Obras na Zona Sul de Porto Alegre

E-mail enviado ao vereador Sebastião Melo, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, em 28 de janeiro:
From: ROTH MÁQUINAS
To: VER. SEBASTIÃO MELO
Sent: Monday, January 28, 2008 11:04 PM
Subject: OBRAS NA ZONA SUL
Prezado Ver. Sebastião Melo,
Tive a oportunidade de ouvir na semana passada no programa Pampa Bom Dia, a sua manifestação a respeito das obras que virão a “engrandecer e valorizar” a Zona Sul de Porto Alegre.
Fiquei muito surpreso com a sua posição a respeito do projeto do Estaleiro Só, quando deixou transparecer ser favorável à alteração da legislação municipal que proibe a construção de prédios residenciais na orla do Guaiba.
V. Exa. deve bem saber que no momento que houver essa modificação na lei, fatalmente será aberto o precedente juridico e outras obras se sucederão, dando partida à maior especulação imobiliária da história de Porto Alegre.
Além dessa obra do Estaleiro Só, sabemos que também estão previstas torres residenciais dentro do complexo do Shopping Barra Sul, aumentando significativamente a população do entorno, onde já são precárias as condições de infra-estrutura de esgoto, trânsito, rede de abastecimento de água e iluminação.
Para onde irá o esgoto dessa população que virá a habitar esses prédios residenciais, será lançado “in natura” como já acontece na Bacia do Cristal?
Sempre admirei sua postura como defensor de nossas reinivindicações em defesa do meio ambiente e qualidade de vida, porém nesse caso me parece que não está avaliando adequadamente o caos que nos espera caso essas obras vierem a ser realizadas.
Como Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, conto com sua compreensão e bom senso ao analisar esses projetos.
Atenciosamente,
José Augusto Roth
Representante da Vila Assunção no CCD Tristeza, Vila Assunção e Vila Conceição.
Delegado no Fórum da 6ª Região de Planejamento.

4 pensamentos sobre “Obras na Zona Sul de Porto Alegre

  1. Não é só a Zona Sul que se preocupa com o que os vereadores e a prefeitura estão “aprontando” para a Orla do Guaiba. Na verdade, esse assunto é de amplo interesse, pois o Guaíba é um patrimônio de primeira importância para a identidade da paisagem de Porto Alegre, além das repercussões ambientais à distância.

    Serã que a Lei Orgânica do Município também foi alterada?
    Uma consulta ao seu texto (no site da Prefeitura) mostra:

    Art. 245 – Consideram-se de preservação permanente:
    I – as nascentes e as faixas marginais de proteção de águas superficiais;
    II – a cobertura vegetal que contribua para a resistência das encostas à erosão e a deslizamentos; (…)
    V – margens do rio Guaíba; (…)
    Parágrafo único – Nas áreas de preservação permanente, não serão permitidas atividades que, de qualquer forma, contribuam para descaracterizar ou prejudicar seus atributos e funções essenciais.

    Mesmo assim, nossos legisladores e administradores elogiam os empreendimentos que se anunciam na Orla. Não deveriam ser eles os primeiros a cumprir a Lei?

  2. É, vamos deixar mesmo esta área reservada para um futuro lixão, ou coisa pior que acho irá acontecer. Talvez, os contras, achem mais saudável para Porto Alegre, que as obras que estão sendo aventadas. Ora, até parece, que as pessoas que hoje desaprovam essas obras, sequer pararam um dia para analisar o local, que hoje já esta se encaminhando para um lixão, ou para mais um local de espaço abandonado, onde certamente, sem nenhuma destinação, propiciará a mais um local a ser ocupado por marginais. É o que acontecerá num futuro próximo, caso as autoridades , urgente, não dêem uma finalidade mais nobre àquela área.

  3. É, o sr. Waldir tem razão. É um ótimo plano, deixa a orla ser invadida pelo lixo (a água já está um lixo, basta ver o que flutua), sem iluminação, sem cuidados, invadida por mendigos, assaltantes, etc. Depois, será um alívio quando alguém vier “urbanizar”, tirar o lixo, fizer calçamento, colocar lâmpadas e ganhar dinheiro privatizando o local público e doando mudas à smam.
    E enquanto se revitaliza a orla, já se vai depositando lixo e restos de construção em área de loteamento para asfixiar a vegetação e aterrar os cursos de água. Depois vai ser um alívio quando surgir alguém para revitalizar, construir, fazer calçadas, entubar os córregos. Que racionalidade criativa! Ah, sim, mais umas mudas para o viveiro da smam e quem sabe até uma contagem de créditos de carbono. Tudo muito responsável com o meio ambiente.
    Sem esquecer que em poucos anos todo o esgoto será tratado, existirá um Instituto de altos estudos que fará um planejamento genial para o porvir de Porto Alegre, serão criadas ciclovias, será implementada a lei do uso da energia solar nas residências, e outras coisas ótimas surgirão. Que animador é conjugar o verbo no futuro!

  4. O fato de a ponta do Melo estar um lixão não é justificativa para iniciativas de mau gosto. Não é preciso socar prédios e asfaltar tudo na tentativa de estrair uma limonada de um limão. Acho que está aí uma oportunidade áurea de fazer dessa porção de nossa orla um cartão postal. E pode ser sim um projeto com fins lucrativos, mas de bom gosto e de uso público.
    Porque não um parque ajardinado com piscinas e serviços num sistema “all inclusive”? Uma espécie de resort urbano, de acesso público (e não digo com isso que seja gratuito). Seria genial. Beleza, verde e lucro. e pode incluir os campinhos do Grêmio nessa jogada, porque essa orla é muito valiosa para o fim destinado até então.
    Seria um projeto interessante e de grande interesse ambiental-estético

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