Para entender os Planos Diretores

Paulo Octávio e Nenê Constantino transformam Brasília em dois latifúndios

Por Por Lúcia Leão, na agência Brasília Confidencial

Às vésperas da prisão e do afastamento do governador José Roberto Arruda e no auge da maior crise político-institucional da história do Distrito Federal, a classe empresarial de Brasília era, na semana passada, só alegria. Ao menos os construtores e incorporadores de imóveis, que comemoravam um ano de excelentes negócios. Segundo o Conselho de Corretores de Imóveis do DF (Creci-DF), o mercado imobiliário do Distrito Federal ultrapassou o do Rio de Janeiro e chegou ao fim de 2009 no segundo lugar do país em faturamento e volume de vendas.

Um grupo de dez empresas encabeçado pela Paulo Octávio Empreendimentos Imobiliários, de propriedade do hoje governador, e pela Incorporadora Antares, do empresário Nenê Constantino – amigo do ex-governador Joaquim Roriz e personagem de outro grande escândalo de corrupção que culminou na renúncia de Roriz ao Senado em 2007 – movimentou R$ 4,2 bilhões, pouco menos de R$ 12 milhões em cada um dos 365 dias do ano, com a venda de 14.000 novos imóveis. No Rio de Janeiro foram 13.000 unidades vendidas pelo valor total de R$ 3,9 bilhões. A diferença nominal não é tão grande, mas Brasília tem 1,8 milhão de habitantes, menos de um terço dos 6,2 milhões de cariocas.

Enquanto os outros lugares do Brasil e do mundo sofriam com a crise econômica que, segundo o Creci, retraiu o mercado, em média, 20%, Brasília manteve o ritmo de crescimento que registra desde meados da década de 1990. Para a geógrafa Mônica Veríssimo, presidente da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento, que acompanha a expansão urbana da cidade, esse desempenho excepcional resulta da combinação das novas regras do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), aprovado pela Câmara Legislativa no ano passado, com o liberalismo dos órgãos ambientais locais.

Segundo Durval Barbosa, o delator do mensalão do DEM, foi para votar o PDOT que os parlamentares receberam o dinheiro que guardaram em meias, bolsos e bolsas diante das câmeras. O plano autoriza construir residências em 29 novas áreas para as quais, segundo Mônica Veríssimo, não há demanda.

“Sem acrescentar nenhum metro quadrado, o Distrito Federal ainda tem área para atender a demanda por moradia até o ano de 2020”, afirma a geógrafa com base nos levantamentos realizados pela Fundação.

Os ministérios públicos Federal e do Distrito Federal concordam e entraram, em conjunto, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o projeto no Tribunal de Justiça do DF.

Foi por conta do Ministério Público, também, que o crescimento do setor imobiliário não foi ainda maior em 2009. A Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística conseguiu suspender, por decisão liminar, dois grandes empreendimentos que, no entendimento dos promotores, ferem diferentes princípios legais. Um seria construído pela empresa de Nenê Constantino. O outro, por duas empresas de Paulo Octávio que são donas de grande parte dos terrenos.

Um outro grande negócio Paulo Octávio perdeu por pressão dos moradores do Lago Sul, área nobre da cidade que seria invadida por um imenso shopping center. O empresário e vice-governador arrematou o terreno da imobiliária estatal Terracap e tentou desvirtuar sua destinação oficial, que era para uma pequena edificação dentro de um grande parque. Na época, fevereiro do ano passado, ainda sonhando com o governo, PO – como é conhecido na cidade em função do logotipo de sua empresa – cedeu.

Fonte: O Outro Lado da Notícia

Charge do Kayser

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