Tem gosto amargo no chocolate

O Lado Negro do Chocolate/The Dark Side of Chocolate (2010)

Para os que gostam de chocolate, esse documentário pode deixar um gosto amargo na boca, pois a Costa do Marfim, o principal produtor de cacau no mundo, utiliza-se enormemente de mão de obra semi-escrava infantil. (docverdade)

O chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças? O premiado jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, decide investigar os boatos. Sua busca atrás de respostas o leva até Mali, na África Ocidental, onde câmeras ocultas revelam o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim.

A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, Barry Callebaut e Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no setor até 2008. Será que o seu chocolate tem um gosto amargo? Miki Mistrati foi até a África para expor “O Lado Negro do Chocolate”.

Leia aqui:

Chocolate mantém gosto amargo de exploração

(por Jessica Dacey, swissinfo.ch)

Em setembro de 2001, os oito principais representantes da indústria de chocolate e cacau se empenhavam em combater o trabalho infantil segundo o Protocolo Harkin-Engel

Entre essas empresas, as suíças Nestlé e Barry Callebaut. Dez anos depois, elas continuam sendo criticadas pelas organizações não governamentais.

Estas empresas não fizeram o suficiente e o protocolo não foi aplicado corretamente. Trata-se agora de torná-lo juridicamente coercitivo, julga a coalizão internacional de ONGs agrupadas sob a insígnia “10-Campaign”.

Para as ONGs, os países importadores devem assumir a responsabilidade, forçando as empresas do setor a serem submetidas a controles independentes em seus processos de produção.

O principal objetivo do protocolo era “eliminar as piores formas de trabalho infantil” do setor cacaueiro de Gana e da Costa do Marfim. No caso, tráfico infantil e trabalho forçado. As empresas concordaram em expandir os programas de prevenção do trabalho infantil em países produtores de cacau. Mas os resultados não foram alcançados, segundo Flurina Doppler, da Declaração de Berna, que participa da campanha.

Flurina Doppler cita um relatório da “Tulane University” datado deste ano. O governo dos EUA mandatou a universidade para monitorar a implementação do protocolo. Neste relatório, a comissão constata que as empresas em causa não implementaram de forma satisfatória nenhum dos seis objetivos do protocolo.

Muito pouco progresso

“Nós temos visto alguns progressos. O problema do trabalho infantil foi reconhecido e admitido. Ele era negado e ignorado no passado. Mas a situação geral não melhorou significativamente”, disse Flurina Doppler.

Segundo o relatório, faltam os financiamentos por parte da indústria e os padrões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aplicados ao setor cacaueiro da Costa do Marfim e do Gana foram apenas parcialmente desenvolvidos.

Hoje, 60% do cacau do mundo vem da África Ocidental. E a maior parte da colheita dos grãos vem da Costa do Marfim. Um país onde o abuso do trabalho infantil é um problema real. O relatório da Universidade Tulane estimou que cerca de 1,8 milhões de crianças (menores de 15 anos) trabalham na indústria do cacau na Costa do Marfim e no Gana.

Por sua vez, a Nestlé falou à swissinfo.ch dos progresso realizados desde 2001, com a criação da Iniciativa Internacional do Cacau (ICI) – um dos objetivos do protocolo – destinada a promover práticas de trabalho responsáveis. Nestlé também destaca o “apoio” reafirmado em 2010 pelas empresas signatárias a um novo quadro de ação ligado ao protocolo.

 

Um pensamento sobre “Tem gosto amargo no chocolate

  1. Esta história é mesmo de arrepiar, mas as injustiças nas lavouras de cacau também está perto de nós. Este ano finalizei o documentário “O nó: ato humano deliberado”, que aborda a introdução criminosa da doença vassoura-de-bruxa nas plantações de cacau do sul da Bahia e o fracasso da intervenção do Governo brasileiro através do Programa de Recuperação da Lavoura, eventos que ocasionaram um desastre socioeconômico e ecológico sem precedentes, inviabilizando mais de seiscentos mil hectares da cultura, destruindo as vidas e os sonhos de milhares de famílias de trabalhadores rurais, cacauicultores e comerciantes, A catástrofe extinguiu 250.000 postos de trabalho, provocou o êxodo de aproximadamente 800.000 homens, mulheres e crianças que moravam nas fazendas e ainda quebrou a economia de quase cem municípios.

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