipo custam R$ 233,00 o cm/coluna. O anúncio da Move-Poa (½ página) tem 86cm/col x R$ 233,00 = R$ 20.038,00
    Na Zero Hora, o anúncio era maior que ½ página. Seria o que se chama de “rouba-página”, 5 colunas x 26cm = 130cm/col. Como o cm/coluna desse tipo de anúncio é R$ 244,00, logo o anúncio teria custado R$ 31.720,00.
    Logo, os dois anúncios (pelo preço de tabela) teriam custado a bagatela de R$ 51.758,00!
    Os dois anúncios foram publicados em um único dia: o dia da votação na Câmara Municipal do projeto imobiliário. Todos sabemos que a vida útil de um jornal é curta, ao contrário de uma revista, quem teria o real interesse nessa publicação e nesse dia?
    Certo, são preços de tabela. Talvez tenham conseguido algum desconto, mas a ONG nunca tinha anunciado antes (recém tinha sido criada)!
    O que fizeram para conseguir algum tipo de desconto, como freqüência, pacote, etc? Se conseguiram preço especial, significa que não foi a ONG o anunciante ou que os jornais teriam tomado partido na causa e feito um preço de “pai para filho”. Não acreditamos nisso, pois os jornais publicam anúncios para se manterem. Esse é o negócio deles.

    As dúvidas, realmente, não foram esclarecidas…

    Cesar

  21. Ué, cadê a tal resposta do Move-Poa?
    Não iam colocar a explicação completa no blog deles?
    O blog deles tá abandonadao, será que a ong já terminou as atividades depois da votação e e fazer os anúncios no jornal?

  22. Essa conta aí em cima tá certa?
    Gastaram mais de cinqüenta mil reais do próprio bolso em DOIS anúncios para o Pontal do Estaleiro??????????
    Então esse dinheiro não era deles, disseram que eram estudantes pobres.

  23. O Rodrigo Marques ficou de colocar a resposta completa deles no Blog MOVE-POA, mas realmente ainda não tem nada lá.
    Caso coloquem e nos mandem o link, colocaremos aqui nos comentários.

  24. ESTA ONG MOVEPOA PODERIA SE PREOCUPAR EM LIBERAR TODA A ORLA DO GUAIBA, APROXIMADAMENTE 70 KMS, QUE FORAM INVADIDOS POR ANTIGOS DONOS DO MUNDO QUE CONSTRUIRAM LINDAS CASA COM PIER E CLUBES, NOS QUAIS NEM SANEAMENTO POSSUEM E POLUEM O GUAIBA A MUITOS ANOS, MAS QUANDO FOR GASTO MILHARES PARA DESPOLUIR E PAGOS POR TODA POPULAÇÃO , AINDA TEREMOS QUE SER SÓCIOS OU NOS AMONTOARMOS EM RUAS ESTREITAS PARA PODERMOS CURTIR O GUAIBA COM NOSSAS FAMILIAS, POIS O PARQUES NOS FINS DE SEMANA JÁ NÃO ESTÃO DANDO CONTA PARA A POPULAÇÃO DA CIDADE, E AINDA CASAS QUE IMPEDEM OS MORADORES AFASTADOS PARA A ZONA SUL DE SEGUIR PELA AV GUAIBA ATÉ A SERRARIA PELA ORLA, MOVE POA APROVEITEM A ONDA E LUTEM SIM PELA REVITALIZAÇÃO DE TODA A ORLA, POIS VI QUE TEMOS MUITAS ONGS E POUCO RESULTADO, FORÇA !!!

  25. O blogue da ONG Move Poa teve todo o conteúdo apagado. Não tem explicação nenhuma lá sobre o dinheiro. Aí tem coisa!

  26. Meu nome é José Pedro Rambo Rodrigues, sou morador
    de Pôrto Alegre e amo esta cidade.
    Procuro entender e até aceitar as continuas modificações e
    alterações necessárias no ambiente devido a continua e progressiva
    explosão demográfica humana.
    Existem alguns locais que costumo me ¨refugiar¨¨ , como o parque Marinha
    que oferece resquícios de natureza. Neste sofri um baque, um susto ao
    constatar a contrução de uma estrada, larga e sem propósito dentro do parque.
    Fui atrás de informações e soube que ela irá até o estádio Beira Rio em função
    da próxima copa mundial. Pombas, restam poucos lugares aprazíveis na cidade,
    aquela estrada destoa, agride e afasta pessoas que buscam ar livre e esporte.
    Nada pode ser feito ?
    Como posso me inserir a grupos que compartilham esta visão de conservação ?
    Pedro Rodrigues

  27. Pingback: Satanás e o Pontal – Centro de Estudos Ambientais

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