Compensação Ambiental?

Mensagem enviada ao Ministério Público, dia 9 de outubro de 2007:

Exa. Dra. Ana Maria Moreira Marchesan;

Neste momento nos perguntamos, afinal, mais vale uma lei municipal do que a estadual, ou ainda, a gênese federal?

Criou-se em Porto Alegre, uma alternativa para burlar a preservação do meio ambiente.

Adota-se aqui nesta capital, o verdadeiro jeitinho brasileiro, a “compensação ambiental”. Compensa-se tudo, inclusive o corte de árvores adultas por meia dúzia de mudas que serão reduzidas a nada, pois todos sabemos, os responsáveis não farão a manutenção necessária. O negócio deles é devastar.

Enquanto recebemos informações diárias sobre os efeitos do aquecimento global, nós, aqui na província, incrementamos a Verticalização dos Prédios e a Densidade Habitacional dos bairros. Por consequência, aumenta-se os cortes de árvores. Corta-se frenéticamente, como nunca ocorreu. Isto é insano, pois mesmo que se façam “compensações” a plantar outras tantas, em 30 anos, jamais será alcançada a atividade de uma planta adulta que hoje ajuda a manter os níveis razoáveis de emissão de CO2 na atmosfera.

Temos que despertar para a necessidade urgente de adotar uma nova postura ambiental. Afinal, o que está em jogo, neste momento, é a continuidade da nossa existência no planeta e – por que não dizer? – da existência da própria Terra.

Todos somos responsáveis pelo aquecimento global. Repetimos com a natureza os erros do nosso dia-a-dia humano, cegos face ao desastre da destruição ambiental. Cegueira fingida, pois as advertências estão aí, batendo-nos na cara.

Como diz a Eng. Florestal Monica Naumann: “os projetos antrópicos devem adequar-se às condições naturais existentes” e não o contrário. E neste sentido, como se admite aceitar a poda de Figueiras em idade adulta, cinquentenárias?

Sem dúvida nenhuma, o projeto imobiliário previsto na rua Pedro Chaves Barcelos, 780, interferirá negativamente no sistema radicular, do caule e da copa das Figueiras.

Portanto, como cidadãos, exigimos que este projeto, mesmo que esteja aprovado, seja readequado à situação de intocabilidade destes bens naturais e além disto, o respeito pelo direito adquirido dos moradores do entorno, quanto ao Sol e a Ventilação de suas habitações. Por acaso, eles também foram ouvidos? Ou, sem saber, estarão condenados à sombra de um Totem da Insanidade?

Queremos a aplicação da Lei, queremos QUALIDADE DE VIDA!

Paulo Vencato

Moinhos VIVE

Anúncios

Um pensamento sobre “Compensação Ambiental?

  1. (Mensagem enviada ao MP em 10 de outubro).

    Prezada Dra. Ana Marchesan:

    Como fui citada pelo Eng. Vencato, aproveito a oportunidade para fazer alguns comentários sobre a questão das “compensações ambientais”.

    Em primeiro lugar, não tenho conhecimento de que em países europeus esta metodologia seja aplicada, e muito menos na forma generalizada como é o caso aqui no RS.

    Em segundo lugar, algumas mudas de espécies de ocorrência comum nem de longe desempenham o papel ambiental que uma árvore adulta desempenha (alimentação e abrigo para a fauna, “ar condicionado” climático, absorção da água da chuva, para citar apenas alguns).

    Para servir como compensação efetiva, este mecanismo deveria seguir critérios bem mais rigorosos, utilizando-se espécies raras ou ameaçadas de extinção, com porte de 2 a 3 metros, e incluindo-se os tratos culturais por técnico com formação na área por um período de pelo menos 3 anos.

    Desta forma, além de contribuir efetivamente para a preservação da biodiversidade e do clima, este mecanismo representaria um custo econômico real para o empreendimento, de formas que seria “levado a sério” e inclusive induziria o empreendedor a avaliar a possibilidade de modificar seu projeto de formas a manter o capital natural previamente existente na área. Isto não será feito enquanto as “compensações” representarem um valor econômico ínfimo. Na situação atual, o corte de árvores em propriedades particulares para dar lugar a edificações não traz custos individuais para os empreendedores, e por isto ocorre em grande escala. É o poder público que acaba ficando com a função de tratar dos insolúveis problemas gerados pelos custos coletivos deste comportamento, como as temperaturas cada vez mais altas na área urbana, a insalubridade gerada pela falta de aeração, a falta de superfícies para absorver a água da chuva, etc.

    Fico à disposição para assessorar o MPE nesta questão.

    Atenciosamente,

    Monika Naumann
    Eng. Florestal
    Gestora ambiental

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s