Aí pensei: “Meu Deus, é no Brasil!”

Opinião da arquiteta e urbanista Helo Barbeiro numa postagem sobre a rua Gonçalo de Carvalho no Blog Ensaios Fragmentados.

O Túnel Verde da rua Gonçalo de Carvalho (foto Ricardo Stricher/PMPA)

Opinião de Helo Barbeiro pelo Ensaios Fragmentados:

A primeira coisa que eu pensei quando eu vi essas fotos foi: “onde é isso??” E logo a seguir eu vi: Porto Alegre. Aí pensei: “Meu Deus, é no Brasil!”

Por que não imaginei de cara que essa rua podia ser no Brasil? Tinha tudo para ser! Não é em qualquer lugar que se cresce árvores incrivelmente altas… Na verdade, uma experiência pessoal me mostrou isso… Nós, brasileiros, estamos acostumados a conviver com essa natureza fora de série, de proporções gigantescas e de tanta variedade! Quando estive na Espanha de intercambio pela Universidade, uma das aulas que eu tive era de paisagismo e quando eu sugeri, em um projeto paisagístico para um terreno de Madri, o plantio de árvores de mais de 15 metros de altura, o professor comentou comigo que isso seria muito pouco provável…

Sim! Pouco provável que um espaço urbano em Madri consiga dar suporte físico e condições ambientais para que se plante uma fileira de árvores densas de mais de 15 metros de altura… E no Brasil, na Rua Gonçalo Carvalho, ou mesmo na pracinha que existe atrás da minha casa em São Paulo, existem árvores muitíssimo mais altas!

Então porque o estranhamento de esta rua ser no Brasil? A resposta parece óbvia, não é? Por que estes espaços sempre saem perdendo quando se deparam com a dura realidade da cidade movida pelo sistema econômico vigente; e desaparecem para dar lugar a incríveis condomínios ou shoppings!

Nem de longe estou promovendo uma mudança do sistema! Não é isso! Mas me parece um absurdo nos deixarmos levar com a maré e aceitar que percamos um patrimônio tão grande e tão rico, que poucos lugares podem promover, para que se possa construir uma cidade genérica e igual a todas as outras, que se vê em qualquer lugar do mundo! Será que estou fazendo uma crítica direta ao Koolhaas? Seria um atrevimento, mas porque não

Por que não podemos pensar nossas cidades como se elas fossem parte das nossas casas e lutar por elas, como fizeram os amigos da Rua Gonçalo de Carvalho? Quanto tempo mais esperaremos de braços cruzados que a cidade mude de acordo com os interesses de alguns poucos

Mais uma vez surge a pergunta: Em que cidade queremos viver? Apesar do tom pessimista deste texto, ou deste raciocínio que talvez não tenha se explicado muito bem pela vontade de expressar muitas inquietudes, fico feliz em ver que ainda existem alguns que lutam pela urbe, como os Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho! O importante é pensar que podemos mudar o rumo das coisas e construir a cidade que acreditamos que é melhor, mesmo que nem sempre seja a cidade que gere mais riqueza monetária… Existem outros tipos de riqueza e que, pouco a pouco, vão se afirmando como tão importantes quanto e, muitas vezes, mais necessárias e pelas quais devemos lutar para que construam as cidades de hoje e as do futuro!

Agradecimentos: a minha mãe, Maria Helena, que me mostrou uma matéria sobre essa rua!

Postado por Helo Barbeiro às 10:42 em 23 de outubro de 2011.

Daqui: Blog Ensaios Fragmentados – “A rua mais bonita do mundo”

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