Vida Plena e Dignidade para Todos: O desafio da Produção e Consumo Sustentáveis

“Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”

Mahatma Gandhi

pensarcomerpreservarConforme o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), neste ano de 2013, o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho reforça o tema da campanha Pensar, Comer, Conservar que visa diminuir as significativas quantidades de alimentos, próprios para o consumo, que são desperdiçadas por consumidores e comerciantes.

A importância da data está relacionada às discussões sobre a poluição do ar, do solo e da água; desmatamento; diminuição da biodiversidade e da água potável ao consumo humano, destruição da camada de ozônio, destruição da flora, extinção de vegetais e animais, dentre outros.

Mas em face da vida moderna, os prejuízos ainda são maiores. Uma enorme quantidade de resíduos são descartados todos os dias, como sacos, copos e garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros em geral, papéis e papelões, causando a destruição da natureza e a morte de várias espécies da fauna.

A política do reaproveitamento de resíduos ainda é muito fraca, em várias localidades ainda não há coleta seletiva; o que aumenta a poluição, pois vários tipos de resíduos tóxicos, como pilhas, baterias, lâmpadas são descartados de qualquer forma, levando a absorção dos mesmos pelo solo e a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.

E cada um pode cumprir com o seu papel de cidadão, não jogando resíduos nas ruas, usando menos produtos descartáveis e evitando sair de carro todos os dias. Se cada um fizer a sua parte, o mundo será transformado e as gerações presentes e futuras viverão num ambiente com melhor qualidade de vida.

O Brasil é o quarto produtor mundial de alimentos, produzindo 25,7% a mais do que necessita para alimentar a sua população, de toda esta riqueza, mas grande parte é desperdiçada.

Segundo dados da Embrapa, 2006, 26,3 milhões de toneladas de alimentos ao ano tem o lixo como destino. Diariamente, desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas por dia, quantidade esta suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e janta.

De acordo com o caderno temático “A nutrição e o consumo consciente” do Instituto Akatu, aproximadamente 64% do que se planta no Brasil é perdido ao longo da cadeia produtiva: 20% na colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria de processamento; 1% no varejo; 20% no processamento culinário e hábitos alimentares.

Os números fazem do Brasil um dos campeões mundiais de desperdício, analisando os dados de forma simples, isso significa que um domicilio brasileiro desperdiça, em média, 20% dos alimentos que compra semanalmente, remetendo a uma perda de US$ 1 bilhão por ano, ou o suficiente para alimentar 500 mil famílias.

Reduzir o desperdício de alimentos ajuda a economizar recursos naturais como a água e a proteger o meio ambiente, evitando desmatamento desnecessário e poluição. A discussão sobre o desperdício é importante e é um desfio da Fome Zero.

As questões sociais ligadas ao desperdício de alimentos são mais evidentes, no entanto, nem sempre ficam claras as consequências do desperdício para o meio ambiente. Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, é importante para discutirmos o tema e verificarmos como todas as profissões e atividades tem função essencial para aliar segurança alimentar, nutricional e sustentabilidade.

É preciso lembrarmos que os lixões prejudicam o meio ambiente e que a redução dos resíduos é importante para diminuir também os depósitos de lixo. Segundo dados da Embrapa, 60% do lixo doméstico brasileiro diz respeito a resíduos orgânicos, o que equivale a 144.968 toneladas de lixo por dia, aponta ainda que 76% desse lixo é depositado a céu aberto em lixões.

Devemos alertar sobre a conservação adequada dos alimentos, o planejamento dos cardápios e sobre alimentação equilibrada, contribuindo para evitar o desperdício e o consumo excessivo de alimentos. Outro trabalho importante está no controle de sobras e restos em restaurantes comerciais e industriais.

Todos os alimentos estão sujeitos ao desperdício,  principalmente aqueles muito perecíveis, como as frutas, verduras, legumes, cárneos e laticínios. A má qualidade do transporte e o armazenamento dos alimentos in natura causam danos aos alimentos, tornando a sua aparência desagradável ao consumidor, e por isso acabam sendo desperdiçados. Outro problema grave é o descuido no controle da temperatura adequada e no manuseio de produtos cárneos e laticínios, com danos às embalagens. Este fato ocorre no transporte e distribuição dos produtos, propiciando assim a contaminação e multiplicação de microrganismos patogênicos.

Como falarmos de meio ambiente, impactos ambientais, desperdícios de alimentos, se a população está carente de  informações e educação? Devemos começar com as crianças e adolescentes a educação que envolva uma educação ambiental, para termos resultado num futuro próximo. As crianças brasileiras não têm interesse em ler, talvez por ser uma cultura do nosso povo, então, como falarmos de cidadania, meio ambiente, desperdício de alimentos, se as pessoas são leigas? As consequências de falta de investimentos em educação estão presentes no nosso dia a dia.

