Manuelzão: “nem marimbondo gosta de eucalipto”

“… porque nada gosta de eucalipto, não. Nem gado, nem passarinho, nem marimbondo gosta de lugar de eucalipto…”

Segunda parte da vídeo entrevista com Manuelzão e Bananeira – Manuelzão foi personagem da obra de Guimarães Rosa. Direção e Gravação Geraldo Elísio, Edição e Roteiro Adilson Bernador Silvestre. Música Andersen Viana. Assistência Guilherme Santiago.

Biografia de Manuelzão

Um velho sertanejo de prosa agradável, sempre disposto a receber uma visita com bom humor e contar ‘”causos” dos mais peculiares e interessantes. Essas são algumas das características que marcaram a personalidade de Manuel Nardi, que inspirou o escritor mineiro João Guimarães Rosa a criar um de seus mais famosos personagens: Manuelzão. A sabedoria do vaqueiro e sua preocupação com o meio ambiente traduzem a causa deste Projeto, que foi batizado com o nome Manuelzão.

Nascido em 1904, em Dom Silvério, cidade na Zona da Mata Mineira, Manuel Nardi passou quase todos os seus 93 anos no sertão mineiro. Ficou órfão de pai quando ainda era criança e também foi cedo que saiu de casa. O primeiro emprego foi como cozinheiro de tropa, o que o levou a conhecer bem o interior de Minas Gerais. Manuelzão encantava com sua simplicidade e franqueza. E mesmo depois de se aposentar como vaqueiro continuou figura conhecida no sertão mineiro.

Em 1952, Manuel Nardi conheceu Guimarães Rosa, que já era consagrado pelo livro Sagarana. Naquela época, Manuelzão era capataz das boiadas do fazendeiro Chico Moreira, primo do Guimarães. O encontro entre o vaqueiro e o escritor se deu quando Guimarães decidiu acompanhar uma viagem da boiada do primo. Daqueles 10 dias pelo sertão de Minas, resultariam dois de seus livros mais importantes: Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, livro de contos e novelas que depois foi dividido em três volumes – Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.

Aquele encontro também foi valioso para Manuelzão: “Quando eu agüentava trabalhar, eu estava sempre ocupado. Se eu não conheço ele [Guimarães Rosa], eu hoje estava um velho encravado. Ninguém ia lembrar de mim. Eu não aprendi muito com ele porque tudo o que ele perguntava, anotava num caderninho. Mas a gente não anotava nada do que ele dizia. Então, esqueci muita coisa”, dizia o vaqueiro.

Manuel Nardi morreu em 1998, um ano após o surgimento do Projeto Manuelzão. Em 1997, o vaqueiro apresentou o Projeto numa reunião do Instituto Mineiro de Gestão de Águas e do Programa de Saneamento do Estado de Minas Gerais.

A história e experiência de Manuelzão mantêm viva uma época em que o homem e a natureza não conviviam com tantos conflitos. Assim como na literatura de Guimarães Rosa, que busca preservar a vida e a linguagem sertaneja, o Projeto Manuelzão luta por preservar não apenas o sertão, mas toda a bacia do Rio das Velhas.

Fonte: Viagem Cultural 2008

Projeto Manuelzão: http://www.manuelzao.ufmg.br/

Charge de Santiago

Documentário Cruzando o Deserto Verde:

(Brasil, 2002, 54min. – Direção: Ricardo Sá)

A plantação de eucaliptos para a produção de celulose é uma das atividades mais agressivas para o meio-ambiente e para a sociedade. Assoreamento dos rios, dizimação das espécies nativas, concentração de terra, violência no campo, decadência da atividade pesqueira, trabalho semi-escravo, são apenas algumas das consequências desse grande negócio para exportação.

Charge de Eugênio Neves

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