A natureza se vinga?

Enquanto em Porto Alegre nossos vereadores aprovam leis que prejudicam o Meio Ambiente, chuvas_sc1aqui pertinho, em Santa Catarina, a natureza se vinga e provoca uma catástrofe terrível. Seria bom que nossos legisladores parassem para pensar (se é que alguns realmente conseguem) nas conseqüências que atos imprevidentes causam a todos.

Do Blog do engenheiro florestal Guilherme Floriani, de Lages/SC, acessado via Cão Uivador:

Trajetória da Imprevidência

A noite de 22 de novembro de 2008 foi o início do pesadelo para milhares de catarinenses. A chuva foi seguida de enchente, desbarrancamentos, destruição e morte. A calamidade foi anunciada como um ocaso incontrolável. O evento climático imprevisível. Contudo, é difícil ficar indiferente, ou sem pensar que o pior poderia ter sido evitado.

As Áreas de Preservação Permanente (APP) criadas pela Lei nº 4.771 em 1965 definiram as matas ciliares comchuvasc2251108 5 metros na margem dos rios, e incluem ainda a preservação de encostas íngremes e topos de morros. Depois da fatídica enchente de 1983, e da necessidade de proteger a biodiversidade, o Código Florestal foi revisto, e as Matas ciliares passaram a 30 metros no mínimo. Mas onde o Rio Itajaí-Açu deveria ter mata ciliar com 100 metros de largura, a lei municipal de Blumenau é mais branda: 33 metros a 45 metros. Em Treze Tílias, o Plano Diretor previu apenas 3 a 5 metros. As peculiaridades ambientais de Santa Catarina justificariam uma legislação própria. Por isto, o Projeto de Lei Federal 3517/2008, do deputado José Carlos Vieira (DEM-SC), elimina a exigência de observar os limites do Código Florestal, autorizando os Municípios a flexibilizar os limites técnicos. O Projeto de Lei Estadual 238/2008, do Governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), institui o Código do Meio Ambiente de Santa Catarina, vai além, e propõem matas ciliares de 5m de largura – um disparate técnico e jurídico. Em outra frente, a CPI das ONGs, do Senador Colombo (DEM-SC) instigou caçadores de eco-chatos, principalmente aqueles que agem no CONAMA e no Ministério do Meio Ambiente.

Enquanto isto, a tríplice aliança impediu a criação de unidades de conservação federal, não conseguiu realizar o inventário florestal do Estado, nem promoveu pesquisas ambientais que dessem luz às propostas de mudança da Lei. E engavetou o projeto do ICMS Ecológico, do deputado Francisco de Assis (PT), que beneficiaria municípios que preservam mais o ambiente. Em Florianópolis autorizações ilegais alvo da Operação Moeda Verde. E Santa Catarina liderando o desmatamento no Brasil em 2007.

Vieram enchentes, arrasaram cidades, áreas rural, ceifaram vidas, sc-4e tornaram discutível a governabilidade ambiental local. Mas são uma triste oportunidade de tomarmos coragem para agir: fortalecer o controle social na gestão ambiental, valorizar profissões especializadas em meio ambiente, investir nos órgãos públicos e pagar por serviços ambientais. Sem as Áreas de Preservação Permanente, mas principalmente, de uma política ambiental séria, a força da natureza será sempre um castigo aos incautos.


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3 pensamentos sobre “A natureza se vinga?

  1. No entanto os Administradores públicos estão dormindo em seus palacetes e o povo se danando.
    Muitos Políticos e administradores estão indo a jornal e na mídia pedindo que o povo ajude ás vítimas da tragédia, como se o povo, que é quem sempre ajuda mesmo, não o fizesse.
    Garanto que do bolso dos criminosos ambientais de Santa Catarina não sai um centavo.
    O povo é muito pacífico mesmo e por isto sofre com danos materiais e de vidas humanas.
    Até quando veremos desrespeito às Leis ambientais? Isto tudo será cobrado no futuro e ainda com mais força.

  2. gostei muito deste artigo vcs poderiam mandar outro mais completo p/ mim ate amanhã.obrigada desde ja conto com o e-mail…

    agadecida…

  3. Pingback: Onde o Rio gasta os bilhões dos “royalties” do petróleo? « Porto Alegre RESISTE!

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