Qual o problema do projeto Pontal do Estaleiro?

Pontal do Estaleiro: o problema é outro

Elmar Bones/Jornal JÁ, em 28/4/2009

Entidades acompanham a primeira votação do projeto, mesmo fora do plenário.

Entidades acompanham a primeira votação do projeto, mesmo fora do plenário.

Contra ou a favor do Pontal do Estaleiro? A questão não é essa. Esse é o pedaço de carne que o ladrão joga para distrair o cão que vigia o pátio.

Os parabéns da Construção Civil - Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA

Os parabéns da Construção Civil - Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA

A questão é saber o que está acontecendo. Por que uma Câmara, que tem a enorme responsabilidade de fazer uma revisão do Plano Diretor da cidade, perde meses discutindo uma questão pontual, que envolve um terreno privado?

Debates, passeatas, atos públicos, liminares, audiências públicas, acusações, denúncias, investigação no Ministério Público, tudo isso para quê? Para que um empreendedor privado faça um bom negócio com um terreno que ele acaba de adquirir?

Para recuperar uma área da cidade que está abandonada? Há 15 anos, a área está abandonada. Já se mudou a lei às pressas uma vez, para que ela fosse “urbanizada”, “qualificada”, “revitalizada”, e ela continuou abandonada. Como tantas outras continuam abandonadas.

Ou é para quebrar uma regra que a cidade tem conseguido manter? Há 30 anos, embora com percalços, resiste em Porto Alegre a idéia de preservar a orla como espaço público, talvez o mais valioso numa cidade que tem seus principais parques saturados ou à beira de saturação.

Veja-se a Redenção ou o Parcão nos fins de semana. O Parcão, aliás, é um caso exemplar. Havia um projeto de grandes prédios para aquela área, que pertencia ao antigo Jockey Club. Foi um movimento da comunidade que encontrou eco na Câmara de Vereadores e preservou aquele espaço para ser um parque, hoje consagrado na vida da cidade.

Cidadãos demonstravam sua inconformidade. Cartunista Santiago e seu cartaz contra os espigões em seu bairro.

Cidadãos demonstravam sua inconformidade. Cartunista Santiago e seu cartaz contra os espigões em seu bairro.

A diferença é que naquela época, em plena ditadura, a cidadania tinha mais voz na mídia do que hoje, quando se diz que estamos numa democracia. E a manipulação dos fatos não era tão escancarada como agora, quando se trata de interesses imobiliários.

Porto Alegre tem um movimento comunitário que é reconhecido no país. Foi destaque numa série do Jornal Nacional sobre o tema. Aqui ele é encoberto com uma capa de silêncio, seus líderes são rotulados como defensores do atraso, inimigos do progresso, satânicos, porque contestam concessões que o poder público faz ao interesse de grupos privados.

Com a cidadania silenciada, a democracia representativa vira farsa. É o risco que estamos correndo nesse processo do Pontal do Estaleiro – desde o vício de origem até esse embrulho lamentável em que estão metidos o senhor prefeito e os senhores vereadores na hora da decisão final.

Esse é o problema.

poavive-blog1.jpgTexto original, aqui: http://www.jornalja.com.br/2009/04/28/pontal-do-estaleiro-o-problema-e-outro/

5 pensamentos sobre “Qual o problema do projeto Pontal do Estaleiro?

  1. O texto não diz a verdade. Está tergiversando. O projeto prevê a ocupação pública, do povo, daquele espaço, com a construção de calçadão, via a beira do rio ou lago, restaurante, bares e marina. Essa é a verdadeira questão. A área adquirida é privada, mas o empreendedor vai permitir o acesso do povo a orla, onde hoje só existe ferro velho.

  2. O senho está errado, senhor Maia.
    Não é o “projeto imobiliário Pontal do Estaleiro” que prevê a ocupação pública, é a LEI que exige isso!
    Este ou qualquer projeto tem que necessariamente fazer isso.
    O empreendedor vai permitir o acesso à orla do Guaíba?
    Ele estaria amparado pelas Leis para proibir isso?

  3. Concordo. Está na lei sim. Qualquer empreendimento no local tem que permitir o acesso público das pessoas à orla. E o empreendimento pontal do estaleiro prevê não apenas acesso, mas benfeitorias para o povo: calçadão, via pública, bares, restaurantes e marina. E isso vocês omitem. A consulta popular só vai dizer se pode ou não ser construído prédio residencial. Apenas isso. Prédios comerciais podem e vão ser construídos no local.

  4. Novamente está incorreta a sua informação, Sr. Maia.

    Na lei prevê um parque público.

    E no projeto (que realmente não existe, é apenas um estudo em 3D), existe a tal “Marina” que não pode ser construída. Também não mostra a real altura dos prédios, pois os “renders” normalmente mostram os prédios de CIMA.

    O motivo de não poder construir uma MARINA?
    A proximidade com o canal de navegação do Guaíba impede que a MARINHA autorize sua construção!
    Por que motivo o Sr. omite isso?
    Por ignorância no assunto?
    Cremos que os “pontaleiros” deveriam informar-se melhor, antes de desinformar a população.

  5. Já estou imaginando como ficará o Pontal nos finais de semana e de noite, se forem edificados apeas prédios comerciais. Após o horário comercial, aqule local será ivadido por desocupados e drogados. Mas, se tiver prédios residenciais, daí vai ter circulação de pessoas, e lojas abertas.

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