Reunião do Comitê Multidisciplinar

“Conhecendo o Guaíba”:

planejar e preservar com sensibilidade ambiental


O Comitê Multidisciplinar de Planejamento Urbanístico da Orla do Guaíba, na última quarta-feira (dia 7), promoveu palestra com o tema “Conhecendo a Orla do Guaíba”, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RS). Participaram Teresinha Guerra, geóloga e doutora em Geoquímica Ambiental, que representou o Comitê do Lago Guaíba; Israel Barcelos de Abreu, geólogo e mestre em Hidrologia e Saneamento; Rualdo Menegat, geólogo, doutor em Ecologia da Paisagem; Astélio Bloise dos Santos, ex-comodoro do Clube Veleiros do Sul; e Nanci Begnini Giugno Alves, engenheira e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do RS (Abes). O Comitê Multidisciplinar é coordenado pela artista plástica Zoravia Bettiol, e reúne, entre várias entidades, o Movimento em Defesa da Orla do Guaíba, a AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), a Abes e diversas Associações de Moradores de Porto Alegre.

Reunião do Comitê Multidisciplinar

Zoravia Bettiol, Luís Antônio Grassi, Teresinha Guerra e Vanessa Melgaré

Os palestrantes apresentaram estudos sobre as riquezas ambientais de Porto Alegre e salientaram sobre a necessidade urgente de planejar sua preservação. Cada palestrante trouxe sua visão de estudo sobre o Guaíba e suas particularidades, “que tornaram a palestra recheada de descobertas para o público”, observa Sylvio Nogueira, do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) e um dos coordenadores do Movimento em Defesa da Orla.

Israel Barcelos de Abreu

Velejar no Guaíba

“Dos 1.500 barcos que navegam por mês no Guaíba, velejam cerca de 30 mil pessoas. Somente este pequeno grupo tem a visão do rio-lago. Num dia lindo, com muito vento como hoje, quantas pessoas tiveram acesso ao Guaíba? Poucas. Se ampliarmos essa visão da água para a cidade toda, vamos ter uma visão mais crítica sobre a construção que queremos para a Porto Alegre do futuro. Um exemplo de preservação são as marinas da Europa, em Barcelona na Espanha, que com ajuda dos pescadores do Mediterrâneo buscaram minimizar os impactos. Temos que pensar o impacto que teremos se fizermos um novo Cais do Porto, se houver necessidade de uma nova construção de Cais”, comentou Israel Barcelos de Abreu, geólogo, mestre em hidrologia e saneamento e doutor em Ciência pela Universidade de Barcelona (Espanha).

Admirar a paisagem

“Admirar a paisagem é um importante exercício de biopsicologia humana, para a nossa higiene mental. A forma como as cidades se formaram impede que ocorra a admiração da paisagem. Deixamos de admirar e pensar no futuro. Precisamos recuperar a capacidade naturalista de observar”, comentou o professor Rualdo.

Guaíba em risco: Moratória

Rualdo Menegat

Rualdo Menegat

“O Lago Guaíba é um manancial de riquezas, e não precisamos enumerar muitas qualidades, somente uma responde por todas: sua capacidade de gerador de água potável. Ele merece toda atenção e cuidado. O Guaíba é de toda a Região Metropolitana, com quatro milhões de pessoas, não é só de Porto Alegre, mas de uma megacidade. Com essa visão, temos que assumir outro contexto de gestão e assumir a cultura de megacidade. O Guaíba está em alto risco. Assim como as chuvas abalaram o Rio de Janeiro nesta semana, por falta de planejamento, Porto Alegre também não está preparada. Deveríamos pedir uma “moratória geral para o Guaíba”, para que se pare, planeje e preserve: o Guaíba está muito contaminado no fundo. O volume de esgoto que entra no Guaíba, tanto o doméstico (79 vezes o seu volume anual) e o esgoto industrial (14 vezes o volume do Guaíba anual), é alarmante. Precisamos parar com isso e repensar. Precisamos dar um tempo ao Guaíba, comentou o professor Rualdo Menegat, professor do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências da Ufrgs, e geólogo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Pesquisa sobre visões do Guaíba

Teresinha Guerra

Teresinha Guerra (à esquerda)

