Por que tanta pressa?

Por que tanta PRESSA e silêncio?

Entidades rejeitam o projeto

Entidades rejeitam o projeto

Na sexta-feira se comentou que a Câmara Municipal de Porto Alegre poderia votar nesta segunda o famigerado projeto imobiliário do Pontal do Estaleiro. Na página da Câmara na internet, não havia notícia nenhuma a respeito disso. A “Agenda Semanal” que tem na página, ao contrário da votação anterior, não tinha nada relativo ao projeto.

Será que a Câmara Municipal omitiu propositalmente isso? Seria o temor de enfrentar novos protestos?

A lacônica nota no jornal ZH

A lacônica nota no jornal ZH

Hoje pela manhã a mídia, especialmente rádio, destaca a votação do detestado projeto na Câmara. O jornal Zero Hora praticamente desconhece o fato que tanta celeuma provocou nos últimos meses, a não ser por uma nota na página 10 que diz de maneira lacônica: “Projeto Pontal do Estaleiro deverá ser votado hoje pelos vereadores de Porto Alegre”. Coincidentemente hoje ocorreu um gigantesco congestionamento de trânsito e isso mereceu, lógico, destaque na edição da internet do ZH. Será que este é um dos motivos para não falar no projeto “Pontal do Estaleiro” hoje?

Nada consta na agenda da Câmara

Nada consta na agenda da Câmara

Correio do Povo destaca a votação que causará prejuízos para cidade.

Correio do Povo destaca a votação que causará prejuízos para cidade.

Interessante isso!

O projeto que mais controvérsias provocou na cidade, nos últimos anos, passa a ser menos importante na própria página da Câmara Municipal e no jornal que se diz o mais importante do sul do Brasil?

No jornal Correio do Povo o assunto foi tratado de maneira diferente. Na coluna de Política o assunto foi destaque e na página de Opinião o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva escreve mais um excelente texto (leia mais abaixo) sobre o polêmico assunto.

Depois se dizem ofendidos quando perguntamos POR QUE TANTA PRESSA?

No jornal Correio do Povo de hoje, a coluna do escritor e jornalista Juremir Machado da Silva:

RECAPITULAÇÕES EM PALOMAS

Reunião num canto da Câmara de Vereadores de Palomas. João da Garupa cochicha com seus coleguinhas:
– Agora vai. Palomas precisa de espigões. Vamos autorizar a construção de um conjunto residencial de luxo na Ponta do Denílson. Coisa de país desenvolvido. Mas primeiro temos de expulsar o pobrerio dali das proximidades.
– Bueno, com qual argumento? – inquieta-se Tinão.
– Ora, com a lei: a beira do rio não é para moradia.
– Entendi, muito boa essa, depois a gente muda a lei.
– Calma, Tinão. Só depois que a área for vendida.
– Genial, João – entusiasma-se Carvãozinho. – Assim quem comprar poderá pagar mais barato e depois ganhar muito. O progresso exige investimentos arriscados e visionários.
– Hummm… Aquela área não foi doada pelo poder público? Tendo perdido a função, não deveria voltar a ser pública?
– Bobagem, Aniceto, um dos nossos interventores, gente boa da redentora, eliminou essa exigência, alegando questão de segurança nacional. Não tem pra ninguém.
– E se tiver muita pressão da opinião pública, João?
– A gente recua e pede ao prefeito para vetar.
– Nossa, tu pensas em tudo, João.
– Mas se o prefeito veta, não acaba tudo?
– A gente sugere que ele recomende um referendo.
– E se ele topa?
– A gente derruba o veto.
– E se, de novo, a opinião pública pressionar?
– A gente confirma o veto, aprova antes outros projetos de clubes de futebol, mistura tudo, confunde um pouco e transforma o referendo em consulta popular.
– Qual a diferença, João? Já não me lembro.
– O voto na consulta popular não é obrigatório.
– Mas que argumento usar para cancelar o referendo?
– O preço. Vamos dizer que sai muito caro.
– Nossa, João, tu pensas em tudo mesmo.
– Eu me inspiro em Carlos Lacerda. Uma vez, quando Getúlio se candidatou à Presidência, em 1950, Lacerda saiu-se com esta: ‘Vargas não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar. Se governar, deve ser pressionado até ser deposto.
– É… Mas ele foi eleito, tomou posse e governou…
– Deu no que deu, não é, Aniceto?
– Que cultura! Que preparação!
– É que eu me preocupo com o futuro de Palomas.
– E o resto da orla, vai continuar igual?
– Não sejas bobo, Aniceto. Onde passa um boi, passa uma boiada. Depois de passar uma cabecinha, vai o resto.
– Hummm… Os ecologistas vão berrar até o fim.
– Deixa que berrem, Carvãozinho, teremos a mídia a nosso favor. A Rede Baita Sol vai fechar com a gente, não é?
– Essa é quente mesmo. Sempre do lado do progresso.
– E se mesmo assim o berreiro for grande demais?
– Ora, Aniceto, nossos visionários vão pressionar o restante da mídia. Todo empresário já foi patrocinador ou será patrocinador um dia. É gente com poder de fogo.
– É, não tem erro, João, é tiro certo.
– Certeiro, Aniceto. Rumo ao futuro grandioso.
– Mas pode demorar. Sabe como é, tudo é lento.
– A gente aprova regime de urgência.
– Agora vai! Precisa mesmo essa consulta popular?
– Vamos ver…

Um pensamento sobre “Por que tanta pressa?

  1. ESSA BABILÔNIA DE ARTICULAÇÃO PARA APROVAR PROPOSTAS DESSE TIPO (FRAUDULENTAS) LEMBRA-ME A NOVELA “ROQUE SANTEIRO” ONDE O PREFEITO QUERIA “MARCAR SUA GESTÃO” COM UMA OBRA QUE FOSSE DURADOURA, ENTÃO ELE TEVE UMA IDÉIA, COMO A CIDADE NÃO TINHA CEMITÉRIO, TCHAN… CONSTRUIU UM, MAS AÍ TINHA QUE INAUGURAR E NÃO MORRIA NINGUÉM NO MUNICÍPIO…
    NO FINAL ELE PRÓPRIO, O IDEALIZADOR DO PROJETO, MORREU E INAUGUROU O TÃO FALADO CEMITÉRIO.

    OS AMBIENTALISTAS VÃO BERRAR SIM E NÃO VÃO PERMITIR CONSTRUÇÕES NA ORLA DO RIO GUAÍBA, PARA O BEM DA POPULAÇÃO E DE NOSSA CIDADE ! ! !

    Eduino de Mattos – conselheiro do CMDUA/COMAM.

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