Perigo ambiental nos contêineres de lixo

O mercúrio das lâmpadas fluorescentes: perigo ambiental que passa quase despercebido

Contêiner de lixo domiciliar (orgânico) na rua João Telles, bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Foto: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Quase todos reconhecem que a colocação de contêineres para recolhimento automatizado de lixo orgânico em Porto Alegre foi uma grande avanço para a limpeza de nossas ruas. O grande problema que essa ação não foi acompanhada de uma campanha realmente esclarecedora de nossa prefeitura sobre o lixo, os tipos de lixo que devem ser colocados nos contêineres, como separar o lixo reciclável e como descartar os tipos de resíduos que não se enquadram como orgânicos ou recicláveis.

Lâmpadas fluorescentes em um contêiner de lixo orgânico no bairro Bom Fim. Foto: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

Em virtude da ignorância da população sobre o descarte do lixo, especialmente os perigosos para o meio ambiente, todo os tipos de lixo estão sendo colocados nos contêineres para lixo orgânico.

De quem é a responsabilidade? Certamente de nossos administradores públicos que preferem gastar verbas públicas em propaganda institucional da própria prefeitura ou festividades que melhoram a visibilidade política da administração que em esclarecer a população sobre os perigos que a maioria não percebe.

No contêiner de lixo orgânico também lixo recicláver e materiais perigosos como lâmpadas fluorescentes. Foto: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

O perigo do descarte inadequado das lâmpadas fluorescentes

As lâmpadas que iluminam nossas casas parecem simples e inofensivas. Entretanto, após utilização ou queima, seu descarte inadequado no meio ambiente representa perigo à contaminação por mercúrio, metal altamente tóxico e bioacumulativo nos organismos vivos.

As lâmpadas fluorescentes, especialmente as compactas, são largamente associadas com um comportamento mais verde e mais ecologicamente correto.

A sua grande vantagem é que elas gastam menos energia.

A grande desvantagem dessas lâmpadas – também conhecidas como lâmpadas PL – é que cada uma delas tem mercúrio em seu interior, um metal pesado com pesadíssimos efeitos sobre a saúde humana.

Apesar da quantidade de mercúrio em cada lâmpada individual não ser grande, o risco pode ser maior do que considerado até agora.

Liberação contínua de mercúrio

O problema é que, uma vez quebrada, uma lâmpada fluorescente libera vapor de mercúrio continuamente no ar – durante semanas e até meses.

E o valor total dessa emissão pode exceder os níveis seguros de exposição humana em lugares com pouca ventilação.

A conclusão é de dois pesquisadores da Universidade de Jackson, nos Estados Unidos.

Quando um lâmpada PL se quebra

A quantidade de mercúrio (Hg) que vaza de uma única lâmpada PL quebrada é menor do que o nível permitido pela legislação. Por isso, essas lâmpadas não são consideradas resíduos perigosos quando descartadas.

No entanto, Yadong Li e seu colega Li Jin descobriram que a quantidade total de vapor de mercúrio liberado de uma lâmpada compacta quebrada ao longo do tempo pode ser superior ao valor considerado seguro para a exposição humana.

Como as pessoas podem facilmente inalar o mercúrio em vapor, os autores sugerem a remoção rápida das lâmpadas fluorescentes compactas quebradas e a ventilação adequada do ambiente onde o acidente se deu.

“Este trabalho contém uma análise holística impressionante dos riscos potenciais associados com a liberação de mercúrio das lâmpadas fluorescentes compactas quebradas e aponta para potenciais ameaças à saúde humana, que nem sempre têm sido consideradas,” afirmou Domenico Grasso, da Universidade de Vermont, que não esteve envolvido com a pesquisa.

“O conteúdo de mercúrio nas lâmpadas fluorescentes compactas varia significativamente entre os fabricantes. Para as lâmpadas fluorescentes espirais mais populares, de 13 W, a quantidade total de mercúrio varia de 0,17 a 3,6 mg por lâmpada,” escrevem os cientistas.

Cuidados

Eles argumentam que os testes usados pelas autoridades de saúde não conseguem captar todo o risco potencial das lâmpadas compactas porque elas “liberam vapor de mercúrio continuamente quando se quebram.

A emissão pode durar semanas e até meses, e a quantidade total de mercúrio que pode ser liberado em vapor a partir das lâmpadas fluorescentes compactas mais novas muitas vezes pode exceder 1.0 mg,” afirmam.

“Como o vapor de mercúrio pode ser facilmente inalado pelas pessoas, a remoção rápida das lâmpadas fluorescentes compactas quebradas e a ventilação suficiente dos locais com ar fresco são fundamentais para proteger as pessoas de danos em potencial,” concluem.

O alerta do Ministério do Meio Ambiente britânico

Alerta do Ministério Britânico do Meio Ambiente

Já que nossas Secretarias do Meio Ambiente nada informam sobre os perigos das lâmpadas fluorescentes à população, devemos seguir as instruções do Ministério da Saúde britânico para evitar os graves danos causados pelo mercúrio à sua saúde e principalmente ao meio ambiente:

Lâmpadas de baixa energia, são perigosas quando se quebram! Em caso de quebra acidental todo mundo vai ter que sair da sala/quarto, pelo menos por 30 minutos, devido aos vapores tóxicos do Mercúrio que se espalham pelo ambiente!

As lâmpadas que contêm Mercúrio (venenoso), causam enxaqueca, desorientação, desequilíbrios e diferentes outros problemas de saúde quando seus vapores são inalados.

Em pessoas com alergias, causa problemas de pele e outras doenças graves se for tocado e/ou inalado.

Além disso, o ministério da saúde britânico alertou para não usar aspirador de pó para coletar os restos da lâmpada quebrada , pois a contaminação (por mercúrio) se espalhará em outras regiões da casa quanto você estiver usando o aspirador de pó novamente.

Como recolher/descartar os cacos da lâmpada

1) Se tiver em casa uma máscara descartável (daquelas usadas para proteção do vírus da Gripe H1N1), use-a evitando inalar o vapor do Mercúrio.

2) Use uma luva de borracha para pegar cuidadosamente os cacos da lâmpada quebrada, inclusive o que sobrou dela.

3) Coloque os cacos/sobras da lâmpada sobre um pano/flanela velha (nunca use jornal) embrulhando bem, e coloque (o pano com os cacos) dentro de um saco plástico. Amarre a boca do saco plástico.

4) Descarte o saco plástico (com os resíduos da lâmpada) em local adequado para descarte de baterias de celular ou pilhas comuns (algumas lojas e supermercados tem este serviço).

5) Passe adiante esta informação

Avisos:

O mercúrio é mais venenoso que o chumbo ou arsênico!

Contêineres de lixo orgânico não devem ser usados para o descarte de lixo altamente poluente como lâmpadas fluorescentes, pois o mercúrio contamina nosso solo e nossa água!

Fontes:

http://www.abq.org.br/cbq/2011/trabalhos/5/5-37-9939.htm

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=mercurio-liberado-lampadas-fluorescentes-compactas-pl&id=6685&nl=nlds

http://endofmen.wordpress.com/2009/01/11/the-coming-horror-of-eco-bulbs-or-cfl/

Leia mais sobre os contêineres de lixo em Porto Alegre:

Os contêineres da ignorância

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