Audiência Pública da SMAM para ouvir a Comunidade sobre o projeto do Grêmio Náutico União, relativo à Reforma da SEDE Moinhos de Vento, ocorrida em 30/01/2008.

Fatos e impressões da reunião com a comunidade

No início eram apenas boatos, mas estes começaram a tomar força e os moradores do entorno do GNU – Moinhos de Vento acabaram surpreendidos com a confirmação de uma “remodelação” na sede do clube, o que implicaria na supressão de um imponente grupo de verdes árvores, localizadas nas suas dependências, para a construção de um enorme platô de concreto,GNU - Sede Moinhos - Vista parcial das árvores a serem cortadas onde abaixo estarão dois pavimentos para estacionamento de veículos e na parte superior, duas piscinas, adornadas com floreiras móveis, sem opção de refúgio à sombra. Chamaram a isto de “clima tropical”: floreiras e muito, muito concreto armado em volta…
Nos primeiros dias de janeiro de 2008, as preocupações já foram direcionadas ao Ministério Público Estadual, que contatou a SMAM, tendo obtido a informação de que o projeto efetivamente dera entrada em dezembro de 2007, mas que nenhum corte havia ainda sido aprovado.
Posteriormente, membros do Moinhos Vive buscaram esclarecimentos junto à Direção do União e sugeriram alterações ao projeto, no sentido de que se integrasse ao ambiente natural existente na área. Outro grupo da comunidade, teve acesso ao projeto protocolado na SMAM.
Quem entra no clube pela rua Quintino Bocaiúva, não deixa de sentir o impacto daquele grupo de árvores, em meio a uma quantidade excepcional de concreto, onde se situa a sede Moinhos de Vento do União.

O imponente conjunto arbóreo, além de já fazer parte da paisagem do bairro, propicia sombras aos usuários do clube, amenizando as altas temperaturas do verão em todo o entorno. GNU - Sede Moinhos - Vista parcial das árvores a serem cortadas
Por exigência legal, uma reunião com a comunidade foi convocada, e, mesmo em tempo muito exíguo, e, ainda, num período de férias, houve grande afluência. Comandada por representantes da SMAM, a reunião começou com as palavras de um engenheiro agrônomo, minimizando o impacto do desaparecimento das árvores, sempre lembrando que as falsas seringueiras seriam árvores inadequadas, que suas raízes eram problemáticas, como se solução não houvesse, sem a necessidade de cortá-las. Ora, o grupo de árvores de grande porte é muito maior que as seringueiras! Mas, querem abatê-las, mesmo havendo neste rol, árvores como Jacarandás, Figueiras, Guapuruvus e outras. Este Agrônomo também falou que haveria uma melhora ambiental. Mas que melhora pode haver, subtraindo uma massa verde adulta, em seu apogeu e substituí-la por uma atividade de alto impacto quanto aos seus níveis de poluição, quando se trata de um estacionamento para 300 vagas?
Quando imaginávamos que os autores do projeto arquitetônico se manifestariam e apresentariam alternativas, assistimos ao autor do laudo, um agrônomo e uma paisagista, falando sobre quais flores plantariam nas floreiras, possivelmente exóticas em sua grande maioria. O que eles representam? O apocalipse?
A comunidade pronunciou-se de forma contundente, associados, moradores do entorno, crianças, ONGs e Associações de Bairro, e, surpreendentemente, não se ouviu nenhum elogio ao projeto. Houve, sim, e tão somente a defesa do mesmo pela Diretoria e Conselheiros.
Foi dito aos senhores grisalhos, representantes da elite do Grêmio Náutico União, que Porto Alegre se localiza no Paralelo 30, onde ocorre a camada mais rarefeita de Ozônio, região em que já se comprova ser a de maior índice de câncer de pele do País. O projeto não previu nenhum tipo de proteção às radiações ultravioletas.
Defendido por senhores de cabelos e pele muito brancas, o projeto aniquila com a qualidade ambiental do clube e do entorno, prestando um enorme desserviço, quando incentiva a exposição ao sol, mesmo sendo sabedores de que a rarefação da camada de ozônio o desaconselha frontalmente.Panfleto distribuido pelo Moinhos Vive
Já não bastasse o histórico referente à poluição sonora e o flagrante desrespeito à qualidade de vida de seus vizinhos, algo que deveria ser mitigado, a direção do clube propõe esta nova obra, aumentando substancialmente este passivo.
Diante dessa situação, é necessário perguntar à Diretoria e ao Conselho do União: qual é o mundo que vocês desejam para os filhos dos seus filhos, para os netos dos seus filhos, para os netos dos seus netos. A julgar pelo que planejam para o clube, estarão legando um grande estacionamento, mas as ruas não comportarão mais os automóveis.
Qual é o exemplo que darão a toda uma geração de crianças e jovens freqüentadores do clube, ao abrir mão do verde e valorizar o automóvel? Fica claramente demonstrado, que foi-se o tempo em que eram incentivadas as práticas saudáveis. Nos faz parecer que existe hoje, uma geração de pessoas, a quem o passar do tempo não acrescentou mais sabedoria, pois não perceberam que a realidade do mundo mudou.
Of�cio do Moinhos VIVE ao GNU 30-01-08
Ofício do Moinhos …
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Atualizado em 7 de fevereiro:
Matéria no caderno ZH Moinhos do jornal Zero Hora:

Ampliação da sede do União provoca debate com vizinhosO projeto do União - Arte ZH Moinhos

Desde que o Grêmio Náutico União (GNU) anunciou, no começo de janeiro, as obras de ampliação na sede à Rua Quintino Bocaiúva, incluindo a construção de um estacionamento, moradores e órgãos da região se posicionaram contra a retirada de árvores do local, necessária à obra. Na quarta-feira passada, o assunto foi discutido em uma consulta pública no clube e aberta à comunidade.

Leia a matéria completa na página do jornal:

Ampliação da sede do União provoca debate com vizinhos

Confira os pontos de discussão sobre a obra:

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3 pensamentos sobre “Audiência Pública da SMAM para ouvir a Comunidade sobre o projeto do Grêmio Náutico União, relativo à Reforma da SEDE Moinhos de Vento, ocorrida em 30/01/2008.

  1. Será que mais uma vez a audiência pública é “só pra brasileiro ver?” Dirão que que a população foi ouvida e o processo aberto e democrático. Hoje em dia é assim, todos são ouvidos, mas isso não altera o que estava pré-determinado. O que era a marca de muitos políticos agora vai se disseminando como ampla conduta. Talvez os sócios do clube se tornem mais exigentes na próxima eleição para a diretoria e conselho.

  2. A retirada de um considerável grupo de árvores do Gremio Náutico União- Moinhos- trará mudanças para o micro-clima da região. Criará mais ilhas de calor na Porto Alegre com suas vias saturadas de automóveis e cimento que vão cobrindo as áreas verdes, tão rarefeitas. Sugerimos uma remodelação no atual projeto com consulta aos sócios e aos moradores do entorno que sofrerão mais com a poluição sonora e ambiental. O conjunto de árvores frondosas e centenárias, além da beleza cênica serve de filtro para o som e purifica o ar do entorno.

  3. Amigos, aproveito a passada aqui pelo site para saudá-los e para dizer que o projeto de reforma do União prossegue celeremente. Como eu havia encaminhado um abaixo-assinado reclamando das emissões sonoras do clube, e como o MP acatou minha denúncia, tenho estado em contato com a Smam e com o MP. Sei que o União já tem uma licença ambiental, ainda que provisória, que, por causa de meu abaixo-assinado, está sendo negociada com o MP e com a Smam. A nova proposta disciplina os horários de funcionamento e o isolamento acústico das novas instalações. Como houve a reunião com a comunidade, em janeiro, e como não se tocou mais no assunto, resolvi alertá-los.
    Abraços,
    Cíntia Moscovich

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