Teresinha Guerra apresentou o Diagnóstico da Bacia Hidrográfica do Guaíba, demonstrando como foi ocupado e que população ocupa a bacia. O grupo que mais demonstrou um sentimento próximo da natureza, no estudo, foi o de pescadores. “Eles se apegam muito ao sentimento de pertencer ao rio. Já outros grupos veem o rio de outra forma, mais preocupados com seus negócios e menos reflexivos sobre o impacto destrutivo que possam estar causando. A população da capital é um grupo heterogêneo, tem grupos que querem fazer alguma coisa, com pensamento de usufruir ao máximo possível. Mas tem outros que veem o Guaíba como algo parado na paisagem e distante”.

“O Guaíba precisa ter suas praias mapeadas, identificadas, pois são da comunidade e não podem ser poluídas. As praias e enseadas, pontais de granito, estão com um grande deposito de resíduos. Temos que ter um plano de manejo na Orla, em um círculo de 10 kms das Ilhas, por exemplo”.

“Cada área de preservação depende de um plano de manejo, para ser pensado e discutido sobre o que vai acontecer ali naquelas áreas. Pensar em como é possível melhorar a Orla, já urbanizada com a infraestrutura do Cais do Porto ao rio Gravataí, e pensar inclusive na estética”. Teresinha Guerra, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Nanci Begnini Giugno Alves

Nanci Begnini Giugno Alves

Guaíba de contrastes

“O Guaíba é cheio de contrastes. Suas margens, sem vegetação, é onde está ocorrendo o crescimento do mexilhão dourado, que representa um risco à saúde. Precisamos pensar em quais são os usos conflitantes. É preciso que as pessoas sintam e percebam mais o Guaíba”. Nanci Begnini Giugno Alves, engenheira, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes/RS) e ex-presidente do Comitê do Lago Guaíba.

O Guaíba de ontem e de hoje

Astélio Bloise dos Santos

Astélio Bloise dos Santos

Astélio contou suas experiências com o Guaíba, desde sua infância, das pescarias, das mudanças e agressões que presenciou. Lembrou os arroios que levam suas águas, mas também areia e muita sujeira para o Guaíba. Destacou que para melhor conhecer o Guaíba é necessário ler os livros “Descobrindo o Guaíba” e “O Guaíba e a Lagoa dos Patos” de Geraldo Knippling. Astélio Bloise dos Santos, presidente da Ambi (Associação de Moradores do Bairro Ipanema) e ex-comodoro do Clube Veleiros do Sul.

Reunião do Comitê Multidisciplinar de Planejamento Urbanístico da Orla do Guaíba

Reunião do Comitê Multidisciplinar de Planejamento Urbanístico da Orla do Guaíba

Os próximos eventos realizados pelo Comitê serão divulgados. Nosso objetivo é sempre no sentido de que mais pessoas da comunidade possam conhecer para defender. Conhecer as riquezas e os riscos que o nosso Guaíba está sofrendo e as alternativas que a população tem para salvá-lo. Sim, a responsabilidade é de toda população para conseguirmos chamar a atenção das autoridades competentes para a importância do assunto.

Comitê Multidisciplinar de Planejamento Urbanístico da Orla do Guaíba

Grupo de Comunicação

Fotos: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho

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2 pensamentos sobre “Reunião do Comitê Multidisciplinar

  1. epois de tanta chuva, Kassab anunciou a construção da hidroelétrica do Anhangabaú.

    – Alguns Vereadores de Porto Alegre, o Fogaça e o Fortunati estão morrendo de inveja, ainda não conseguiram criar o MAR GUAÍBA no centro da cidade, embora consigam criar água acumulada em muitos lugares, mas continuam tentando.

    – Em SP não se fala mais direita e esquerda… Agora é bombordo e estibordo!

    – Se a São Silvestre fosse em janeiro, o Cesar Cielo iria humilhar!

    – Depois do Airbag, os coletes salva vidas são os opcionais mais importantes nos carros de Sao Paulo.

  2. Tem um certo Professor que já conseguiu mudar o nome do Guaiba que pode ajudar o Fogaça e o Fortunati a criar um mar ou justificar que o Guaíba não é lago nem rio é um MAR.
    Mar de lama e de criminosos ambientais.

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