A Insanidade Urbana de Porto Alegre

O texto abaixo, foi enviado por e-mail aos vereadores da cidade de Porto Alegre, no dia 28 de setembro.

O autor, Paulo Vencato, foi uma das principais vozes que se levantaram em defesa da rua Marquês do Pombal, conseguindo a preservação de seu Túnel Verde e, posteriormente, o tombamento do Túnel como Patrimônio Ecológico de Porto Alegre. É integrante da Associação dos Moradores do bairro Moinhos de Vento e do Movimento Porto Alegre Vive.

Excelentíssimo Senhor Vereador,

Hoje, quando se discute a reavaliação do PDDUA, nossa cidade continua a viver um período de surrealismo. Enquanto recebemos informações diárias sobre os efeitos do aquecimento global, nós, aqui na província, incrementamos a Verticalização dos Prédios e a densidade habitacional dos bairros. Por consequência, aumenta-se os cortes de árvores. Corta-se freneticamente, como nunca ocorreu. Isto é insano, pois mesmo que se façam “compensações” a plantar outras tantas, em 30 anos, jamais será alcançada a atividade de uma planta adulta que hoje ajuda a manter os níveis razoáveis de emissão de CO2 na atmosfera.

O que mais precisamos é de árvores para filtrar o CO2, e, não é para daqui 30 ou 50 anos, é para Já!!!!!!!!!!

Sabe-se que os efeitos do aquecimento global aumentarão com o passar do tempo se não forem estancadas todas as ações de degradação ambiental. Esta é uma trajetória sem volta, pois faltam poucos anos para que a situação se torne irreversível. Portanto, todo e qualquer corte de árvore deverá ser proibido, Já!!!!!!!!!!!!

Além disto, Porto Alegre está centrada no Paralelo 30. Poucos sabem o que isto representa. Nesta ampla região, se encontra a mais rarefeita camada de Ozônio. Quer dizer: aumento considerável da temperatura, câncer de pele, ……………….. Isto já está provado por pesquisadores nacionais, e, incrível: aqui de Porto Alegre. Da PUC e da FFCMPA (Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre).

Porto Alegre foi projetada para ser amplamente arborizada, com uma característica muito peculiar, formando Túneis Verdes. Esta é uma marca muito nossa. Só quem mora num ambiente com estas características pode sentir a diferença em relação ao Centro de nossa cidade, uma selva de pedra.

Portanto, verticalizar prédios, significa aquecer mais e mais o meio ambiente, pois os prédios que ultrapassam a altura das árvores funcionam como placas captoras de energia solar. Se considerarmos que Porto Alegre possui uma elevada taxa de Umidade Relativa do Ar, incrementando-se este efeito às altas temperaturas, temos, certamente, uma situação tremendamente insuportável no verão. Basta verificar as estatísticas históricas. Para sobreviver a isto, nos resta utilizar o Condicionamento de Ar. Quando temos que economizar energia, ao contrário, estaremos gastando ainda mais.

Na verdade, precisamos de ilhas urbanas no meio de florestas, e, não o contrário. Esta é a receita para sobreviver aos próximos escaldantes anos.

Convidem pesquisadores, cientistas e técnicos a participarem de eventos relativos a Meio Ambiente e Planejamento Urbano, pois estarão mostrando à população de nossa capital um outro tipo de fazer política, com responsabilidade não só municipal, mas global, com visão para o futuro, para a maioria e não para uma minoria, para as novas gerações.

Para complementar o relato, seguem abaixo, artigos que se referem aos argumentos apresentados.

Paulo Vencato

Engenheiro Civil

Ilhas de calor fazem temperatura variar até 12 graus em SP
No auge do veranico deste inverno, em julho, termômetros marcaram em São Paulo, na mesma hora, temperaturas com até 12 graus de diferença. A variação que muitos paulistanos notaram este ano é a mais alta desde que o clima nos distritos da cidade passou a ser monitorado. O sobe-e-desce da temperatura é resultado de um complexo fenômeno climático, o das ilhas de calor urbanas. Essas ilhas são provocadas por fatores como concentração de prédios e pouca arborização. Elevam a temperatura principalmente em bairros do centro e da zona leste. Têm seu contraponto nos oásis ‘frios’ remanescentes da borda das Represas Billings e Guarapiranga, zona sul, e na Cantareira, zona norte – OESP, 9/9, Metrópole, p.C1 a C5.

Paralelo da Prevenção

Arquivo anexo.

Nextime03-EspecialCancer - Paralelo 30
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Exemplo Visual de Política para Preservação Ambiental

(clique na imagem para ampliar)

Estudo Científico de Clima Urbano da Universidade Federal do Mato Grosso

Arquivo anexo.

Um Estudo de Clima Urbano - Proposta Metodológica
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3 pensamentos sobre “A Insanidade Urbana de Porto Alegre

  1. Pingback: Boa leitura « Cão Uivador

  2. Excelente texto Paulo, já o inseri no site da Cidade Baixa e o repassei a diversos amigos.
    Estes alertas são fundamentais para se criar um consciencia do que está acontecendo. Principalmente aos poderes públicos constituidos, pois além da população é nosso direito e dever lutar por aquilo que acreditamos.
    Parabéns.

  3. De repente, acordamos e vimos tudo que tiraram muito de nós..Nosso ar, nossas árvores, nossos pássaros . E o sonho do ignorante cada vez crescendo mais…crescendo…Derrubem tudo vamos fazer um edifício muito edifícios e muitos estacionamentos…e logo o verde vira uma miscelânea de cores sem vida…
    O Movimento Reviver Independência nasceu da vontade de alguns moradores de preservar o que ainda nos restou de vida…Fizemos parte da AMABI e vamos apesar de tudo isto que contas, descaso e ganância, persistir…Não é fácil . Mas vamos enquanto POA ainda vive
    Abraço e que estejamos juntos.
    Marilia

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