Recentemente alimentos de origem animal como os produtos lácteos foram fraudados, detectadas adições de ureia, sal, bicarbonato, água contaminada por coliformes fecais, dando a noção da dimensão do risco a nossa saúde que corremos no dia a dia.

A sociedade brasileira está passando por um processo de desinformação e alienação alimentar. Pois, as mudanças só serão possíveis se houver uma consciência alimentar da população, que deve ser mais crítica com a questão da produção de alimentos no Brasil. Que na nossa ótica ainda é possível, apesar das dificuldades, fazer uma transição do atual sistema de produção para um modelo baseado na agroecologia e na agricultura camponesa. Por isso, é preciso que sejamos firmes para demonstrarmos o quanto os venenos agrícolas fazem mal à saúde, e que esta é uma questão urgente, não dá para adiar mais, as consequências já são terríveis e serão  cada vez piores, caso não sejam adotadas medidas para o atendimento às boas práticas agrícolas.

É direito de todos ter uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente.

Onde está a implementação da gestão da política e do sistema nacional de segurança alimentar e nutricional?

Conhecermos o caminho dos alimentos do campo até a nossa mesa faz bem a saúde

As  liberações fraudulentas por órgãos ambientais,  que deveriam legalmente proteger o meio ambiente, quando foram presos alguns corruptos ambientais, é uma vergonha para nós gaúchos e para a maioria dos técnicos destes órgãos, que são pessoas honestas e empenhadas em seu trabalho. Mas a realidade não é só do município ou do estado. A agenda ambiental, no Brasil e neste mundo globalizado e “competitivo”, vem sendo ou abandonada ou estrangulada deliberadamente, apesar dos gestores, alguns inclusive, presos nesta operação.

Mas é comum no Brasil, onde os órgãos ambientais estão sendo, cada vez mais, fragilizados, para atender demandas imediatistas de setores econômicos.

Frente ao escândalo de corrupções reveladas pela Polícia Federal, em nosso estado através da operação intitulada “Concutare”, a Assembleia Permanente de Entidade em Defesa do Meio Ambiente  do Rio Grande do Sul e o Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente publicaram importante documento sobre o caso. É importante salientar que, há bastante tempo, os ambientalistas gaúchos já têm denunciado a existência de irregularidades no tratamento dos casos de licenciamentos e fiscalizações ambientas aqui no estado.

O que se vê é o uso partidário e a indicação massiva dos chamados cargos em comissão sem o devido requisito técnico, não raro também nos segundo e terceiro escalões. Se adicionarmos os ingredientes da corrupção agora evidenciada e do enfraquecimento paulatino dos órgãos de meio ambiente, em termos de infraestrutura, pessoal, salário e trabalho dignos, sem falar nas pressões econômicas, o resultado é um enorme desastre.

Os licenciamentos e as fiscalizações ambientais no Brasil estão sob suspeição há muito tempo. Grandes empresas e governos subjugam a área ambiental, utilizando-se até de assédio moral. Ademais, jogou-se um peso muito grande e desproporcional no licenciamento, com os tais “balcões de licenciamento”, incrementando-se uma estrutura meramente burocrática de “carimbo e assinatura” para um processo que é muitas vezes complexo.

Pelo menos cento e oito municípios do RS, 22% dos quatrocentos e noventa e sete admitem não fiscalizarem empreendimentos de impacto ambiental local, como determina a legislação. Para o agravamento do quadro, trinta e três deles emitem licenças ambientais, mas não fiscalizam o cumprimento das condições restrições impostas aos empreendedores.

Os primeiros resultados apontam indícios de descontrole, dos trezentos e oitenta e nove municípios que informaram fazerem  licenciamentos ambientais, apenas duzentos e setenta e cinco declararam ter equipe técnica com funcionários concursados para atuarem no serviço. Os demais contratam empresas ou profissionais para elaborar pareceres.

Meio ambiente não é um problema isolado, que diz respeito exclusivamente a questões de poluição, biodiversidade ou mudanças climáticas.  Por meio da ideia do desenvolvimento sustentável, o ambiente articula-se com as várias dimensões: cultural, política, econômica e social.  E, durante mais uma Semana do Meio Ambiente, é preciso não esquecer, em nenhum momento, que a Governança Ambiental Global é o meio essencial para sua promoção.

Desarmonia entre a governança ambiental e desenvolvimento inviabiliza a sustentabilidade.

Acreditamos que uma nova consciência planetária deve começar nas escolhas concretas que fazemos em nossas ações diárias.

 

Julio Cesar Rech Anhaia – Engº Agrº – 05 de junho de 2013

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